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	<title>Sapiens Sapiens &#187; responsabilidade</title>
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		<title>Infância Perdida</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Apr 2011 13:42:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[As crianças, por estarem em fase de formação, precisam ser ensinadas a lidar com limites. Mas como disciplinar sua energia natural sem comprometer a beleza da liberdade da infância?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Calvin: “Eu sou apenas uma criança e quero fazer só o que me dá na telha. Por que eu tenho que aprender a ser responsável?”</p>
<p style="text-align: justify;">Susie Derkins: “Porque você não será uma criança para sempre. A infância é curta, a maturidade é eterna”.</p>
<p style="text-align: justify;">Calvin: “Eu sei, o mundo é injusto. Mas eu pergunto: ele não poderia ser injusto a meu favor?”</p>
<p style="text-align: justify;">Esse diálogo saboroso é marca registrada da obra do cartunista americano Bill Watterson, reproduzida diariamente em jornais no mundo inteiro. Conheço gente que começa a leitura do periódico pela tira do Calvin, o garoto de 6 anos que é o representante oficial do lado transgressor das crianças e, de certo modo, de todos nós.</p>
<p style="text-align: justify;">Ele está apenas tentando entender o mundo ao qual mal acabou de chegar, mas já está fazendo um esforço para mudá-lo, de acordo com suas ideias e seus princípios. Calvin convive com pessoas que ele considera totalmente equivocadas: seus desesperados pais, a paciente professora Miss Wormwood e a pobre babá Rosalyn, que passam maus bocados para conter a energia transgressora do moleque.</p>
<p style="text-align: justify;">O único que o compreende é o tigre Haroldo, seu grande companheiro, que. E há a Susie Derkins, a garota que é o oposto do Calvin: ponderada, estudiosa, disciplinada. Ela é, ao mesmo tempo, antípoda e alter ego de nosso herói, pois representa tudo o que ele abomina e, ao mesmo tempo, o que ele sente &#8211; mesmo a contragosto. Susie é respeitada e admirada, mas, claro, é uma chata.</p>
<p style="text-align: justify;">Calvin e Susie simbolizam a dualidade na educação das crianças. Se, por um lado, apreciamos a infantilidade natural, a espontaneidade livre dos pequenos, por outro tentamos colocar-lhe limites, educá-los para que convivam em harmonia em um mundo cheio de regras e exigências. É provável que encontrar o equilíbrio entre essas duas verdades seja o maior, e mais necessário, desafio para quem se dedica a educar pimpolhos.</p>
<p style="text-align: justify;">Aos pequenos, “Raízes e asas”, como sugeriu Kant. Estava certo, o disciplinadíssimo filósofo alemão. As raízes nos prendem à essência, ao imutável, ao eterno, e nos dão a segurança de ter com quem contar e para onde voltar se nada der certo. As asas permitem o vôo da vida, a descoberta e a construção de infinitas possibilidades. Ter asas significa viver a própria vida e construir seu próprio futuro. Todas as mães sabem disso, mas bem que gostariam que as raízes fossem mais fortes que as asas.   </p>
<p style="text-align: justify;">“Voar não é só com os pássaros, nós também voamos”, escreveu Moacyr Scliar em um dos seu últimos textos, “A síndrome do ninho vazio”. Mas voar exige competência para tal, e é disso que falamos quando mandamos nosso pequeno para seu primeiro dia de escola, alegre e assustado ao mesmo tempo. E lá ficamos nós, com o coração a mil, olhando nosso filho desaparecer nos corredores, dando a mão à sua primeira professora, que vai ajudar a conduzi-lo à liberdade ao mesmo tempo desejada e temida.     </p>
<p style="text-align: justify;"> <strong>Algumas crianças estão sendo transformadas em adultos, com compromissos e responsabilidades. Será que isso é bom?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O termo “executivo” tem sido mais empregado para representar o funcionário de uma empresa que desempenha o papel de um provedor de realizações. Os bons executivos são disciplinados, organizados, planejadores, focados, visionários e, não menos importantes, são capazes de influenciar outras pessoas, assumindo, nesse caso, o papel de líderes. E, acredite, o mercado de trabalho tem faro fino para identificar o perfil executivo de um candidato a emprego. E faz uso dele.</p>
<p style="text-align: justify;">Sempre foi assim, e a tendência é que seja ainda mais no futuro. Se você for, também, um executivo, terá mais probabilidade de ter sucesso profissional e também pessoal. Por isso não há nada de mal em ensinar às crianças algumas habilidades executivas, aquelas que tornam a vida mais prática e produtiva. São músculos para suas asinhas, que vão crescer de qualquer maneira, e se crescerem mais fortes, tanto melhor, maior será o alcance do vôo.</p>
<p style="text-align: justify;">Recentemente ganhei de minha amiga Sara Hughes, fundadora da escola FourC na cidade de Bauru, um livro muito instigante. Seu título, em inglês, é Smart but Scattered, que poderia ser traduzido para algo como Esperto, mas Avoado. Seus autores, Peg Dawson e Richard Guare são psicólogos do Centro de Estudos sobre Aprendizado e Disturbios de Atenção de New Hampshire. E sua proposta é simples: educar é muito mais do que passar conhecimentos estandardizados, educar é preparar para a vida.</p>
<p style="text-align: justify;">E preparar uma criança para a vida significa dar-lhe condições de relacionar-se com as exigências de um mundo complexo e exigente. “Não há nada mais frustrante do que observar seu filho ou sua filha, que tem tanto para oferecer, debatendo-se com as tarefas e exigências corriqueiras do dia a dia”, ponderam, logo na abertura do livro. De fato, as tarefas rotineiras, como lidar com dinheiro, organizar compromissos, manter a pontualidade, assumir responsabilidades a seu alcance, deveriam ser encaradas de maneira natural, sem assombro nem estresse.  </p>
<p style="text-align: justify;">Os autores desenrolam o texto a partir de sua experiência e de suas pesquisas, mostrando que as crianças que desenvolvem habilidades práticas constroem um mundo circundante mais organizado e também mais feliz. Organização, planejamento e controle não são exclusividade de empresas. Ao contrário, empresas puderam surgir graças a essas qualidades humanas, que podem, e devem, ser aplicadas em todos os lugares a qualquer momento.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, não podemos esquecer, habilidade não são inatas, são aprendidas. E quem nos ensina é o ambiente onde estamos inseridos, sendo a escola, apenas parte dele. A família é o primeiro e mais determinante provedor de habilidades, pois o que se aprende em casa vem acompanhado de afeto e significado, mais do que na escola. </p>
<p style="text-align: justify;">Ser inteligente não é suficiente, é necessário usar a inteligência para produzir benefício. Aliás, a inteligência é reconhecida exatamente pelo seu uso, e não por sua simples existência. Você certamente conhece alguém considerado inteligente por sua memória, seu conhecimento ou por sua capacidade lógica que, apesar disso, coleciona uma série de insucessos e erros cometidos em sua vida prática. Alto QI é como argila de boa qualidade, precisa ser trabalhada para se transformar em obra de arte, senão continua sendo apenas isso, argila de boa qualidade. Inteligência é energia potencial. Habilidade é energia cinética.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Mas as crianças não perdem a chance de serem apenas crianças quando ganham responsabilidades?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A inteligência, tal como habilidade, precisa ser moldada, incentivada e até disciplinada. A disciplina, ao contrário do que se pensa, não aprisiona, antes é um instrumento de libertação. Ela nos ajuda a organizar, justamente em tempos em que temos tantas coisas a fazer. Não é dela a culpa da sobrecarga. Esta vem do exagero, da volúpia por realizar, da ambição desmedida.</p>
<p style="text-align: justify;">Se bem usada, a disciplina nos permite realizar mais, sim, mas também nos permite ter mais tempo para o prazer puro e simples, como o de brincar simplesmente, sem vincular a brincadeira a nada além da alegria. O que é ser “simplesmente criança” senão ser livre para brincar sem responsabilidade nem conseqüência? Nesse sentido, insisto, eu quero ser criança para sempre. Quero ser livre para voar com minha imaginação para além dos horizontes pré- definidos pelo modelo mental cristalizado das gerações que me antecederam. Quero dar-me o direito de errar e de ser feliz. É o mesmo que qualquer criança quer, sem saber que quer.</p>
<p style="text-align: justify;">Trata-se, reconheço, de uma grande ambição. É por isso que temos que nos organizar, planejar e controlar o espaço em que nos foi dado viver. É melhor atender logo às demandas naturais da vida, aquelas que nos infernizam porque as protelamos, e as protelamos porque não são agradáveis. E isso é aprendizado, treino, condicionamento.</p>
<p style="text-align: justify;">A vida se torna melhor quando enfrentamos as dificuldades naturais com armas mais adequadas, e estas são as chamadas habilidades executivas. Uma criança não deixará de ser apenas uma criança porque aprende noções de tempo, responsabilidade e execução. Ao contrário, isso fará com que ela consiga se livrar cada vez mais rápido de suas responsabilidades crescentes e tenha, assim, mais tempo para ser simplesmente criança.</p>
<p><strong><em>Texto publicado sob licença da revista Vida Simples, Editora Abril.</em></strong><strong><em><br />
</em></strong><strong><em>Todos os direitos reservados.</em></strong><strong><em><br />
</em></strong><strong><em>Visite o site da revista: </em></strong><strong><a href="http://www.revistavidasimples.com.br/" target="_blank"><em>www.revistavidasimples.com.br</em></a></strong></p>
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		<title>Hora certa para ter filhos</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Feb 2010 02:27:12 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Há como saber qual é o momento mais apropriado de ter filhos? O que é preciso levar em conta para tomar essa decisão com responsabilidade]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Essa é uma grande questão da pós-modernidade. Hoje em dia, vivemos mais tempo e melhor, temos a ciência, a informação e o conhecimento a nosso favor. Há liberdade na maior parte do mundo. Em compensação, surgiu um fato novo para o qual não estávamos preparados: temos que fazer muitas escolhas, e isso nos angustia. Ter filhos, por exemplo, antes era destino, agora é escolha.</p>
<p>Veja a Natália e o Eduardo, um casal típico da atualidade. São belos, cultos, profissionais, se dão muito bem, têm amigos, praticam esportes, viajam bastante, moram em um lindo apartamento recheado de conforto, arte e tecnologia. Têm um negócio próprio, trabalham juntos porque suas competências são complementares e são muito admirados por isso. Não dá para dizer que falte alguma coisa para esse casal. Mas falta. Eles não têm filhos.</p>
<p>Enquanto estavam ocupados construindo a vida que têm, a questão filhos não estava na pauta, até que o assunto começou a ganhar relevância. Como não sabiam como lidar com ele, fizeram o que os casais pós-modernos fazem: terapia. Mas, claro, a terapeuta não disse o que eles deveriam fazer, só os ajudou a pensar, a considerar todas as variáveis, as perdas e os ganhos.</p>
<p>Natália já vai fazer 35 anos e sabe que está chegando ao limite da idade ideal para ser mãe – do ponto de vista biológico. A natureza é cruel. O homem pode procriar sem problema até depois dos 70, a mulher mal passa da metade disso. A natureza tem lá suas explicações, mas não convence muito os pós-modernos, que se acostumaram a mantê-la sob controle e nesse assunto sentem-se meio impotentes. Para piorar, o Eduardo, que é mais velho, apesar de não aparentar, já tem filhos de uma relação anterior. Ele está, digamos, realizado nessa área, mas, como ele ama Natália, considera ter um filho com ela, até para dar continuidade ao amor deles. Ambos têm consciência de que a vida deles vai sofrer uma mudança radical, mas a hora da decisão chegou, não dá mais para esperar.</p>
<p>Então como decidir com propriedade se este é o melhor momento?</p>
<p>A decisão de ter um filho obedece aos princípios clássicos da tomada de decisões. Quanto mais variáveis forem consideradas, maior a chance de a decisão ser acertada. Nesse caso, há três áreas que devem ser consultadas: a idade reprodutiva, a estabilidade da relação e o equilíbrio profissional e financeiro. Em síntese, dessa decisão tão importante participam os três elementos que constroem nosso ser: a biologia, a emoção e a razão.</p>
<p>Quanto à biologia, sabemos que a mulher tem uma idade reprodutiva ideal, que vai dos 18 aos 35 anos, com alguma variação de mulher para mulher. Antes ou após essa faixa aumentam os casos de infertilidade e de distúrbios genéticos. Ainda que haja inúmeros casos de mulheres que se tornaram mães após os 40, tiveram gravidez tranquila e filhos saudáveis, os especialistas recomendam engravidar antes, para ter a estatística a seu favor.</p>
<p>No que diz respeito ao lado emocional, é necessário dizer uma coisa dura: provavelmente, o maior dos erros que um casal pode cometer é o de achar que um filho vai trazer felicidade. O certo é trazer um filho para compartilhar a felicidade que já se tem. Até porque seria muito cruel e egoísta dar essa responsabilidade para o pequeno ser.</p>
<p>Concordo que um filho dá a sensação de plenitude, de continuidade, de imortalidade. Mas é necessário que ele encontre um mundo pronto para recebê- lo, estruturado o suficiente para lhe dar a chance de crescer de modo saudável. E disso faz parte uma estrutura emocional equilibrada. O melhor que um pai pode fazer por seu filho é amar a mãe dele. Crescer em um ambiente de amorosidade, em que a paz é parte da família, com pais que conversam e trocam carinhos, em que o beijo é democrático e a preocupação de um com o outro é genuína, acredite, é o melhor substrato para a construção de uma personalidade estruturada.</p>
<p>Quanto à lógica, esta se refere ao lado prático da vida. Um filho dá despesa, exige espaço, tempo, atenção. A questão financeira talvez seja a mais relevante, há muitos estudos sobre o assunto. Um dos últimos mostra que, quanto mais os pais ganham, mais gastam, e que o investimento em um filho até que ele complete a faculdade pode chegar à casa de 1,5 milhão de reais. Não pensar no aspecto financeiro seria irresponsável, pois seu filho precisa frequentar locais que colaborem com seu desenvolvimento, estudar línguas, viajar, praticar esportes, ter saúde, acesso a livros, comprar roupas. A lista não tem fim.</p>
<p>Planejamento familiar pode parecer diferente de outros planejamentos porque tem um fortíssimo componente emocional. Sim, tem amor envolvido na questão, mas continua sendo um planejamento.</p>
<p>Apesar do trabalho e da despesa, um filho é motivo de felicidade para o casal</p>
<p>Sem dúvida é a maior felicidade que se pode experimentar, mas estamos diante de duas questões bem diferentes: a maternidade e a tomada de decisões. São dois assuntos que pertencem, em parte, a áreas diferentes da mente humana. A maternidade é uma força própria da condição de ser mulher, e a ela concorrem o instinto e a emoção, com a mesma força. O instinto da perpetuação, com o qual não dá para discutir. E a emoção de ser mãe, de amar da forma mais intensa possível, de se sentir amada, de ver nos olhinhos do filho o verdadeiro sentido da vida. A maternidade está, sim, entre as maravilhas de uma existência. Trata-se de uma experiência que nem sequer pode ser explicada, só pode ser vivenciada.</p>
<p>Como pai que foi meio mãe, posso afirmar que vale a pena experimentar a sensação de gerar, de sentir o sabor da continuidade, da perpetuidade; de participar, através de um ato extremamente amoroso, do enriquecimento deste mundo. A emoção é imensa, sem dúvida. Ter um filho, vê-lo crescer, sorrir, aprender, errar, dar os primeiros passos em direção ao controle de sua vida. Eu experimentei tudo isso e posso afirmar que meus filhos me tornaram melhor. Ensinaram-me mais do que aprenderam de mim. Deram significado a meu trabalho, aos cuidados com minha saúde e até ao amor que sentia pela mãe deles. Sim, é maravilhoso ter um filho, mas&#8230;</p>
<p>Mas há a decisão, e esta pertence ao círculo da lógica, ainda que faça parte das funções dela consultar as emoções, sem as quais as decisões se tornariam frias e estéreis. Decidimos o tempo todo, em praticamente todas as nossas atividades, e é possível que seja exatamente nessa obrigação diária que se esconda a grande causa da ansiedade humana. Sim, pois a escolha pressupõe, em geral, várias renúncias, o que nos leva a crer que a escolha nos dá menos do que o que perdemos, e isso gera um desconforto interno chamado ansiedade.</p>
<p>Começamos o dia fazendo escolhas, e continuamos assim pela vida afora. Decisões, decisões. Ansiedade constante. Pense um pouco: se decidir qual sapato comprar já causa uma revoada de borboletas no estômago, imagine o borboletário ao ter que decidir se está, ou não, na hora de ter um filho. Trata-se de uma decisão que irá mudar sua vida, não duvide disso. Aquele pequeno ser assume o comando de tudo à sua volta. Os horários da casa, a estrutura do quarto, os móveis da sala, tudo passa a girar em torno das necessidades e dos desejos do pequeno.</p>
<p>Não que ele não faça sua parte. Quando resolve brincar às 4 da manhã, tira você da cama de mau humor, mas este se desvanece na primeira risadinha que faz aparecer aquelas covinhas na bochecha. Ele tem tudo sob controle. Suas armas são a alegria, o riso, os pequenos movimentos, a descoberta de que tem mãozinhas, o aperto que dá em seu polegar demonstrando dependência e confiança.</p>
<p>Não basta o desejo de ter filhos? O que mais é preciso? É maravilhoso ter um filho, e será tão mais quanto mais agregar valor a nossa vida. A questão é que ele também tira algo, pois é um sugador insaciável de atenção, cuidados, tempo, dinheiro. Há um preço a pagar, e temos que estar preparados para isso. Se assim não for, a maravilha da maternidade, ou da paternidade, perde pontos para a aridez da vida prática. Duas publicações recentes me disseram muito a respeito deste tema.</p>
<p>A psicóloga Vera Maluf, que apoia casais que enfrentam alguma dificuldade nessa área, publicou o livro Fertilidade &amp; Maternidade – O Desejo de um Filho (Atheneu), no qual aborda, principalmente, as possibilidades da reprodução assistida e suas consequências psicológicas. No capítulo chamado “O desejo em nossas vidas”, ela diz que o desejo de ter um filho não é tudo, que precisamos também ter vontade. E explica: “O desejo é dado pela psique, libido, biologia – é um fato natural. A vontade é construída pela consciência, disciplina, interação – é um fato social. Educação é a arte de construir vontades”. Uma visão cristalina.</p>
<p>E o psiquiatra Içami Tiba acaba de acrescentar mais uma publicação a sua lista de livros dedicados às questões familiares e educacionais, Família de Alta Performance – Conceitos Contemporâneos na Educação (Integrare). Nele encontrei uma pequena frase em forma de agradecimento feito por um filho: “Agradeço a meus pais pela ‘predisposição genética’ a ser feliz. E a Deus por ter sido tão ‘mimado’ por Ele”. Que bom se todos os filhos se sentissem estimulados a fazer esse agradecimento. Ele tem um profundo significado: esse filho foi bem esperado e bem recebido, e teve todas as oportunidades da vida. Os pais estavam prontos para recebê-lo e ele respondeu ao amor de ter sido criado com o brilho de existir em plenitude.</p>
<p><em>Texto publicado sob licença da revista Vida Simples, Editora Abril.<br />
Todos os direitos reservados.<br />
Visite o site da revista: <a href="http://www.revistavidasimples.com.br/" target="_blank">www.revistavidasimples.com.br</a></em></p>
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		<title>Assuma a sua reponsabilidade</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Feb 2010 13:34:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A empresa tem de funcionar bem, com responsabilidades divididas entre os níveis hierárquicos, mas com o exercício permanente da colaboração entre eles.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando eu reclamei para o garçom que o filé que eu havia pedido ao ponto tinha vindo tão estorricado que me lembrou a cena do filme Em Busca do Ouro, em que Charles Chaplin come a sola de uma bota velha, ele me respondeu candidamente:</p>
<p>— É que a casa está sem chefe de cozinha. Disse isso e foi atender ao aceno de um cliente de outra mesa, deixando-me sem saber se me conformava com a situação, se me levantava e ia embora ou se provocava uma cena de indignação. Chamei o maître, que se limitou a dar sua versão:</p>
<p>— Eu já falei para o gerente que os fregueses estão reclamando, mas ele ainda não fez nada.</p>
<p>Pasmo, limitei-me a pedir a conta. O filé não comido estava sendo cobrado. Indignado, pedi para falar com o gerente, que disse:</p>
<p>— Desculpe senhor, mas o dono do restaurante é uma pessoa muito ocupada e eu ainda não consegui falar com ele sobre a contratação de um novo chefe de cozinha.</p>
<p>Não pude acreditar no que estava ouvindo. O que mais me causou espanto foi a imensa cascata de transferência de responsabilidade. Comportamento semelhante ocorre em grandes empresas — instituições financeiras, prestadoras de serviços, órgãos públicos. A culpa — “desculpe senhor” — é sempre de outro. É oportuno lembrar que, quando Max Weber disse que uma empresa é uma burocracia, ele não estava se referindo a uma organização com escalões estanques não corresponsáveis, e sim a um sistema de normas que existem para facilitar sua operação.</p>
<p>E a norma principal é que a empresa tem de funcionar bem, com responsabilidades divididas entre os níveis hierárquicos, mas com o exercício permanente da colaboração entre eles. A transferência de responsabilidade é, provavelmente, o maior sinal da falência funcional. É o começo da temporada de caça às bruxas, que só acaba quando começa outra, a temporada da procura de um novo emprego porque a firma faliu. Aliás, outro dia notei que, no lugar do restaurante, agora há um pet shop.</p>
<p><em>Texto publicado sob licença da revista Você s/a, Editora Abril.<br />
Todos os direitos reservados.<br />
Visite o site da revista: <a href="http://www.vocesa.com.br/" target="_blank">www.vocesa.com.br</a></em></p>
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