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	<title>Sapiens Sapiens &#187; valores</title>
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		<title>Meu lugar sagrado</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Mar 2011 18:15:54 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Há muitos lugares no mundo que são considerados sagrados. O que faz com que um local possa receber essa qualificação?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Saímos de Londres no final da tarde, seguindo para o oeste, em um carro alugado. Dirigir na Inglaterra é fácil e difícil. É fácil porque as estradas são ótimas, a sinalização é competente e o trânsito é civilizado. E é difícil porque precisamos recondicionar os movimentos para dirigir do lado direito do carro e do lado esquerdo da estrada. Lá, o errado é o certo. O pior é trocar a marcha com a mão esquerda, já que praticamente não se encontram carros automáticos na terra da Rainha – acham muito americano, esse conforto.</p>
<p style="text-align: justify;">A bordo, eu e meu filho, em nossa semana anual de colocar as coisas em ordem e a conversa em dia. A seu pedido, optamos por uma viagem <em>easy ride</em>, o que não significa viajar sem destino, e sim ir definindo o destino durante a própria viagem – explicou ele. Em cada etapa se planeja a etapa seguinte, e dessa maneira se pode ter a segurança da viagem programada e o excitante sabor da aventura. Ao anoitecer chegamos a Salisburry, uma pequena vila distante cerca de 80 milhas de Londres, onde havíamos reservado pela Internet um quarto para passar a noite no Grasmere House, um hotelzinho de duzentos anos.</p>
<p style="text-align: justify;">No dia seguinte visitaríamos Stonehenge, um lugar considerado sagrado. Estávamos excitados com essa expedição, provavelmente por motivos diferentes. Para mim era a oportunidade para vivenciar o mistério que cerca esse conjunto de pedras colocadas em círculo há mais de quarenta séculos. Para o Rodrigo significava conhecer o lugar sagrado dos celtas. Os jovens gostam dos celtas e são atraídos por lugares sagrados. E de nada adiantava lembrar que Stonehenge é pelo menos dois mil anos mais antiga que a cultura celta. O que importa é a mística do local.</p>
<p style="text-align: justify;">Acordamos cedo, tomamos o café-da-manhã inglês, composto por ovo frito, salsicha, bacon e feijão doce, servido por um simpático garçom húngaro, e rapidamente estávamos na estrada com destino certo: o passado. Conversávamos animados sobre história, sobre a diversidade de culturas e sobre as surpresas da vida quando, como que do nada, lá estava, bem à nossa frente, o círculo de pedras mais famoso do mundo. Stonehenge fica à margem direita de uma estrada movimentada, e não há como não vê-la, imponente, irradiando sua energia milenar.</p>
<p style="text-align: justify;">Finalmente estávamos na mística Stonehenge mas, claro, estávamos também na organizada Inglaterra, portanto, era necessário encontrar o local adequado para estacionar o carro, ler as recomendações e chegar ao circuito pelo qual pode-se caminhar contornando o monumento. Primeira lição de um lugar sagrado: ele deve ser respeitado.</p>
<p style="text-align: justify;">Não sei se é possível explicar a sensação de estar em um lugar como esse. Você é naturalmente levado à contemplação. Quer ficar quieto, apenas observando aquelas pedras que são testemunhas de 45 séculos. O mundo evoluiu, fez arte, ciência, guerras, descobrimentos, enquanto as pedras simplesmente ficaram em seu lugar, repousando em seu nicho, como que querendo mostrar que há, sim, valores permanentes. Pode não ser fácil descrever um lugar sagrado, mas percebe-se claramente quando se está em um.</p>
<p style="text-align: justify;">Observei as pessoas ao meu redor e verifiquei comportamentos de todos os tipos. Havia os que, nitidamente, realizavam contidas orações, alguns meditando isolados, e havia os deslumbrados, os japoneses fotografando, os aposentados passando tempo, alguns hippies tardios e até um druida moderno com cartazes anunciando a chegada de uma nova era. Locais sagrados são assim, atraem tribos diversas, todas em busca de algo – que pode ser paz, quietude, cultura, curiosidade ou até, quem sabe, sentido para a vida. </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O sentimento do sagrado deriva do próprio local ou ele deriva uso que se fez desse local?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Os locais considerados sagrados exercem uma influência sobre as pessoas, normalmente descrita como um sentimento de paz interior. Eu senti isso em Stonehenge, como já senti em outros locais que tive a oportunidade de conhecer. E nunca procurei –importante esclarecer – teorizar sobre a origem desse sentimento, pois isso poderia estragar a magia da experiência. Não importa o quanto aquele local tem de energia própria e quanto de programação psicológica eu estava providenciando para mim mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">Lugares sagrados são aqueles que, de alguma forma, colocam o homem em uma dimensão diferente daquela em que ele trava sua luta diária de sobrevivência. É uma espécie de recarregador de baterias, considerando que a energia que precisamos para viver não vem apenas dos carboidratos, mas também de fontes existenciais. O Homem é o único ser que padece da lógica que o leva a questionar a razão de sua própria existência.</p>
<p style="text-align: justify;">Para que estamos aqui, afinal? Seriamos meros entrepostos de gens, destinados a participar do processo de sobrevivência de nossa espécie, e pronto? Não, ninguém gosta de aceitar essa premissa de natureza tão simples. A consciência deu ao Homem duas missões: a de se diferenciar na Natureza e de justificar sua própria existência através de suas ações. Tarefa difícil, essa de ser gente. Não é nada fácil explicar para si mesmo o sentido da vida e dar conta do recado de não ser mero participante da cadeia alimentar, entre o vegetal produtor e a bactéria decompositora.  </p>
<p style="text-align: justify;">Por isso os locais sagrados são importantes, porque eles nos conectam com aquilo que gostamos de chamar dimensão superior, de divino, ou simplesmente de Deus.  Na verdade, todos nós já temos essa dimensão divina no peito, mas sentimos que ela precisa ser plugada, de tempos em tempos, em uma tomada de energia divina externa a nós mesmos. Algo maior que o humano, que materializamos em forma de orações, cultos, ritos e locais sagrados.</p>
<p style="text-align: justify;">Os templos e outros tipos de locais sagrados são, na verdade, obras do homem, mas gostamos de atribuir à sua edificação uma ordem superior, e a seu local algum fato transcendental. Todas as religiões observam os locais de nascimento, de morte ou de pregação de seus profetas. Eles funcionam como portais para a dimensão superior que nos aguarda, e com a qual gostamos de nos conectar desde já com a finalidade de orientar nossa vida terrena.</p>
<p style="text-align: justify;">Portanto, locais sagrados são bons, úteis e necessários, e mesmo quem não curte a idéia da eternidade, não consegue se livrar da necessidade de paz interior. O que vai variar imensamente entre as pessoas é a qualidade desse local. Locais sagrados são, comumente, relacionados a locais de práticas religiosas, como igrejas e templos, mas essa ligação, ainda que comum, não é determinante nem definitiva. Em outras palavras, locais religiosos são sempre sagrados, mas locais sagrados não precisam ser necessariamente religiosos.   </p>
<p style="text-align: justify;">Que religião se professa em Stonehenge? Ora, nem sabemos se sua primeira utilidade foi ser um local de cultos. Pode ter sido um local de cura, de estudo ou de decisões políticas. A única coisa que sabemos é que se trata de um local que foi considerado especial ao longo de muito tempo. Pesquisas arqueológicas mostram que sua primeira edificação data de 3100 anos a.C., e que teve muitas outras épocas de reforma, reconstrução e modificação.</p>
<p style="text-align: justify;">E sabemos também que o nascer do sol no dia 21 de junho, o solstício de verão, cria, com a projeção de sua luz, uma avenida central no círculo de pedra. Essa observação dava ao homem a dimensão do tempo, lembrava a finitude da vida, marcava os ciclos de sua existência e o aproximava do divino. E, claro, poderia estar ligada apenas à marcação dos ciclos agrícolas. Transcendental ou pragmático, não importa, um local sagrado é sempre necessário. </p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Os locais sagrados são sempre locais de peregrinação e busca coletiva?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Local sagrado é aquele que nos conecta com uma dimensão maior do que a da prática cotidiana. Por isso os templos são também obras de arte, em que a arquitetura, a escultura e a pintura estão presentes, às vezes em doses espetaculares (basta entrar em uma igreja medieval), ou locais onde se pratica a música, seja o canto gregoriano ou pop evangélico moderno. A arte precisa estar presente porque ela é uma espécie de símbolo da possibilidade do Homem. O artista é o preposto de Deus tanto quanto o sacerdote. Mas, cuidado, pois há arte sagrada no cotidiano também, e só quem consegue perceber isso muda o patamar de sua vida prática. Nossos locais pessoais podem ser transformados em locais sagrados, e este foi o assunto que dominou a conversa com meu filho depois da visita a Stonehenge. Afinal – ponderamos – não é todo dia que se pode ir a um lugar como aquele para recarregar as baterias; então precisamos de outras fontes mais próximas. E elas existem, estão em nosso país, nossa cidade, em nosso bairro. Aliás, os locais sagrados são principalmente aqueles que nós mesmos construímos e neles colocamos nossa melhor parte.</p>
<p style="text-align: justify;">Minha casa é um local sagrado, bem como meu trabalho, o parque onde passeio, a livraria que gosto de freqüentar, a academia onde cuido da saúde. Locais sagrados são aqueles em que trabalhamos, estudamos, produzimos, conversamos, amamos. Se esses lugares não forem sagrados, dificilmente o serão os templos e os sítios históricos.</p>
<p style="text-align: justify;">Sagrada é a vida que vale a pena, que não compactua com o destrutivo, que não se contenta com o mínimo, que busca o excelente, que distribui compaixão, afeto livre, amor verdadeiro. Lugar sagrado é o próprio corpo, que merece cuidado; é a mente, que precisa do conhecimento; é a emoção, que precisa do belo. Lugar sagrado é o espaço ao nosso redor, que conquistamos com nossa própria energia, e que será tão maior quanto for nossa intensidade de viver. E Stonehenge é sagrado, sim, porque me ajudou a perceber tudo isso.</p>
<p style="text-align: left;"><strong><em>Texto publicado sob licença da revista Vida Simples, Editora Abril.</em></strong><strong><em><br />
</em></strong><strong><em>Todos os direitos reservados.</em></strong><strong><em><br />
</em></strong><strong><em>Visite o site da revista: </em></strong><strong><a href="http://www.revistavidasimples.com.br/" target="_blank"><em>www.revistavidasimples.com.br</em></a></strong></p>
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		<title>Dilemas morais</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Feb 2011 19:36:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Muitas vezes temos que enfrentar situações em que não sabemos como agir, já que envolvem valores que se conflitam. Mas será possível aprender a lidar com esses momentos de dúvida?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">- É claro que você pode. Mas você deveria se perguntar se você deve.</p>
<p style="text-align: justify;">Com essa afirmação questionadora, o professor Jorge respondeu à minha insolência. Eu havia perguntado, valendo-me de certa liberdade conquistada com o mestre, se eu poderia assinar a lista de presença por meu colega Ricardo, que estava ausente e andava meio pendurado em faltas.</p>
<p style="text-align: justify;">Estávamos no curso médico, e aquela era uma aula de laboratório, e meu amigo, como eu, lutava para estudar medicina, pois não vinha de uma família de recursos. Ainda que em uma universidade pública, o curso de medicina é caro, pois precisa de muitos livros e instrumentos, além de revistas e ocasionais cursos e congressos que se aconselha participar. Eu sabia que o Ricardo estava trabalhando, ou deveria estar.</p>
<p style="text-align: justify;">E sabia disso porque eu também era da turma que tinha que defender uns trocados para conseguir manter a rotina de um curso extremamente exigente, em presenças e estudo. Com nosso espírito transgressor não víamos nada de mais de um cobrir a falta do outro, assinando em seu nome na lista de presença de vez em quando. Eu não via nada de mal, até aquele dia.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando o professor Jorge aproximou e contrapôs os dois verbos – poder e dever – ele abriu a porta de um dilema moral que eu jamais havia enfrentado conscientemente. Descobri que há coisas que podemos fazer (basta ter a competência), o que não significa que devemos fazer – e, para decidir, temos que consultar nossa lista de valores pessoais, além da lista de nossas necessidades.</p>
<p style="text-align: justify;">A consciência de conduzir sua vida levando em consideração essas duas qualidades – o poder e o dever –, é um sinal da maioridade do homem. Em seu livro <em>O que é ilustração</em>, Immanuel Kant nos explica que há uma imensa quantidade de pessoas que parece que se esforçam para ficar na menoridade; o que, aliás, não tem nada a ver com a idade, e sim com a conduta. Um homem em estado de menoridade é aquele que transfere suas decisões e nega-se a assumir responsabilidade pelo que se faz a outro, um condutor, que define o que o menor pode e deve fazer. Ainda que ninguém esteja livre de receber a influência dos outros, os menores são os que dependem permanentemente dessa influência. E os menores não lidam bem com os dilemas morais da vida.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Então um dilema moral nos coloca diante de uma decisão existencial. Mas a escolha não estaria relacionada com a necessidade do momento? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Vejamos algumas estórias esclarecedoras. Primeira: Ignácio está passeando com sua namorada Claudia, por quem está perdidamente apaixonado. Eles estão no Rosedal de Buenos Aires, um maravilhoso parque localizado no badalado bairro de Palermo, onde se cultivam mais de mil diferentes espécies de rosas. De repente, Claudia insinua que adoraria ter uma daquelas só para si. Pode Ignácio, em um arroubo, arrancar uma, apenas uma daquelas milhares de rosas e oferecê-la a Claudia, que ele descobriu ser a mulher de sua vida, provando que seu amor não vê barreiras para se manifestar? É claro que ele pode sim, para isso basta ultrapassar a cerquinha meramente delimitadora que separa o passeio do jardim, abaixar-se e colher a rosa que lhe parecer mais bonita. Ignácio pode fazer isso, claro. É fácil e rápido.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas e a segunda questão?  Deve ele fazer tal travessura?  Se ele achar que sim, estará considerando que aquele jardim lhe pertence, é propriedade dele, portanto pode dispor dele como lhe parecer melhor. Só que o jardim não é do Ignácio; o jardim da rosas é público, pertence à cidade, é propriedade de todos os cidadãos e turistas que por lá passam todos os dias. Aquelas flores foram plantadas para embelezar a cidade, e não para facilitar a vida de um galanteador. Se cada pessoa que lá for decidir pegar uma rosa, adeus jardim. Ignácio pode, mas não deve.</p>
<p style="text-align: justify;">Segunda: o jovem Severino está procurando um emprego desde que chegou do Piauí. Ele veio atraído pela informação de que em  São Paulo está sobrando trabalho. Ele tem certeza de que vai se dar bem.Recém chegado, Severino é recebido por seus conterrâneos que vivem em uma espécie de república do Piauí, onde sempre cabe mais um, seguindo a lógica da generosidade nordestina. Só que ele seria bem-vindo apenas enquanto estivesse procurando emprego, depois teria que procurar outro lugar para morar, uma vez que já teria renda para pagar um aluguel. Seu dever era, a partir de segunda-feira, encontrar um trabalho. E ele era consciente de seu dever.</p>
<p style="text-align: justify;">Com o jornal na mão, bem cedo, foi atrás do sonhado emprego, que lhe daria vida digna a confortável. Mas os dias e as semanas se passaram e Severino percebeu que a vida na cidade grande era mais difícil do que imaginava. Havia, sim, empregos, mas sua parca qualificação não lhe abria as portas de nenhum deles. Severino era um analfabeto funcional. Ele devia arrumar um emprego, mas não podia. Sua permanência em São Paulo estava tremendamente ameaçada e ele se culpava por isso.</p>
<p style="text-align: justify;">Terceira: Maurílio é um escritor que tem como costume observar o comportamento das pessoas em ambientes públicos. Naquele dia estava no aeroporto de Congonhas esperando a chamada para embarque. Sentado bem à sua frente está um sujeito com cara de executivo preocupado. Ele fala ao celular enquanto remexe em papéis de uma pasta que equilibra no colo. É um jovem que aparentemente está iniciando uma carreira, e, como tal, anda sobrecarregado e um tanto estressado. Quando desliga o celular começa a reorganizar a pasta que havia se transformado em uma bagunça. De repente, olhou o painel eletrônico, saltou do banco e desatou a correr em direção às escadas rolantes que levam ao piso inferior. Seu embarque havia mudado de portão e já aparecia o aviso de última chamada. Seu impulso foi tal que não percebeu que sua carteira de identidade, que ele segurava em uma mão, e que atualmente precisa ser apresentada junto com o cartão de embarque, escorregou entre sua poltrona e a vizinha. Ele simplesmente não conseguiria embarcar sem ela. Adeus, importante reunião.</p>
<p style="text-align: justify;">Maurílio tentou avisá-lo, mas ele já estava longe. Sentiu então que devia fazer algo para ajudar aquele rapaz. Mas ele podia? Decidiu que sim, podia. Devia e podia. Só que para isso ele tinha que apanhar o documento e iniciar a mesma correria, procurando pelo jovem no piso inferior do setor de embarque de um aeroporto enlouquecido. Não seria fácil, mas ele resolveu tentar. E achou o jovem aspirante a CEO, que lhe olhou com espanto e o abraçou com gratidão. A decisão e o esforço valeram a pena.</p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><strong>Se os dilemas morais referem-se a essas duas variáveis, a busca da vida digna também está relacionada com a potência e o dever?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">De fato, nem tudo o que podemos fazer, devemos fazer, e às, vezes, o que devemos, não podemos. Na prática, ocorre uma espécie de jogo entre esses dois verbos. E há sim, uma disputa ética entre ambos. Ignácio podia, mas não devia, por isso não fez. Severino, coitado, devia, mas não podia, por isso não conseguiu fazer. Maurílio podia e devia, por isso fez.</p>
<p style="text-align: justify;">Repare que por trás dessas decisões há um terceiro componente: o querer. Kant também se debruçou sobre essa força. Disse ele que nós somos comandados por nossos desejos e nossas vontades, mas que há um terceiro no comando: o arbítrio. No fim é este que dá a palavra final. Ignácio teria colhido a flor se decidisse querer, Maurílio não teria se cansado pelos corredores do aeroporto se não quisesse. Já o querer de Severino ainda teria que passar por um período de estudo, preparação, qualificação. Ainda assim, tudo isso é profundamente dependente de seu querer.</p>
<p style="text-align: justify;">No caso da assinatura por meu amigo de faculdade, eu me vi nessa situação de descobrir o que queria fazer com o dilema que estava instalado. Se assinasse estaria enganando a faculdade, o professor e os outros colegas que lá estavam. Se não assinasse, não estaria protegendo um amigo que estava em dificuldades. O que era mais importante naquele momento? A ética ou a amizade?</p>
<p style="text-align: justify;">Pois é, a vida muitas vezes joga conosco colocando-nos nessas ciladas. É como se dois anjos brincalhões ficassem observando nosso comportamento e fazendo apostas sobre nossas reações.</p>
<p style="text-align: justify;">- Aposto uma nuvem que ele não assina, confio em seu caráter – diz um anjo.</p>
<p style="text-align: justify;">- Pois eu aposto minha harpa nova que ele vai assinar, conheço a fraqueza dos humanos – responde o outro.</p>
<p style="text-align: justify;">E assim eles vão nos colocando em ciladas, bloqueando o caminho que já conhecemos só para nos ver procurar outros, como se fossemos cobaias em um laboratório. Se você prestar atenção, verá que toda a construção de nossa vida depende da relação harmônica entre o poder e o dever. Na prática, o poder deve se subordinar ao dever, enquanto o dever depende do poder. Confuso? Talvez, mas a compreensão dessa equação semântica pode nos ajudar a evitar alguns mal entendidos com o mundo.</p>
<h4><em>Texto publicado sob licença da revista Vida Simples, Editora Abril.<br />
Todos os direitos reservados.<br />
Visite o site da revista: </em><a href="http://www.revistavidasimples.com.br/" target="_blank"><em>www.revistavidasimples.com.br</em></a></h4>
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		<title>Liderança em escala</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Nov 2010 20:59:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A primeira função de um gestor é formar outros bons líderes?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Liderar não é fazer. Liderar é fazer fazer. E, para isso, é necessário criar uma equipe, o que significa engajar, capacitar e, acima de tudo, inspirar. Sim, líderes devem inspirar pessoas, mas, à medida que a empresa cresce, essa função muda um pouco, pois não é mais suficiente inspirar quem faz.<br />
<strong>Agora é necessário inspirar quem inspira quem faz.</strong></p>
<p>Já se disse que a primeira responsabilidade de um líder é formar outros bons líderes. Há duas razões para justificar essa afirmação: a primeira é que o líder precisa ter a consciência de que ele não é eterno nem infalível. Cedo ou tarde, o gestor precisará ser substituído, temporária ou definitivamente. A segunda é que, desde Fayol (Henri Fayol, estudioso da teoria da administração), aprendemos que um líder não consegue liderar diretamente um grupo superior a 30 pessoas. Além desse número é preciso pensar em gestores ou chefes intermediários, capazes de replicar o comando e de manter o moral do grupo.</p>
<p>O exército é um bom exemplo. Entre o posto de marechal e o de soldado há 20 posições hierárquicas que formam a cadeia de comando. E não há, nesse caso, nenhuma intenção corporativista para favorecer amigos protegidos com cargos importantes. O que há é uma cadeia de lideranças que mantém a coluna vertebral de uma organização que tem de funcionar bem. Nas organizações, em função do crescimento e da globalização, os princípios da autonomia e da delegação viraram imperativos de eficácia. E isso exige um grande esforço de capacitação e uma comunicação eficiente. Caso contrário, não há chance de se criar o necessário ambiente de confiança.</p>
<p>Querer manter o controle sobre tudo o que acontece na companhia é o mesmo que condená-la a ficar pequena. Manter vários objetos no ar ao mesmo tempo é coisa de artista de circo. Nas organizações isso se faz em equipe, que, por definição, é um conjunto de pessoas que possuem habilidades complementares e sonham o mesmo sonho. A empresa é formada por várias equipes que obedecem à mesma lógica. Se isso for observado, não há limite para o crescimento nem para o sonho.</p>
<p>Texto publicado sob licença da revista Você s/a, Editora Abril.<br />
Todos os direitos reservados.<br />
Visite o site da revista: www.vocesa.com.br</p>
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		<title>A passagem do tempo</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Feb 2010 16:30:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O tempo passa e ficamos com a sensação de que nunca o aproveitamos como deveríamos. Existe uma maneira de conciliar a vida com o tempo, que a consome?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;">Os gregos, que encontravam explicação para tudo pelas forças emanadas pelo monte Olimpo, não se contentavam em ter um deus do tempo, tinham logo dois: Cronos e Kairós. Um só deus grego não seria suficiente para explicar a relação do homem com o tempo, tamanha a tensão que existe entre ambos.</p>
<p style="text-align: justify;">A única proeza em que o homem teve sucesso, a respeito do tempo, foi conseguir medi-lo. Para isso, analisou ciclos, como os movimentos da Lua e do Sol, observou seu efeito sobre a natureza e, então, padronizou os tempos do ano, das estações e dos dias, posteriormente divididos em frações, chamadas horas, minutos, segundos. Em sua arrogância, o humano acreditou que, ao medir o tempo, o controlaria. Doce ilusão. As medidas só serviram para aumentar a sensação da passagem veloz do tempo, que escorre pelas mãos, como a água.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas nem tudo está perdido. Nós, humanos, podemos ser apenas pobres mortais, mas temos uma ferramenta que nos permite controlar, se não o tempo, nossa própria existência. Essa ferramenta se chama consciência. E ela nos permite conviver com o tempo com base em três visões: da física, da metafísica e da ética. Do ponto de vista físico, o tempo pode ser medido. No âmbito da metafísica, o tempo pode ser sentido. E, de acordo com a ética, o tempo deve ser vivido.</p>
<p style="text-align: justify;">A física é a relação mais óbvia, e é com um instrumento físico que nós passamos a medir o tempo: o relógio. Contudo, ele apenas nos avisa que o tempo passa – o que faremos com essa informação é problema nosso. Do ponto de vista do que está além da física, o tempo é um sentimento, portanto ele tem duração variável, contrariando os relógios. Veja só: dois minutos de broca do dentista são mais longos do que 16 minutos escutando o Bolero de Ravel ao lado da pessoa amada.</p>
<p style="text-align: justify;">E, quanto à ética, ela nos alerta para um fato óbvio só para os mais conscientes: o tempo é um recurso escasso que não pode ser reposto, e sua qualidade dependerá do que fi- zermos com ele. Como disse Marcel Proust: “O amor é o espaço e o tempo tornados sensíveis ao coração”. E ele entendia do assunto, pois dedicou mais de uma década para escrever cerca de 4 mil páginas, que foram publicadas em sete volumes dedicados à relação humana com seus valores, entre eles o tempo. A essa obra completa, o escritor francês chamou <em>Em Busca do Tempo Perdido</em>. No último volume, O Tempo Reencontrado, o autor faz várias voltas ao passado e descobre que só a memória poderá se defrontar com o tempo e nossa paz interior será proporcional ao que a memória encontrar na volta ao passado, ou seja, a qualidade que demos ao tempo que nos foi dado viver.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #ff6600;">Podemos sentir o tempo e medi-lo. Então ele está à nossa disposição?</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;">O tempo está à nossa disposição, mas é ele que dispõe de nós, por isso, estabelecer com ele uma relação de paz é um ato de sabedoria. Sentir e medir o tempo são aparentados, pois ambos nos permitem perceber seu andar ininterrupto. Como? Bem, sentir e medir o passar das horas são iniciativas úteis, pois nos ajudam a decidir o que faremos com o tempo de que dispomos. Assim, nossa paz com o tempo será diretamente proporcional à paz que estabelecemos com nossas escolhas e nossas decisões. E essas são pessoais, relativas aos valores de cada um.</p>
<p style="text-align: justify;">O cientista inglês Stephen Hawking, que ocupa na Universidade de Cambridge a mesma cadeira que já foi de Newton, escreveu um livro chamado <em>Uma Breve História do Tempo</em>. Em dado momento, em meio a intrincados conceitos científicos, ele pondera que o tempo tem que ser analisado com base em três setas: a seta cosmológica, que explica a expansão do Universo, a seta termodinâmica, que explica a modificação constante das coisas, e a seta psicológica.</p>
<p style="text-align: justify;">Sim, o físico mais importante da atualidade não consegue analisar os fatos do tempo sem recorrer à psicologia. Os enigmas intrincados da matéria se relacionam com os mistérios do tempo desde sempre, mas, quando o homem passou a protagonizar essa peça no palco do Universo, seus pensamentos e sentimentos acrescentaram novos ingredientes ao roteiro, às vezes de comédia, às vezes de tragédia.</p>
<p style="text-align: justify;">A maior contribuição da física, nesse assunto, é a ideia da relatividade. As sofisticadas descobertas de Einstein sobre a velocidade da luz nos levaram a abandonar a ideia de tempo único e absoluto. Então: “O tempo se tornou um conceito mais pessoal, relativo ao observador que o está medindo”, diz Hawking. Nossa relação com o tempo se faz baseada em nossos valores, opções, decisões e culpas. É o tempo psicológico. Eu dedico mais tempo àquilo que tem mais valor para mim. O problema é conhecer seus valores.</p>
<p style="text-align: justify;">Voltando aos gregos, Cronos é o deus do tempo medido, por isso usamos expressões como cronograma, cronologia, cronômetro. Nos livros de mitologia, ele é representado como um deus malvado, que come seus próprios filhos, simbolizando o que o tempo faz conosco atualmente – parece que ele nos devora. Já Kairós é o deus do tempo vivido, das escolhas que fazemos, da maneira como nós aproveitamos a vida. Cronos é quantitativo, e Kairós é qualitativo.</p>
<p style="text-align: justify;">A primeira sensação é a de que Cronos é inimigo e Kairós amigo. O primeiro quer subjugar, e o segundo libertar. Mera sensação, pois, na prática, nós precisamos de ambos, uma vez que não podemos escolher a felicidade sem nos organizarmos para alcançá-la. Kairós nos estende a mão, Cronos nos empurra. Mas é necessário que saibamos o que queremos e que consigamos nos organizar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #ff6600;">A sabedoria consiste em estabelecer uma conexão entre os valores pessoais e a gestão do tempo disponível?</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;">A mitologia ilustra bem essa angústia humana. Zeus, o mais poderoso deus do Olimpo grego, era filho de Cronos, mas nenhum dos dois conhecia esse parentesco, mantido em segredo por Réa, mãe dos filhos de Cronos. Mas Zeus só assume a posição de poder quando enfrenta Cronos e o vence em uma batalha. Ele havia sido sabiamente aconselhado a não matar seu oponente, pois assim ele estaria matando o próprio tempo e ficaria, então, aprisionado no instante, sem futuro nem memória.</p>
<p style="text-align: justify;">A estratégia de Zeus foi vencer Cronos, cortando seus tendões e amarrando sua cabeça aos pés, criando um círculo com seu corpo. A partir de então, o deus do tempo passou a ser também o deus das ações repetitivas, como o dia e a noite e as estações do ano, eventos cíclicos.</p>
<p style="text-align: justify;">Na prática, Zeus conquistou Cronos e o dominou, administrou. Nossa vida moderna não difere disso. Todos temos 24 horas por dia à nossa disposição, mas estou certo de que você conhece pessoas que aproveitam bem essas horas, produzem, trabalham, estudam, se cuidam, se divertem, cultivam as relações. E também conhece outros, que se queixam da falta de tempo, da velocidade dos acontecimentos, da sensação de impermanência e da falta de controle. Na prática, o que acontece mesmo é exatamente a falta de controle, de ação da lógica na organização de suas prioridades. A agenda não escraviza – ao contrário, liberta, confere autonomia, possibilidades, alcances.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas gestão é a segunda palavra -chave. A primeira é escolha. Fazemos nossas escolhas com base em nossos valores e criamos uma estratégia para atingir nossos propósitos. Estratégias dependem de recursos, entre eles, o mais caro e raro: o tempo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #ff6600;">O ideal seria estabelecer uma relação lógica entre presente, passado e futuro?</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Muito se fala que a única coisa real é o presente, pois o passado não existe mais e o futuro ainda está por vir. Há uma lógica nessa observação, mas é uma lógica primitiva, pois esses tempos são totalmente interligados e interdependentes.</p>
<p style="text-align: justify;">É verdade que o presente é a única realidade prática, mas também é verdade que é nesse instante que se inserem o passado e o futuro. Na dimensão temporal atual, o passado recebe o nome de memória e o futuro tem vários pseudônimos, como sonho, desejo, medo e esperança.</p>
<p style="text-align: justify;">O futuro não é algo que vai existir. O futuro existe agora. Aliás, o futuro só existe no presente, pois, quando no futuro, o futuro virar presente, ele deixará de ser futuro. Parece óbvio, mas escapa da percepção cotidiana da maioria das pessoas. E escapa também o fato de que o futuro virará presente e, quando isso acontecer, ele será melhor ou pior, a depender das providências tomadas no presente, neste exato momento.</p>
<p style="text-align: justify;">Em outras palavras, só vivemos no presente, mas estamos fortemente conectados ao passado, que nos ensina, e ao futuro, que nos motiva. Viver é estar atado a essa tríade temporal, doce ou amarga, dependendo da consciência de cada um. Fazer as pazes com o tempo é a verdadeira sabedoria. Só que “a sabedoria não se transmite, é preciso que nós a descubramos fazendo uma caminhada que ninguém pode fazer em nosso lugar e que ninguém nos pode evitar, porque a sabedoria é uma maneira de ver as coisas”, também disse Proust.</p>
<p style="text-align: justify;">Sim, a sabedoria é uma maneira de ver as coisas, mas isso exige intenção, disposição e coragem. O problema é que desenvolvemos essas três qualidades em épocas diferentes de nossa vida, por isso a maturidade às vezes tarda, depende do tempo.</p>
<p style="text-align: justify;">O mesmo tempo que exige maturidade para ser bem escolhido e controlado, em outras palavras, para ser muito bem vivido.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Texto publicado sob licença da revista Vida Simples, Editora Abril.<br />
Todos os direitos reservados.<br />
Visite o site da revista: <a href="http://www.revistavidasimples.com.br/" target="_blank">www.revistavidasimples.com.br</a></em></p>
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		<title>A nova competência</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Feb 2010 13:17:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ética profissional é condição de empregabilidade]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Competência, que tanto buscamos, pode ser defi nida como a capacidade de entregar os resultados desejados com a menor utilização de recursos, incluindo, entre esses, o tempo. Possuir competência é a condição para competir, para manter-se no jogo dos negócios, vivo no mercado de trabalho.</p>
<p>Já diziam, enfáticos, nossos avós: “Quem não tem competência não se estabelece!”. Esse assunto ganhou status de método a partir dos estudos de David McClelland nos anos 70, e nas organizações adotou-se universalmente a fórmula do CHA (Conhecimento, Habilidade e Atitude), ou, como preferem alguns, Saber, Poder e Querer. Considerando que essa equação é um produto, se um dos três for nulo, o resultado fi nal será competência zero. Mas o tempo passa e os conceitos vão sendo aprimorados. Na competência 2.0 deste século, o CHA vira CHAVE. E a chave da competência ampliada é o acréscimo de duas letras, dois conceitos e duas preocupações.</p>
<p>O “V” representa Valores. Em uma sociedade que se diz digna, preocupada com o social e responsável com o futuro, não temos como não incluir uma lista de valores na análise da qualidade dos resultados alcançados. De que adianta produzir sem sustentabilidade, competir sem ética e conquistar sem moral? Assim como atualmente dizemos que só será líder aquele que liderar para o bem e só será competente aquele que produzir sem ferir a ética, o interesse de todos. Um profi ssional competente sem valores deixa de ser competente.</p>
<p>E o “E” da CHAVE signifi ca Entorno, o ambiente onde a competência encontra as condições para ser exercida. Esse é o único elemento que está mais fora do que dentro do indivíduo. O cirurgião não opera sem o centro cirúrgico, sem a anestesia e o bisturi. O executivo precisa da estratégia, dos recursos, da equipe.</p>
<p>Eis a grande responsabilidade das organizações: formar pessoas competentes e fornecer-lhes o cenário para que atuem. Essa visão ampliada de competência coloca ordem na casa do mundo moderno e abre espaço para a construção de um futuro em que os resultados não serão obtidos a qualquer custo. Só assim poderemos dizer aos nossos netos: “Quem não tem competência não se enobrece!”.</p>
<p><em>Texto publicado sob licença da revista Você s/a, Editora Abril.<br />
Todos os direitos reservados.<br />
Visite o site da revista: <a href="http://www.vocesa.com.br/" target="_blank">www.vocesa.com.br</a></em></p>
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		<title>A organização democrática</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Feb 2010 13:32:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[democracia]]></category>
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		<description><![CDATA[São os líderes que constroem o modelo de gestão e a filosofia cultural para orientar o funcionamento da companhia]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“A democracia é a pior forma de governo, exceto todas as outras já experimentadas.” Esta frase é atribuída a Winston Churchill, primeiro-ministro do Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial, que entendia do assunto, pois defendia a democracia, pertencia a uma monarquia e tinha lá seus arroubos autoritários. Mas será que o conceito de democracia pode ser aplicado às empresas?</p>
<p>Sim, e com vantagens. Democracia não é só um sistema de governo, é uma ideia de arranjo social que surgiu na Grécia, na qual as pessoas participam da organização de suas vidas e da construção de seu futuro, tanto o individual quanto o coletivo. O principal benefício dela é o comprometimento das pessoas. Uma empresa democrática não é aquela em que todos têm direito ao voto, mas é uma empresa onde todos têm voz, podem opinar e discordar. O que não podem é contrariar a missão da empresa, caso contrário seria melhor não pertencer a ela. Uma companhia que opera com os princípios da democracia comporta-se de acordo com os valores que ela defende, ou seja, a transparência, o diálogo, o respeito e a responsabilidade. Não há medo do castigo à sua desobediência, mas respeito à instituição. Uma empresa democrática não tem chefes, tem líderes capazes de obter o comprometimento das pessoas por meio da visão de futuro e do exemplo de seu comportamento.</p>
<p>Líderes que praticam a comunicação de mão dupla deixam claro o que estão pensando e são capazes de ouvir. “Uma empresa democrática tem um alinhamento perfeito entre a cultura da democracia e a maneira como seus líderes se comportam”, diz Traci Fantom, a fundadora da WorldBlu, organização americana que ajuda as organizações a implantar os conceitos da democracia à sua gestão.</p>
<p>No fim, são os líderes que constroem o modelo de gestão e a filosofia cultural para orientar o funcionamento da companhia. E também são eles que podem fortalecer ou deturpar as ideias centrais da organização. Sempre é bom lembrar Aristóteles, que dizia que a monarquia, a aristocracia e a democracia são ótimas formas de governo, mas que, nas mãos de líderes despreparados, degeneram e dão origem à tirania, à oligarquia e à anarquia.</p>
<p><em>Texto publicado sob licença da revista Você s/a, Editora Abril.<br />
Todos os direitos reservados.<br />
Visite o site da revista: <a href="http://www.vocesa.com.br/" target="_blank">www.vocesa.com.br</a></em></p>
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