<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Sapiens Sapiens &#187; vida</title>
	<atom:link href="http://www.sapiensapiens.com.br/tag/vida/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.sapiensapiens.com.br</link>
	<description>Sapiens Sapiens</description>
	<lastBuildDate>Mon, 30 Jan 2012 14:47:55 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.0.1</generator>
		<item>
		<title>A morte em nossa vida</title>
		<link>http://www.sapiensapiens.com.br/a-morte-em-nossa-vida/</link>
		<comments>http://www.sapiensapiens.com.br/a-morte-em-nossa-vida/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 11 May 2010 12:00:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Revista Vida Simples]]></category>
		<category><![CDATA[alma]]></category>
		<category><![CDATA[céu]]></category>
		<category><![CDATA[inferno]]></category>
		<category><![CDATA[morrer]]></category>
		<category><![CDATA[morte]]></category>
		<category><![CDATA[partida]]></category>
		<category><![CDATA[passagem]]></category>
		<category><![CDATA[transição]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>
		<category><![CDATA[vida eterna]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.sapiensapiens.com.br/?p=2054</guid>
		<description><![CDATA[Todo mundo sabe que a única coisa verdadeiramente certa na vida é que vamos morrer. Então por que temos imensa dificuldade em lidar com esse tema tão humano? ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h4 style="text-align: justify;"><span style="font-weight: normal;">– Você está com medo? – perguntou a jovem Caroline a sua mãe, que se encontrava no leito de morte.</span></p>
<p><span style="font-weight: normal;">– Não, estou curiosa – respondeu Daisy Fuller, que então sorriu e, como que para fazer as pazes com a vida, começou a contar à filha um segredo do passado: sua relação com um tal Benjamin Button, homem que nasceu velho e foi rejuvenescendo até morrer como um bebê. O relato era um desabafo e Caroline termina por descobrir que o fantástico homem era seu próprio pai.</span></p>
<p><span style="font-weight: normal;">A passagem acima foi retirada de um conto do escritor americano F. Scott Fitzgerald, que foi publicado em 1921 e em 2008 virou o filme <em>O Curioso Caso de Benjamin Button</em>, dirigido por David Fincher e interpretado por Brad Pitt e Cate Blanchett. Conta a história de um homem que tem uma trajetória de vida oposta à natureza humana: ao invés de envelhecer, ele rejuvenesce. Quando escreveu o bizarro conto, Fitzgerald estava subvertendo a maior das angústias humanas: a percepção do envelhecimento e a certeza de seu epílogo, a morte.</span></p>
<p><span style="font-weight: normal;">Se pudéssemos escolher, preferiríamos ver nosso corpo melhorar com o tempo, não deteriorar-se inexoravelmente como um prenúncio do fim. Como não temos esse poder, só nos resta a imaginação, com a ajuda da literatura e do cinema.</span></p>
<p><span style="font-weight: normal;">Mas Benjamin Button não é Connor MacLeod, o Highlander, o imortal guerreiro escocês nascido no século 16. Benjamin vive o tempo de uma vida, e mostra que ainda que tentemos – e até certo ponto consigamos – segurar o tempo, não teremos como vencer a morte. A anciã Daisy conhece essa verdade e lida com ela com a sabedoria de quem viveu intensamente. Por isso não teme, apenas está curiosa.</span></p>
<p><span style="font-weight: normal;">Este é um tema campeão na literatura universal, empatando, talvez, com o amor. E ambos estão, comumente, ligados, como em um Romeu e Julieta em distintas versões. É possível que amemos tanto a vida porque temamos tanto a morte. Mas devemos então evitar a vida para ter a ilusão de não morrer, como alguém que não quer um cãozinho porque sabe que vai sofrer quando ele morrer? Não, pois o mistério da morte não é maior que o mistério da vida, uma categoria pertence à outra. Perceba que viver pressupõe morrer, e morrer significa ter vivido. São indissociáveis. Estamos diante de um mistério único que, por escapar à nossa compreensão e ao nosso controle, nos angustia e infelicita.</span></p>
<p><span style="font-weight: normal;">Certo esteve Epicuro ao dizer que não temia a morte pelo simples fato de que jamais a encontraria, pois enquanto ele estivesse vivo a morte não estaria presente, e quando ela aqui estivesse ele não estaria mais. O argumento do filósofo tem uma lógica perfeita. O problema é que nós não encaramos a morte com a lógica e sim com a emoção.</span></p>
<p><span style="font-weight: normal;">Como seres pensantes que somos, tentamos racionalizar repetindo aquelas verdades que no fim não consolam, como “Para morrer basta estar vivo” ou “Começamos a morrer quando nascemos”. São frases epicuristas, todas encerram uma verdade, só que, quando o assunto é a morte, preferiríamos a mentira, a ilusão da imortalidade, o engano de que só existe vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: normal;">“Eu não quero ser imortal por minha obra. Quero ser imortal não morrendo”, desabafou Woody Allen, em um de seus momentos geniais. Lamento, Woody, mas não será possível. O que nos resta é viver como se não fossemos morrer, pensando e glorificando o milagre da vida, senão morreremos antes de morrer, como explicou Freud em seu <em>O Mal-estar na Civilização</em>, onde coloca a perspectiva da morte como uma das principais causas da infelicidade humana. Morrer antes de morrer significa não viver apesar de estar vivo.</span></p>
<p><span style="font-weight: normal;">A lógica de Epicuro, a ciência de Freud e o humor de Woody Allen estão todos certos, errados estamos nós que sofremos pelo que não controlamos porque nos acostumamos a pensar que somos deuses, que a razão nos dá o controle, que a vontade é infinita. De repente descobrimos nossas limitações e nos desesperamos. Eu e você morreremos, sim, e isso está certo. O errado é morrer antes de morrer, é não encarar a vida com humor e gratidão, é perder a oportunidade de deixar este mundo melhor com a própria presença.</span></p>
<p><span style="font-weight: normal;">Expirando em seu leito, o imperador Augusto, por exemplo, pediu um espelho para ajeitar as madeixas e disse aos que o amparavam: “Se vocês gostaram da encenação, aplaudam, para que eu possa sair de cena feliz”. Certo o romano. Morrer é sair de cena, e só nos resta aceitar que a peça terá um fim e que devemos interpretar nosso papel como virtuoses deste teatro fantástico.</span></p>
<p><span style="color: #00ccff;">O segredo para não sofrer com a morte não seria acreditar que ela é apenas uma fase da vida eterna?</span></p>
<p><span style="font-weight: normal;">O segredo para mitigar o sofrimento está, sim, em acreditar em algo, pois o que nos mortifica é a dúvida. O homem é feito de razão, emoção e crença, e esta última é construída a partir da matéria que compõe as duas primeiras. Crenças são criadas a partir de valores e desejos, existem para tornar nossa vida melhor e só podem ser questionadas por quem as possui. Epicuro, por exemplo, antecipou a teoria atômica dizendo que tudo é formado por minúsculas partículas em movimento, e acreditava que isso valia para nosso corpo e também para nossa alma. Dizia que o homem e sua alma nada mais são que matéria em movimento, e que quando esse movimento fosse interrompido não restaria mais nada, seria nosso fim. Essa era sua crença, o que lhe deu tranquilidade até para brincar com esse destino.</span></p>
<p><span style="font-weight: normal;">Já para os budistas, a morte é uma ilusão, pois nada morre de verdade, muito menos a alma, nossa verdadeira essência. O que importa é alcançar o nirvana, o paraíso. Este seria um estado psicológico elevado, amoroso e sem ansiedade, o que só pode ser alcançado com desapego e meditação. Em outras palavras, para alcançar o nirvana do céu e virar eterno, o homem precisa construir seu próprio nirvana na terra, a partir de suas atitudes.</span></p>
<p><span style="font-weight: normal;">Aparentemente opostos, os pensamentos epicurista e budista têm algo em comum. Ambos creditam à vida como a conhecemos todo o mérito. Para o epicurismo esta é a única vida, portanto merece ser vivida plenamente; para o budismo o nirvana final, espiritual, só será alcançado através do nirvana terrestre, psicológico. Ambas as teorias propõem que se dê valor à vida, procurando fazer o bem e transformando- a em algo que valha a pena.</span></p>
<p><span style="font-weight: normal;">Já que não podemos fingir que a morte não existe, só nos resta criar a crença mais confortável. A morte é um mistério, mas a vida também é. Só que temos a ilusão de entender a vida porque ela pode ser percebida pelos órgãos dos sentidos. Medimos, pesamos, tocamos a vida. A morte não, ela é metafísica, está além de qualquer interpretação lógica. Sabemos o que é o fim da vida, mas não sabemos o que é a morte.</span></p>
<p><span style="font-weight: normal;">Como não sabemos, só nos resta acreditar. E crença é imaginação, não certeza, mas seu poder é irrefutável, pois é capaz de usar os pensamentos para acalmar os sentimentos. No fim é isto que importa, pensar e sentir para poder viver. Há apenas dois modos de abordar a morte enquanto existe vida: ignorá-la ou pensá-la. A primeira de nada adianta, enquanto a segunda ao menos traz mais cartas para o jogo da vida, criando novas perspectivas.</span></p>
<p><span style="color: #00ccff;">A morte também está presente nos fatos do cotidiano, nas separações, nos fins de ciclo. Não deveríamos estar mais acostumados a ela?</span></p>
<p><span style="font-weight: normal;">No fundo, o que assusta na morte são três fatores: o desconhecido, que é sempre amedrontador; a resistência a abandonar a vida, o que é próprio dos instintos; e, digamos, a passagem, que pode estar carregada de sofrimento. Como diz um amigo meu, com seu humor peculiar: “Acredito que a vida e a morte sejam, ambas, boas. O problema é a transição”.</span></p>
<p><span style="font-weight: normal;">Estamos, sim, acostumados com a ideia da morte. Nós provavelmente nunca nos acostumaremos é com a presença da morte em nossas vidas. Aceitamos a morte, pois somos racionais, mas reagimos fortemente a ela em duas circunstâncias: quando é prematura ou quando é próxima.</span></p>
<p><span style="font-weight: normal;">Não gostamos de saber que gente jovem morre, não parece natural. Há um quê de injustiça nos soldados que não voltam da guerra, nos rapazes e moças que se misturam às ferragens de seus carros nas noites de fim de semana, nas crianças com leucemia nos hospitais ou com fome nos países miseráveis. Ninguém deveria morrer sem ter tido a chance de viver bastante, pensamos.</span></p>
<p><span style="font-weight: normal;">Como também não gostamos da morte por perto, ceifando alguns dos nossos, levando nossos avós, convocando nossos pais. É quando a morte é má de verdade, porque nos priva de nossos entes queridos e porque se faz lembrar, se mostra com força e faz questão de deixar claro que vai voltar, é apenas uma questão de tempo.</span></p>
<p><span style="font-weight: normal;">Pelo menos a maioria de nós tem motivos para se alegrar por ter vivido. Seja qual for o mistério, a aventura de viver é muito boa, apesar dos percalços, claro. Não é possível não conhecer o sofrimento, pertence à nossa condição de viventes. E entre eles, às vezes camuflada pelo cotidiano, está a morte, espreitando.</span></p>
<p><span style="font-weight: normal;">A fé, a psicologia, a filosofia, a literatura, o misticismo, todos são pródigos em abordar o tema da morte, mas nunca um desses construtores do pensamento humano teve coragem para negar dois fatos: que todos teremos de lidar com a morte, nossa e de outros – e que nós sofreremos inevitavelmente com isso.</span></p>
<p><span style="font-weight: normal;">Provavelmente não seria inteligente não morrer, a vida eterna seria muito cansativa. Mas, com certeza, não é inteligente morrer antes de morrer. Por isso, um texto sobre a morte é inócuo, a não ser que seja uma conclamação à vida. Viver de verdade é a única garantia de que, quando chegar a hora, tenhamos mais curiosidade que medo, como aconteceu com Daisy Fuller.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="font-weight: normal;"><em>Texto publicado sob licença da revista Vida Simples, Editora Abril.<br />
Todos os direitos reservados.<br />
Visite o site da revista: </em></span><a href="http://www.revistavidasimples.com.br/" target="_blank"><span style="font-weight: normal;"><em>www.revistavidasimples.com.br</em></span></a></p>
</h4>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.sapiensapiens.com.br/a-morte-em-nossa-vida/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Viajar para viver</title>
		<link>http://www.sapiensapiens.com.br/viajar-para-viver/</link>
		<comments>http://www.sapiensapiens.com.br/viajar-para-viver/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 27 Feb 2010 13:37:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Revista Vida Simples]]></category>
		<category><![CDATA[felicidade]]></category>
		<category><![CDATA[viagem]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://ssdi.chrisb.com.br/?p=1610</guid>
		<description><![CDATA[Viajar é uma forma de abrir nossa cabeça, pois saímos da zona de conforto. Como criar um espírito de viajante para aproveitar melhor todas as viagens?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Por obrigações de trabalho, mas também por puro prazer e vontade de aprender, sempre viajei muito. Estive em todos os estados brasileiros – em alguns, várias vezes – e em boa parte do mundo. Nessas viagens, conheci, claro, muitas coisas interessantes e outras nem tanto. E estive em lugares de todos os tipos. Alguns maravilhosos, outros deploráveis, mas de todos guardo lembranças de experiências que me ajudaram a ser melhor.</p>
<p style="text-align: justify;">E conheci também muitas pessoas interessantes. Tenho uma verdadeira coleção de tipos com quem interagi e que me ensinaram alguma coisa. Lembro- me, por exemplo, de um norteamericano de certa idade que sentou a meu lado num voo para Belém do Pará, em 1990. Antes de embarcar, eu havia passado na livraria do aeroporto para comprar um lançamento de meu ficcionista científico preferido, o russo-americano Isaac Asimov, chamado <em>A Viagem Fantástica II</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Logo que embarquei, tratei de me acomodar na poltrona, ávido para começar a leitura. Mas, logo após a decolagem, enquanto eu ainda estava nas páginas iniciais, notei que o cidadão ao lado estava com o corpo ligeiramente curvado em minha direção e os olhos esticados, tentando ler meu livro. Isso me incomodou e eu olhei para ele fixamente. Ele, então, sorriu meio sem jeito, mas com simpatia me perguntou: – Desculpe, o senhor fala inglês?</p>
<p style="text-align: justify;">Levei um instante para perceber que ele falava comigo, em um inglês de norte-americano nativo – “Excuse me, do you speak English?” Achei engraçada a coincidência, pois o livro começava com uma moça se dirigindo a um cientista durante um congresso, perguntando: “Desculpe, mas o senhor fala russo?” Coincidência ou não, aquilo quebrou minha resistência.<br />
– Yes, but&#8230; Sim, mas não perfeito – respondi, cuidando para, junto com a resposta, devolver o sorriso que o estranho ao meu lado me dava.</p>
<p style="text-align: justify;">– Com certeza, é melhor que meu português – acrescentou ele, polidamente. – É que eu reparei que você está lendo AViagem Fantástica, do Asimov, e esse livro foi lançado nos Estados Unidos há uns dois anos apenas. O que está achando dele?</p>
<p style="text-align: justify;">– Na verdade, acabei de começar a leitura, mas estou animado. Gosto do Asimov porque ele usa fundamentos científicos prováveis em suas histórias de ficção e não apenas palavras da ciência para enganar o leitor, como fazem outros.</p>
<p style="text-align: justify;">– Concordo. Suas histórias talvez possam ser realizadas no futuro, como as viagens interestelares. Aliás, ele gosta de escrever sobre viagens. Você já reparou como os livros que relatam viagens encantam as pessoas?</p>
<p style="text-align: justify;">– Nunca tinha parado para pensar sobre isso, mas acho que você tem razão, pois viajar é um forte desejo humano. Além disso, ler um livro é como fazer uma viagem. Tanto a viagem como o livro nos colocam frente ao desconhecido, que é, ao mesmo tempo, excitante e amedrontador.</p>
<p style="text-align: justify;">– Sim, praticamente todos os grandes livros são excitantes e amedrontadores. Veja o primeiro grande autor, Homero. Na Odisseia, Ulisses, após a guerra de Troia, trata de voltar para casa e inicia uma viagem cheia de aventuras, ao mesmo tempo em que Telêmaco, seu filho, viaja para procurá-lo. Se você pensar bem, verá que essa história poderia ser definida como a viagem de encontro ao destino de cada um.</p>
<p style="text-align: justify;">Estava começando a gostar daquele gringo. Era bem-humorado, entendia de literatura e ainda fez uma rápida análise psicológica de um clássico. Resolvi cutucá-lo. Se a conversa estivesse boa eu poderia dar-lhe corda, se não, tinha a desculpa de voltar à leitura.</p>
<p style="text-align: justify;">– Camões escreveu algo parecido em <em>Os Lusíadas</em>. Assim como Ulisses e Telêmaco, Vasco da Gama também é protegido por alguns deuses e perseguido por outros. E você reparou que, em ambos os casos, o objetivo final da viagem é voltar para casa? Fico pensando que esse seria o objetivo de qualquer viagem. Voltar para casa.</p>
<p style="text-align: justify;">– Ou voltar-se a si mesmo – continuou ele. – Olhar o exterior para entender melhor o interior. Você tem razão quanto ao destino final. Veja o caso do lorde Phileas Fogg, n’<em>A Volta ao Mundo em 80 Dias</em>, de Jules Verne, que parte de Londres com destino a Londres. Ele viaja para o leste e volta pelo oeste. Só que, quando volta, ele é outra pessoa, menos esnobe, mais humilde, melhor. Está apaixonado pela princesa que conheceu na Índia, mas, na verdade, o que aconteceu é que ele desenvolveu uma nova paixão pela vida. Através da aventura e do amor, ele reencontrou o homem que já tinha sido e do qual tinha se afastado em função das convenções e obrigações sociais, muito fortes na Inglaterra vitoriana.</p>
<p style="text-align: justify;">– Ele volta diferente, melhor do que era antes de partir. A conclusão é que a melhor parte de uma viagem é a volta? – perguntei.</p>
<p style="text-align: justify;">– Não, a melhor parte é o aprendizado. Veja o caso dos livros do escritor brasileiro que está despontando no mundo. Seus personagens voltam para casa só após terem aprendido alguma coisa e se transformado para melhor. (Ele estava se referindo ao Paulo Coelho, que na época já tinha lançado seus dois primeiros livros, ambos sobre viagens.)</p>
<p style="text-align: justify;">– Então, em sua opinião, as viagens são tão atrativas por serem metáforas da própria vida? Nesse sentido, este livro do Asimov talvez seja o mais perfeito, pois a viagem a que ele se refere é para dentro do corpo de uma pessoa, utilizando um submarino miniaturizado. Com o detalhe de que eles vão até o cérebro, o centro do pensamento.</p>
<p style="text-align: justify;">– A metáfora do Asimov é ótima, e o título do livro é melhor ainda, pois nosso interior é o território mais misterioso. Mas não estou me referindo ao corpo, e sim à alma humana. E, preste atenção: todos nós nascemos viajantes, mesmo quem não viaja, pois, se pensar bem, você verá que a verdadeira viagem fantástica é a própria vida.</p>
<p style="text-align: justify;">– A verdadeira viagem fantástica é a própria vida&#8230; – pronunciei eu, lentamente, falando comigo mesmo, em uma reação própria de alguém que tem um imenso e maravilhoso insight.<br />
Já se passaram cerca de 20 anos desde esse encontro. Não me lembro o nome do viajante ao lado nem se o diálogo foi exatamente assim. Mas me lembro bem do assunto que tratamos e, sobre ele, lembro que estava morando no Brasil porque havia se apaixonado primeiro por uma brasileira do Norte e depois por nossa cultura, música e comida. Recordo as analogias da viagem com a vida, do fato de que os confortos e as dificuldades, as alegrias e os aborrecimentos, as idas e as vindas de uma viagem são uma paráfrase perfeita da própria existência humana. E lembro que ele citou Bob Dylan antes de pedir licença e se recostar na poltrona para dormir o resto do voo:</p>
<p style="text-align: justify;">– Yes, my friend: “Life is nothing but a trip”. (“A vida nada mais é do que uma viagem.”) E me deixou com o livro nas mãos, a cabeça cheia de pensamentos e o coração pulsando com a ideia de que a vida é uma viagem fantástica. Nunca mais parei de me considerar um viajante para seguir em frente, seja em outro continente, seja em meu bairro.</p>
<p style="text-align: justify;">É fundamental definir bem o roteiro para não ter surpresas ruins na viagem? Há dois tipos de viagem que eu gosto: as que eu planejo nos mínimos detalhes e as que eu faço sem planejar nada. É claro que as viagens planejadas são mais confortáveis têm menos surpresas, mas não podemos esquecer que as surpresas fazem parte dela. Aliás, viajamos para nos surpreender com o mundo. Atualmente, eu prefiro planejar até certo ponto, como definir bem as datas de ir e voltar, reservar alguns hotéis, mas gosto de deixar espaço para o improviso, para a aventura.<br />
Viajar é uma das melhores sensações da vida. O dinheiro aplicado em uma viagem não é um gasto, e sim um investimento. Seu retorno vem em forma de cultura, de entendimento, de percepção, de experiência e, principalmente, em forma de vida. Uma viagem não se esgota no retorno. Continua em nossa lembrança em forma de imagens, sons, cheiros, texturas.<br />
Lembro quando viajei pelo Saara com um amigo israelense chamado Avi. Ele dirigia um caminhão especialmente preparado para aquelas condições e de repente esticou o braço para fora da janela, apontando para um lugar no meio da areia, e disse:</p>
<p style="text-align: justify;">– Olhe, um tuaregue. Eu apertei os olhos e fiquei tentando encontrar o habitante do deserto a que ele se referia, mas o máximo que conseguia ver, além da areia, era um pequeno movimento que lembrava água sobre as dunas – na verdade uma ilusão causada pelas ondas de calor que o solo devolve à atmosfera. Ele, percebendo minha dificuldade, parou o caminhão e me convidou a descer.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi então que eu pude ver um homem e seu camelo, ambos da mesma cor, e da cor do deserto, claro, em perfeita harmonia, de uma beleza ímpar.</p>
<p style="text-align: justify;">– Para onde ele está indo? – perguntei, provavelmente só para dizer alguma coisa para cortar aquele silêncio eloquente do deserto.</p>
<p style="text-align: justify;">Ele está sempre em movimento – explicou meu amigo. – Não precisa ter, necessariamente, um lugar para ir. Ele é um nômade que não sai do deserto, mas está sempre viajando, pois essa é sua essência. Assim como as dunas, que se movem permanentemente, o habitante do deserto não se detém. Ele sabe que, se parar provavelmente, será coberto pela areia.<br />
E assim somos nós, ocidentais urbanos, que também precisamos do movimento para não sermos cobertos pela poeira do tempo e pelo mofo da acomodação. Uma viagem pode não ser a vida, mas é uma bela metáfora dela, pois nos faz defrontar uma realidade maior e nos abre a alma para o entendimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Entretanto, sempre é bom lembrar que viajar tem partes, e uma delas é a volta para casa. E feliz daquele que considerar esta como uma das melhores. Entre outras coisas, viajar nos ensina a amar nosso lar, nosso país, nossa gente. Afinal, como disse Goethe, sábio é aquele que consegue criar, para seu uso, “raízes e asas”, essas duas maravilhosas possibilidades humanas.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Texto publicado sob licença da revista Vida Simples, Editora Abril.<br />
Todos os direitos reservados.<br />
Visite o site da revista: <a href="http://www.revistavidasimples.com.br/" target="_blank">www.revistavidasimples.com.br</a></em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.sapiensapiens.com.br/viajar-para-viver/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A passagem do tempo</title>
		<link>http://www.sapiensapiens.com.br/a-passagem-do-tempo/</link>
		<comments>http://www.sapiensapiens.com.br/a-passagem-do-tempo/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 25 Feb 2010 16:30:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Revista Vida Simples]]></category>
		<category><![CDATA[escolhas]]></category>
		<category><![CDATA[futuro]]></category>
		<category><![CDATA[gestão]]></category>
		<category><![CDATA[passado]]></category>
		<category><![CDATA[presente]]></category>
		<category><![CDATA[tempo]]></category>
		<category><![CDATA[valores]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://ssdi.chrisb.com.br/?p=45</guid>
		<description><![CDATA[O tempo passa e ficamos com a sensação de que nunca o aproveitamos como deveríamos. Existe uma maneira de conciliar a vida com o tempo, que a consome?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;">Os gregos, que encontravam explicação para tudo pelas forças emanadas pelo monte Olimpo, não se contentavam em ter um deus do tempo, tinham logo dois: Cronos e Kairós. Um só deus grego não seria suficiente para explicar a relação do homem com o tempo, tamanha a tensão que existe entre ambos.</p>
<p style="text-align: justify;">A única proeza em que o homem teve sucesso, a respeito do tempo, foi conseguir medi-lo. Para isso, analisou ciclos, como os movimentos da Lua e do Sol, observou seu efeito sobre a natureza e, então, padronizou os tempos do ano, das estações e dos dias, posteriormente divididos em frações, chamadas horas, minutos, segundos. Em sua arrogância, o humano acreditou que, ao medir o tempo, o controlaria. Doce ilusão. As medidas só serviram para aumentar a sensação da passagem veloz do tempo, que escorre pelas mãos, como a água.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas nem tudo está perdido. Nós, humanos, podemos ser apenas pobres mortais, mas temos uma ferramenta que nos permite controlar, se não o tempo, nossa própria existência. Essa ferramenta se chama consciência. E ela nos permite conviver com o tempo com base em três visões: da física, da metafísica e da ética. Do ponto de vista físico, o tempo pode ser medido. No âmbito da metafísica, o tempo pode ser sentido. E, de acordo com a ética, o tempo deve ser vivido.</p>
<p style="text-align: justify;">A física é a relação mais óbvia, e é com um instrumento físico que nós passamos a medir o tempo: o relógio. Contudo, ele apenas nos avisa que o tempo passa – o que faremos com essa informação é problema nosso. Do ponto de vista do que está além da física, o tempo é um sentimento, portanto ele tem duração variável, contrariando os relógios. Veja só: dois minutos de broca do dentista são mais longos do que 16 minutos escutando o Bolero de Ravel ao lado da pessoa amada.</p>
<p style="text-align: justify;">E, quanto à ética, ela nos alerta para um fato óbvio só para os mais conscientes: o tempo é um recurso escasso que não pode ser reposto, e sua qualidade dependerá do que fi- zermos com ele. Como disse Marcel Proust: “O amor é o espaço e o tempo tornados sensíveis ao coração”. E ele entendia do assunto, pois dedicou mais de uma década para escrever cerca de 4 mil páginas, que foram publicadas em sete volumes dedicados à relação humana com seus valores, entre eles o tempo. A essa obra completa, o escritor francês chamou <em>Em Busca do Tempo Perdido</em>. No último volume, O Tempo Reencontrado, o autor faz várias voltas ao passado e descobre que só a memória poderá se defrontar com o tempo e nossa paz interior será proporcional ao que a memória encontrar na volta ao passado, ou seja, a qualidade que demos ao tempo que nos foi dado viver.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #ff6600;">Podemos sentir o tempo e medi-lo. Então ele está à nossa disposição?</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;">O tempo está à nossa disposição, mas é ele que dispõe de nós, por isso, estabelecer com ele uma relação de paz é um ato de sabedoria. Sentir e medir o tempo são aparentados, pois ambos nos permitem perceber seu andar ininterrupto. Como? Bem, sentir e medir o passar das horas são iniciativas úteis, pois nos ajudam a decidir o que faremos com o tempo de que dispomos. Assim, nossa paz com o tempo será diretamente proporcional à paz que estabelecemos com nossas escolhas e nossas decisões. E essas são pessoais, relativas aos valores de cada um.</p>
<p style="text-align: justify;">O cientista inglês Stephen Hawking, que ocupa na Universidade de Cambridge a mesma cadeira que já foi de Newton, escreveu um livro chamado <em>Uma Breve História do Tempo</em>. Em dado momento, em meio a intrincados conceitos científicos, ele pondera que o tempo tem que ser analisado com base em três setas: a seta cosmológica, que explica a expansão do Universo, a seta termodinâmica, que explica a modificação constante das coisas, e a seta psicológica.</p>
<p style="text-align: justify;">Sim, o físico mais importante da atualidade não consegue analisar os fatos do tempo sem recorrer à psicologia. Os enigmas intrincados da matéria se relacionam com os mistérios do tempo desde sempre, mas, quando o homem passou a protagonizar essa peça no palco do Universo, seus pensamentos e sentimentos acrescentaram novos ingredientes ao roteiro, às vezes de comédia, às vezes de tragédia.</p>
<p style="text-align: justify;">A maior contribuição da física, nesse assunto, é a ideia da relatividade. As sofisticadas descobertas de Einstein sobre a velocidade da luz nos levaram a abandonar a ideia de tempo único e absoluto. Então: “O tempo se tornou um conceito mais pessoal, relativo ao observador que o está medindo”, diz Hawking. Nossa relação com o tempo se faz baseada em nossos valores, opções, decisões e culpas. É o tempo psicológico. Eu dedico mais tempo àquilo que tem mais valor para mim. O problema é conhecer seus valores.</p>
<p style="text-align: justify;">Voltando aos gregos, Cronos é o deus do tempo medido, por isso usamos expressões como cronograma, cronologia, cronômetro. Nos livros de mitologia, ele é representado como um deus malvado, que come seus próprios filhos, simbolizando o que o tempo faz conosco atualmente – parece que ele nos devora. Já Kairós é o deus do tempo vivido, das escolhas que fazemos, da maneira como nós aproveitamos a vida. Cronos é quantitativo, e Kairós é qualitativo.</p>
<p style="text-align: justify;">A primeira sensação é a de que Cronos é inimigo e Kairós amigo. O primeiro quer subjugar, e o segundo libertar. Mera sensação, pois, na prática, nós precisamos de ambos, uma vez que não podemos escolher a felicidade sem nos organizarmos para alcançá-la. Kairós nos estende a mão, Cronos nos empurra. Mas é necessário que saibamos o que queremos e que consigamos nos organizar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #ff6600;">A sabedoria consiste em estabelecer uma conexão entre os valores pessoais e a gestão do tempo disponível?</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;">A mitologia ilustra bem essa angústia humana. Zeus, o mais poderoso deus do Olimpo grego, era filho de Cronos, mas nenhum dos dois conhecia esse parentesco, mantido em segredo por Réa, mãe dos filhos de Cronos. Mas Zeus só assume a posição de poder quando enfrenta Cronos e o vence em uma batalha. Ele havia sido sabiamente aconselhado a não matar seu oponente, pois assim ele estaria matando o próprio tempo e ficaria, então, aprisionado no instante, sem futuro nem memória.</p>
<p style="text-align: justify;">A estratégia de Zeus foi vencer Cronos, cortando seus tendões e amarrando sua cabeça aos pés, criando um círculo com seu corpo. A partir de então, o deus do tempo passou a ser também o deus das ações repetitivas, como o dia e a noite e as estações do ano, eventos cíclicos.</p>
<p style="text-align: justify;">Na prática, Zeus conquistou Cronos e o dominou, administrou. Nossa vida moderna não difere disso. Todos temos 24 horas por dia à nossa disposição, mas estou certo de que você conhece pessoas que aproveitam bem essas horas, produzem, trabalham, estudam, se cuidam, se divertem, cultivam as relações. E também conhece outros, que se queixam da falta de tempo, da velocidade dos acontecimentos, da sensação de impermanência e da falta de controle. Na prática, o que acontece mesmo é exatamente a falta de controle, de ação da lógica na organização de suas prioridades. A agenda não escraviza – ao contrário, liberta, confere autonomia, possibilidades, alcances.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas gestão é a segunda palavra -chave. A primeira é escolha. Fazemos nossas escolhas com base em nossos valores e criamos uma estratégia para atingir nossos propósitos. Estratégias dependem de recursos, entre eles, o mais caro e raro: o tempo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #ff6600;">O ideal seria estabelecer uma relação lógica entre presente, passado e futuro?</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Muito se fala que a única coisa real é o presente, pois o passado não existe mais e o futuro ainda está por vir. Há uma lógica nessa observação, mas é uma lógica primitiva, pois esses tempos são totalmente interligados e interdependentes.</p>
<p style="text-align: justify;">É verdade que o presente é a única realidade prática, mas também é verdade que é nesse instante que se inserem o passado e o futuro. Na dimensão temporal atual, o passado recebe o nome de memória e o futuro tem vários pseudônimos, como sonho, desejo, medo e esperança.</p>
<p style="text-align: justify;">O futuro não é algo que vai existir. O futuro existe agora. Aliás, o futuro só existe no presente, pois, quando no futuro, o futuro virar presente, ele deixará de ser futuro. Parece óbvio, mas escapa da percepção cotidiana da maioria das pessoas. E escapa também o fato de que o futuro virará presente e, quando isso acontecer, ele será melhor ou pior, a depender das providências tomadas no presente, neste exato momento.</p>
<p style="text-align: justify;">Em outras palavras, só vivemos no presente, mas estamos fortemente conectados ao passado, que nos ensina, e ao futuro, que nos motiva. Viver é estar atado a essa tríade temporal, doce ou amarga, dependendo da consciência de cada um. Fazer as pazes com o tempo é a verdadeira sabedoria. Só que “a sabedoria não se transmite, é preciso que nós a descubramos fazendo uma caminhada que ninguém pode fazer em nosso lugar e que ninguém nos pode evitar, porque a sabedoria é uma maneira de ver as coisas”, também disse Proust.</p>
<p style="text-align: justify;">Sim, a sabedoria é uma maneira de ver as coisas, mas isso exige intenção, disposição e coragem. O problema é que desenvolvemos essas três qualidades em épocas diferentes de nossa vida, por isso a maturidade às vezes tarda, depende do tempo.</p>
<p style="text-align: justify;">O mesmo tempo que exige maturidade para ser bem escolhido e controlado, em outras palavras, para ser muito bem vivido.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Texto publicado sob licença da revista Vida Simples, Editora Abril.<br />
Todos os direitos reservados.<br />
Visite o site da revista: <a href="http://www.revistavidasimples.com.br/" target="_blank">www.revistavidasimples.com.br</a></em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.sapiensapiens.com.br/a-passagem-do-tempo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Um mundo impermanente</title>
		<link>http://www.sapiensapiens.com.br/um-mundo-impermanente/</link>
		<comments>http://www.sapiensapiens.com.br/um-mundo-impermanente/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 25 Feb 2010 01:21:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Outras Publicações]]></category>
		<category><![CDATA[conhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[halo]]></category>
		<category><![CDATA[SWOT]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://ssdi.chrisb.com.br/?p=620</guid>
		<description><![CDATA[Não há duvidas que uma das maiores frases de todos os tempos foi aquela proferida por Sócrates: “Tudo o que sei é que nada sei”. Em uma única tacada, o filósofo grego passou várias mensagens. A primeira é que a vida, na maior parte do tempo, é incerta. A segunda é que o conhecimento aumenta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Não há duvidas que uma das maiores frases de todos os tempos foi aquela proferida por Sócrates: “Tudo o que sei é que nada sei”.</p>
<p style="text-align: justify;">Em uma única tacada, o filósofo grego passou várias mensagens. A primeira é que a vida, na maior parte do tempo, é incerta. A segunda é que o conhecimento aumenta em larga escala, e quanto mais aprendemos mais percebemos o quanto falta aprender. E a terceira é um enorme exemplo de humildade, pois ele era o homem mais sábio de sua época.</p>
<p style="text-align: justify;">Ele construiu a metáfora de que o conhecimento forma uma espécie de halo luminoso em torno da cabeça da pessoa. Quanto mais aprendemos mais este halo cresce, o que é bom, mas, por outro lado, mais aumenta sua superfície de contato com a escuridão, que simboliza a ignorância. Então, quanto mais aprendemos mais percebemos o quanto há, ainda, para se aprender. É uma bela imagem simbólica, que me faz pensar naqueles que acham que já sabem tudo. Você conhece alguém assim, dono das verdades e das certezas? O mundo anda cheio deles. Nos dois sentidos.</p>
<p style="text-align: justify;">Voltando a Sócrates, vale a pena lembrar que ele viveu no século cinco antes de cristo. Imagine o que ele diria hoje, em plena sociedade do conhecimento, da informação, da velocidade e da transformação. Pena que Sócrates não conheceu as universidades, as bibliotecas e a Internet. Ponho-me a imaginar como seria seu <em>blog</em>. Provavelmente cheio de perguntas, pois ele odiava as respostas e sempre respondia uma pergunta com outra, criando uma espiral crescente de construção do conhecimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Digamos que você lhe perguntasse, através de e-mail: “Sábio Sócrates, o que fazer para conviver com essa sensação de insegurança neste mundo tão cheio de incertezas?” Ele provavelmente responderia algo como: “Meu jovem, você devia perguntar ao velho Heráclito. Por que você acha que ele disse que não dá para tomar banho no mesmo rio duas vezes? E não me chame de sábio, pois só sei que nada sei”. E daria um <em>send</em> certo de que tinha te oferecido elementos para reflexão. Não deu a resposta, mas sinalizou o caminho para encontrá-la, o que é muito melhor.</p>
<p style="text-align: justify;">Heráclito, que morreu um ano antes de Sócrates nascer, é considerado um filosofo obscuro, enigmático. Dele sabemos que desprezava a política e a religião, e acabou por isolar-se da sociedade para viver como um eremita. Antes, porém, ele nos legou sua mais famosa frase: “Tudo flui”, disse ele, e arrematou: “Não é possível banhar-se duas vezes no mesmo rio”. Faz sentido. Se você toma banho em um rio hoje, amanhã notará que aquela água já passou, agora é outra. E você também mudou, é outra pessoa. Dizem que essa frase representava a angustia do filósofo diante da velocidade das mudanças. Imagine o que ele diria hoje&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #008080;">O princípio da incerteza</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sim, vivemos em um mundo paradoxal. Se, por um lado, pertencemos a uma sociedade que usufrui dos confortos da ciência e da tecnologia, por outro nos sentimos desconfortáveis com a sensação de impermanência. Tudo muda e com velocidade crescente, já sabemos disso. E não temos o que fazer a não ser acompanhar as mudanças e nos adaptarmos a elas. OK, até aqui, tudo bem. Já nos acostumamos às guinadas da economia, da política, dos modelos de negócio e das tecnologias emergentes. Mas há algo neste admirável mundo novo que incomoda um pouco: a incerteza e a sensação de insegurança que ela causa.</p>
<p style="text-align: justify;">Nosso instinto pede segurança. É a segunda necessidade, só antecedida pelas necessidades fisiológicas. Depois nos preocuparemos com outras necessidades, como as emocionais e as intelectuais. Queremos nos manter vivos, por isso a opção pelo lugar seguro, sem surpresas. Sim, mas o que não podemos fazer é fingir que vivemos na época de nossos avós, quando as notícias vinham pelo Repórter Esso, ligações interurbanas só podiam ser feitas da companhia telefônica e andava-se de bonde pela Avenida Paulista. Era um tempo sem sobressaltos, mas que para qualquer um de nós que conhecemos o século XXI seria de uma monotonia mortal.</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje vivemos o mundo das possibilidades. Acelerado, inconstante, estressante, sim, mas continua sendo o mundo das possibilidades, basta que estejamos atentos. Em cada mudança há um lado favorável, só que nosso instinto de preservação vê, em primeiro lugar, o perigo. Portanto, muita calma nessa hora. É preciso colocar a bola no chão e avaliar os melhores lances.</p>
<p style="text-align: justify;">O que não dá é para ter tudo sob controle. No começo do século passado o cientista alemão Werner Heisenberg enunciou seu Principio da incerteza, um conceito da física quântica que diz que “É impossível conhecer-se a velocidade e a posição de uma partícula atômica ao mesmo tempo”. Ele tinha que optar pela informação que lhe parecia mais relevante naquele momento, e mesmo assim ele ajudou a construir a física quântica.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim é a vida como ela é. Incerta. E será cada vez mais. O que nos resta é encontrar os meios de sobrevivência, e estes são fornecidos pelo encontro de competências pesadas com espírito leve. Como assim? Ora, temos que nos preparar cada vez mais, investindo em novos conhecimentos, habilidades crescentes e atitudes adequadas, tudo isso embrulhado no fino papel da tranqüilidade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #008080;">Resistência e flexibilidade</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sobre esse assunto, minha estagiária Celeste, que tem uma sabedoria emergente porque é uma jovem perspicaz que não se contenta com o superficial, me contou uma história de sua vida de estudante quando estava no ensino médio. No laboratório de biologia, os alunos fizeram a seguinte experiência: colocaram um osso de galinha no vinagre e outro no fogo. A conseqüência foi que o osso colocado no vinagre perdeu cálcio, e com isso ficou mole, incapaz de se sustentar. O que foi levado ao fogo perdeu colágeno, e se quebrou com facilidade. Os jovens então perceberam que o osso é feito para ser flexível e resistente ao mesmo tempo, por isso nos dá proteção e movimento. Assim temos que ser, para suportar o calor das exigências crescentes e a corrosão das mudanças freqüentes.<br />
Talvez em outro e-mail, Sócrates nos dissesse: “Conhece-te a ti mesmo, meu filho”, mas como um filósofo agora pós-moderno, é provável que ele acrescentasse: “E aproveita para fazer um SWOT pessoal, analisando as ameaças e a oportunidades deste momento, e também tuas forças e fraquezas. Controla as ameaças, aproveita as oportunidades, corrige tuas fraquezas e aumenta ainda mais teus pontos fortes, pois é a partir deles que você vai se diferenciar”. E, dito isso, provavelmente ele voltasse a fazer o que o tornou singular: ser o grande crítico de sua época, sem revolta, mas com sabedoria e atitude.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Texto publicado sob licença da revista Conexão Direta com Você, da Nextel.<br />
Todos os direitos reservados.<br />
<a href="http://www.nextel.com.br/" target="_blank">www.nextel.com.br</a></em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.sapiensapiens.com.br/um-mundo-impermanente/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A influência dos outros</title>
		<link>http://www.sapiensapiens.com.br/a-influencia-dos-outros/</link>
		<comments>http://www.sapiensapiens.com.br/a-influencia-dos-outros/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 19 Feb 2010 02:30:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Revista Vida Simples]]></category>
		<category><![CDATA[alheia]]></category>
		<category><![CDATA[externa]]></category>
		<category><![CDATA[influência]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>
		<category><![CDATA[outros]]></category>
		<category><![CDATA[realidade]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://ssdi.chrisb.com.br/?p=69</guid>
		<description><![CDATA[Como impedir que a influência externa perturbe o equilíbrio interior e o que fazer para filtrar informações de quem só traz aborrecimentos?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em></em></p>
<p>Para começar, temos de lembrar que o ser humano é um animal gregário, ou seja, nós vivemos em grupo, precisamos uns dos outros para obter alimento, ter segurança e construir conhecimento. Então, pensar que é possível não receber influência do outro é imaginar o improvável. A questão é saber como construir uma estrutura de personalidade capaz de filtrar os estímulos externos para bloquear os ruins, receber os bons e saber diferenciá-los.</p>
<p>O ideal é começar esse treinamento muito cedo, já na infância, pela construção de pensamento lógico e de inteligência emocional, coisas que podem ser ensinadas e aprendidas. O problema é que isso depende principalmente da influência dos pais, que não são, na maioria das vezes, especialistas em educação e psicologia infantil. Quem não se lembra de fatos ocorridos na infância que influenciaram para sempre? Até na literatura encontramos exemplos sobre esse assunto.</p>
<p>É do escritor alemão Ernst Hoffmann um conto chamado &#8220;O Homem de Areia&#8221;, em que o personagem chamado Natanael conta como foi influenciado por um hábito de sua mãe quando ele era menino, e como essa influência o acompanhou por toda a vida. Quando queria que as crianças fossem para a cama, ela dizia: &#8220;Crianças! Para a cama já. O Homem de Areia já está chegando&#8221;. E a criançada corria para o quarto, com medo do personagem assustador. Deve ser horrível um homem de areia. Sem feições definidas, desmanchando-se à medida que caminha em busca da vítima para engolir.</p>
<p>Já adulto, Natanael perguntou à mãe por que ela usava a imagem desse monstro para assustar as crianças, e quem era, afinal, o Homem de Areia. Ela então lhe explicou: &#8220;Quando eu dizia que o Homem de Areia estava chegando, estava me referindo ao fato de que vocês estavam sonolentos e não conseguiam manter os olhos abertos, como se houvesse areia neles. O Homem de Areia era você mesmo&#8221;.</p>
<p>Surpreso, Natanael percebeu que sua mãe não queria assustar a ele e a seus irmãos. Estava apenas fazendo uma brincadeira que foi mal interpretada, mas que influenciou tremendamente seu modo de ver a vida. Ele passou a acreditar que havia monstros à espreita sempre prontos a nos afastar de nossos desejos. Ele, por exemplo, culpava o Homem de Areia por não poder ficar com seu pai na sala à noite. Quando este morreu em um acidente, ele atribuiu ao monstro malvado essa infelicidade. Com certeza o Homem de Areia havia matado seu pai.</p>
<p>Sua mãe nunca teve essa intenção, mas ela marcou a vida emocional do garoto para sempre, com uma imagem surreal, fantástica, assustadora. Natanael foi influenciado por esse episodio e passou boa parte de sua vida imaginando Homens de Areia à espreita atrás de cada porta, de cada situação e acontecimento de sua vida. Seu emprego, seus namoros, sua saúde, toda sua vida estava sempre ameaçada por esse inimigo invisível.</p>
<p>Mas por que afinal somos tão influenciados?</p>
<p>Natanael foi influenciado porque não teve maturidade para filtrar o real do imaginário, e nem poderia ser diferente. Sua mente infantil não soube separar o símbolo do simbolizado, o que é normal nas crianças. O problema é que essa incompetência emocional às vezes é reproduzida na vida adulta, e isso acontece quando não há a formação de uma personalidade bem estruturada, competente para se deixar influenciar apenas por aquilo que faz bem, e não por imagens destrutivas.</p>
<p>O problema é que ninguém, ninguém mesmo, tem a personalidade tão estruturada a ponto de só aceitar influências positivas, sendo refratário àquilo que não convém, que faz sofrer, que prejudica. A busca dessa competência emocional é uma das obsessões da psicologia. Leva tempo, depende de maturidade, de certa dose de sabedoria para viver livre da tirania do outro.</p>
<p>Ser capaz de construir relações humanas adequadas, que têm o que acrescentar, é uma das qualidades da pessoa estruturada, da personalidade sadia. Mas, se selecionamos nossas companhias pelo tipo de influência que elas exercem sobre nós, então por que às vezes nos deixamos influenciar negativamente por certas pessoas? Será que, nesse caso, estamos vivendo alguma fase autodestrutiva? Sim, existe essa possibilidade, mas o mais provável é que quem se deixa influenciar negativamente ainda não tenha aprendido a lidar com as relações, a começar com a relação consigo próprio. Saber o que é bom para si mesmo e ser fiel a seus valores e desejos requer uma dose de maturidade que demanda tempo, estudo, exemplo, lucidez, amorosidade.</p>
<p>Ser maduro significa diminuir a opinião dos outros sobre nossa vida?</p>
<p>Não, ser maduro significa permitir que as influências, agradáveis ou não, nos ajudem a construir conceitos, conhecimentos e percepções que serão benéficos na medida em que nos ajudam a pensar com qualidade. Ser maduro significa assumir a autonomia por seus sentimentos sem transferir para os demais a responsabilidade pela consequência de suas ações e por sua eventual infelicidade. Na maturidade ganhamos a chance de sermos influenciados de maneira positiva porque aprendemos a ler os textos escritos pela vida, o que é uma conquista e tanto, por isso mesmo tão desejada e tão difícil de ser alcançada.</p>
<p>Agora, temos que tomar cuidado ao interpretarmos o pensamento sartriano que diz que &#8220;o inferno são os outros&#8221;. Essa expressão não pode ser levada ao pé da letra, pois representa um pensamento muito mais complexo do que parece inicialmente. Sartre quis dizer que as pessoas com quem nos relacionamos são fonte permanente de influência e não temos como nos livrar disso, nem seria inteligente tentar fazê-lo. Trata-se de um pensamento inquietante que merece ser mais bem analisado. A questão é que todos nós procuramos fazer mudanças no mundo de tal modo que ele se ajuste a nossos projetos pessoais. Isso é normal, só que cada pessoa tem seu próprio projeto, e é nisso que reside a fonte de todos os conflitos. Daí a ideia de que o inferno são os outros.</p>
<p>Se aquilo que eu quero é ligeiramente diferente daquilo que você quer, eu vou tentar influenciá-lo ao mesmo tempo que você tenta me influenciar. Essa batalha surda é uma grande fonte de inquietação, pois ela é permanente, e só deixaria de nos infelicitar se aceitássemos o direito universal à felicidade e percebêssemos que para que uma pessoa seja feliz não é necessário que outra seja infeliz. Trata-se do princípio da abundância, que tem na felicidade sua melhor aplicação. Pode parecer poético demais, sem vínculo com a realidade, mas é uma forma de ver o mundo, uma filosofia de vida muito útil para a construção de relações positivas.</p>
<p>Então também precisamos do palpite alheio?</p>
<p>A verdade é que uma pessoa não pode se conhecer satisfatoriamente se não usar também os olhos dos outros. Só assim, através da interação com os outros, é que conseguimos nos ver como parte do mundo. Quando tentamos eliminar totalmente a influência dos outros, corremos o risco de construir um mundo irreal, isolado, esquizofrênico. Apesar disso, há uma postura filosófica que defende esse isolamento. Chama-se solipsismo, e diz que o conhecimento de uma pessoa deve ser baseado apenas em suas experiências pessoais, interiores, e que não se deve estabelecer uma relação entre o que se acredita e as crenças e valores dos demais.</p>
<p>Mas é possível não ser influenciado?</p>
<p>Os solipsistas acreditam que o pensamento é a instância psíquica que existe para controlar a vontade e que o resto do mundo, o que está fora do ser, é reflexo do que ele pensa. Um solipsista recusa ser influenciado. Ora, esse indivíduo só existe na teoria, pois é impossível criar uma carapaça refratária aos estímulos externos de maneira tão dramática. Ainda que às vezes encontremos aquelas pessoas que se acham donas da verdade e que consideram estranho todo aquele que não pensa como elas. Só aceitam ser influenciadas por suas ideias preconcebidas e recusam apoio para construir ideias continuamente. Pessoas assim talvez não sejam solipsistas, mas são intolerantes, intransigentes. Conheço algumas, você não? E quero distância delas.</p>
<p>As influências externas nos ajudam a construir a noção da realidade, e esta não é estática, mas dinâmica, tem um movimento que deriva, inclusive, de alguns momentos de contradição ou de oposição de crenças. Hegel, o filósofo alemão que construiu um dos pensamentos filosóficos mais completos e que procurou fazer do pensamento estruturado o refúgio da razão e da liberdade, já falava sobre isso, no século 19.</p>
<p>Segundo ele, a realidade é construí­da por três &#8220;seres&#8221;: o ser em-si, o ser fora-de-si e o ser para-si. Na metodologia científica, esses três seres costumam ser chamados de tese, antítese e síntese. Na vida prática, se você tem uma opinião que é diferente da de seu amigo, estamos diante da oposição entre tese e antítese, o que, absolutamente, não é ruim, ao contrário, é um solo fértil para a semeadura da verdade. Através do exercício do diálogo, haverá a construção de uma terceira ideia, que receberá o nome de síntese por ter elementos das duas anteriores, apesar de ser diferente de ambas. Hegel criou a ideia da dialética da vida, um movimento permanente. Dizia que uma semente deve morrer para nascer a planta, da mesma forma que um conceito velho precisa morrer para dar lugar a um novo.</p>
<p>Precisamos, então, desaprender para aprender, e nesse movimento permanente de construção da realidade, que não é estática, como já vimos, não há como não considerar a influência do outro. O que precisamos é transformar os estímulos em forças construtivas, o que só pode ser feito com o império da razão.</p>
<p><em>Texto publicado sob licença da revista Vida Simples, Editora Abril.<br />
Todos os direitos reservados.<br />
Visite o site da revista: <a href="http://www.revistavidasimples.com.br/" target="_blank">www.revistavidasimples.com.br</a></em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.sapiensapiens.com.br/a-influencia-dos-outros/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

