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	<title>Sapiens Sapiens &#187; gestão</title>
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		<title>O Rebelde</title>
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		<pubDate>Mon, 23 May 2011 18:07:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Revista Você S/A]]></category>
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		<description><![CDATA[Dica para preservar a produtividade: mantenha o cérebro satisfeito.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O cérebro é o órgão mais rebelde do corpo. Com muita freqüência ele sai do controle e faz só o que quer, o danado. Ou você nunca se flagrou pensando em futebol durante uma aula de matemática? Ou nunca “viajou” para a praia durante uma reunião de trabalho chata? Recentemente um amigo me disse que simplesmente não conseguia parar de pensar na nova vizinha que o tinha cumprimentado com um sorriso “esplendoroso” no elevador. Coisas de um cérebro apaixonado.</p>
<p style="text-align: justify;">Pois é, o cérebro segue seus próprios caminhos, não é como a mão, que obedece nosso comando, ou a coluna, que podemos endireitar quando percebemos que nossa postura está errada. Mas – notícia boa – há um jeito de enganar o cérebro e mantê-lo sob controle. É só fazer o seguinte: dê a ele as três coisas que o mantêm ocupado porque é o que ele gosta de fazer. E o que são essas coisas?</p>
<p style="text-align: justify;">Simples, ele gosta de se sentir útil, produzindo algo, adora aprender coisas novas e, claro, tem especial atração pelas diversas formas de prazer. Portanto, o cérebro estará em paz, sem rebeldias constrangedoras, quando estivermos trabalhando em algo que nos dá a oportunidade de aprender e sentirmos prazer em fazer o que fazemos.</p>
<p style="text-align: justify;">Antigamente essas três necessidades eram atendidas em locais diferentes. Para trabalhar tínhamos o emprego, para aprender íamos à escola e para ter prazer cada um inventava seu jeito, mas com certeza não era nem na empresa nem na escola. Por isso o cérebro vivia furioso e as pessoas eram infelizes. E ainda são, muitas vezes, quando o trabalho é maçante, sem sentido, não agrega valor e, ainda por cima, não é prazeroso porque o ambiente é tenso e as pessoas não confiam umas nas outras.</p>
<p style="text-align: justify;">Atualmente existem a psicologia e a sociologia do trabalho para apoiar a gestão, e o conselho principal, para que a produtividade atinja os níveis desejados, é: mantenha o cérebro satisfeito. Dê a ele a oportunidade de aprender e, acima de tudo, gere situações de prazer, criando um bom ambiente físico e humano. Satisfeito, o cérebro dá o melhor de si, se mantém focado e, o que é mais importante, dá ao seu dono a sensação de felicidade.</p>
<p><em>Texto publicado sob licença da revista Você s/a, Editora Abril.<br />
Todos os direitos reservados.<br />
Visite o site da revista: www.vocesa.com.br</em></p>
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		<title>Quem quer faz</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Mar 2011 18:40:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Revista Você S/A]]></category>
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		<description><![CDATA[A gestão por confiança é mais eficiente do que a por controle?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O diretor de RH examinou os resultados da avaliação 360 graus com alguma preocupação. Em um departamento, os adjetivos utilizados pelos funcionários para descrever o gerente foram vários, mas todos tinham uma coisa em comum: ele era centralizador. Então fez o que lhe cabe, chamou o gerente para uma conversa:</p>
<p style="text-align: justify;">- A avaliação que seus funcionários fazem de seu estilo de liderança é que você não delega, por isso acumula muitas responsabilidades, o que prejudica o desempenho de seu departamento. Você concorda com eles?</p>
<p style="text-align: justify;">- Eu não sou um centralizador, apenas utilizo em ensinamento de meu avô, que era um homem sábio.</p>
<p style="text-align: justify;">- Ah é? E que ensinamento é esse?</p>
<p style="text-align: justify;">- Quem quer faz, quem não quer manda.</p>
<p style="text-align: justify;">OK, ditados populares são interessantes, engraçados e muitas vezes representam uma verdade, mas devem ser utilizados com reserva, pois eles traduzem a cultura da época em que foram criados. Quando o avô de nosso gerente estava na ativa não havia os conhecimentos de gestão de que dispomos hoje. Se o gerente fizer uma pesquisa, vai descobrir, por exemplo, que, em se tratando de gestão de pessoas, há dois caminhos: gestão por confiança ou gestão por controle. E vai descobrir que a gestão por confiança é muito mais eficiente, instala um bom clima organizacional, eleva o moral do time e melhora o padrão dos resultados.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar disso, muitos gerentes optam por manter suas equipes sob seu controle. Por quê? Ora, porque criar um clima de confiança exige mais conversa mais investimento de tempo em seleção e capacitação. Ou seja, dá mais trabalho. É mais fácil mandar, cobrar e apontar culpados.</p>
<p style="text-align: justify;">- Que bom que você teve um avô sábio – ponderou o diretor – mas eu vou atualizar o ditado, afinal, você sabe, o mundo evoluiu.</p>
<p style="text-align: justify;">- Claro – disse o gerente – estou disposto a aprender.</p>
<p style="text-align: justify;">- Quem quer faz, quem quer mais aprende a delegar.</p>
<p style="text-align: justify;">E mais não disse, apenas colocou o nome do gerente na lista de reciclagem em gestão de pessoas.</p>
<p><em>Texto publicado sob licença da revista Você s/a, Editora Abril.<br />
Todos os direitos reservados.<br />
Visite o site da revista: www.vocesa.com.br</em></p>
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		<title>A passagem do tempo</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Feb 2010 16:30:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Revista Vida Simples]]></category>
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		<description><![CDATA[O tempo passa e ficamos com a sensação de que nunca o aproveitamos como deveríamos. Existe uma maneira de conciliar a vida com o tempo, que a consome?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;">Os gregos, que encontravam explicação para tudo pelas forças emanadas pelo monte Olimpo, não se contentavam em ter um deus do tempo, tinham logo dois: Cronos e Kairós. Um só deus grego não seria suficiente para explicar a relação do homem com o tempo, tamanha a tensão que existe entre ambos.</p>
<p style="text-align: justify;">A única proeza em que o homem teve sucesso, a respeito do tempo, foi conseguir medi-lo. Para isso, analisou ciclos, como os movimentos da Lua e do Sol, observou seu efeito sobre a natureza e, então, padronizou os tempos do ano, das estações e dos dias, posteriormente divididos em frações, chamadas horas, minutos, segundos. Em sua arrogância, o humano acreditou que, ao medir o tempo, o controlaria. Doce ilusão. As medidas só serviram para aumentar a sensação da passagem veloz do tempo, que escorre pelas mãos, como a água.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas nem tudo está perdido. Nós, humanos, podemos ser apenas pobres mortais, mas temos uma ferramenta que nos permite controlar, se não o tempo, nossa própria existência. Essa ferramenta se chama consciência. E ela nos permite conviver com o tempo com base em três visões: da física, da metafísica e da ética. Do ponto de vista físico, o tempo pode ser medido. No âmbito da metafísica, o tempo pode ser sentido. E, de acordo com a ética, o tempo deve ser vivido.</p>
<p style="text-align: justify;">A física é a relação mais óbvia, e é com um instrumento físico que nós passamos a medir o tempo: o relógio. Contudo, ele apenas nos avisa que o tempo passa – o que faremos com essa informação é problema nosso. Do ponto de vista do que está além da física, o tempo é um sentimento, portanto ele tem duração variável, contrariando os relógios. Veja só: dois minutos de broca do dentista são mais longos do que 16 minutos escutando o Bolero de Ravel ao lado da pessoa amada.</p>
<p style="text-align: justify;">E, quanto à ética, ela nos alerta para um fato óbvio só para os mais conscientes: o tempo é um recurso escasso que não pode ser reposto, e sua qualidade dependerá do que fi- zermos com ele. Como disse Marcel Proust: “O amor é o espaço e o tempo tornados sensíveis ao coração”. E ele entendia do assunto, pois dedicou mais de uma década para escrever cerca de 4 mil páginas, que foram publicadas em sete volumes dedicados à relação humana com seus valores, entre eles o tempo. A essa obra completa, o escritor francês chamou <em>Em Busca do Tempo Perdido</em>. No último volume, O Tempo Reencontrado, o autor faz várias voltas ao passado e descobre que só a memória poderá se defrontar com o tempo e nossa paz interior será proporcional ao que a memória encontrar na volta ao passado, ou seja, a qualidade que demos ao tempo que nos foi dado viver.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #ff6600;">Podemos sentir o tempo e medi-lo. Então ele está à nossa disposição?</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;">O tempo está à nossa disposição, mas é ele que dispõe de nós, por isso, estabelecer com ele uma relação de paz é um ato de sabedoria. Sentir e medir o tempo são aparentados, pois ambos nos permitem perceber seu andar ininterrupto. Como? Bem, sentir e medir o passar das horas são iniciativas úteis, pois nos ajudam a decidir o que faremos com o tempo de que dispomos. Assim, nossa paz com o tempo será diretamente proporcional à paz que estabelecemos com nossas escolhas e nossas decisões. E essas são pessoais, relativas aos valores de cada um.</p>
<p style="text-align: justify;">O cientista inglês Stephen Hawking, que ocupa na Universidade de Cambridge a mesma cadeira que já foi de Newton, escreveu um livro chamado <em>Uma Breve História do Tempo</em>. Em dado momento, em meio a intrincados conceitos científicos, ele pondera que o tempo tem que ser analisado com base em três setas: a seta cosmológica, que explica a expansão do Universo, a seta termodinâmica, que explica a modificação constante das coisas, e a seta psicológica.</p>
<p style="text-align: justify;">Sim, o físico mais importante da atualidade não consegue analisar os fatos do tempo sem recorrer à psicologia. Os enigmas intrincados da matéria se relacionam com os mistérios do tempo desde sempre, mas, quando o homem passou a protagonizar essa peça no palco do Universo, seus pensamentos e sentimentos acrescentaram novos ingredientes ao roteiro, às vezes de comédia, às vezes de tragédia.</p>
<p style="text-align: justify;">A maior contribuição da física, nesse assunto, é a ideia da relatividade. As sofisticadas descobertas de Einstein sobre a velocidade da luz nos levaram a abandonar a ideia de tempo único e absoluto. Então: “O tempo se tornou um conceito mais pessoal, relativo ao observador que o está medindo”, diz Hawking. Nossa relação com o tempo se faz baseada em nossos valores, opções, decisões e culpas. É o tempo psicológico. Eu dedico mais tempo àquilo que tem mais valor para mim. O problema é conhecer seus valores.</p>
<p style="text-align: justify;">Voltando aos gregos, Cronos é o deus do tempo medido, por isso usamos expressões como cronograma, cronologia, cronômetro. Nos livros de mitologia, ele é representado como um deus malvado, que come seus próprios filhos, simbolizando o que o tempo faz conosco atualmente – parece que ele nos devora. Já Kairós é o deus do tempo vivido, das escolhas que fazemos, da maneira como nós aproveitamos a vida. Cronos é quantitativo, e Kairós é qualitativo.</p>
<p style="text-align: justify;">A primeira sensação é a de que Cronos é inimigo e Kairós amigo. O primeiro quer subjugar, e o segundo libertar. Mera sensação, pois, na prática, nós precisamos de ambos, uma vez que não podemos escolher a felicidade sem nos organizarmos para alcançá-la. Kairós nos estende a mão, Cronos nos empurra. Mas é necessário que saibamos o que queremos e que consigamos nos organizar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #ff6600;">A sabedoria consiste em estabelecer uma conexão entre os valores pessoais e a gestão do tempo disponível?</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;">A mitologia ilustra bem essa angústia humana. Zeus, o mais poderoso deus do Olimpo grego, era filho de Cronos, mas nenhum dos dois conhecia esse parentesco, mantido em segredo por Réa, mãe dos filhos de Cronos. Mas Zeus só assume a posição de poder quando enfrenta Cronos e o vence em uma batalha. Ele havia sido sabiamente aconselhado a não matar seu oponente, pois assim ele estaria matando o próprio tempo e ficaria, então, aprisionado no instante, sem futuro nem memória.</p>
<p style="text-align: justify;">A estratégia de Zeus foi vencer Cronos, cortando seus tendões e amarrando sua cabeça aos pés, criando um círculo com seu corpo. A partir de então, o deus do tempo passou a ser também o deus das ações repetitivas, como o dia e a noite e as estações do ano, eventos cíclicos.</p>
<p style="text-align: justify;">Na prática, Zeus conquistou Cronos e o dominou, administrou. Nossa vida moderna não difere disso. Todos temos 24 horas por dia à nossa disposição, mas estou certo de que você conhece pessoas que aproveitam bem essas horas, produzem, trabalham, estudam, se cuidam, se divertem, cultivam as relações. E também conhece outros, que se queixam da falta de tempo, da velocidade dos acontecimentos, da sensação de impermanência e da falta de controle. Na prática, o que acontece mesmo é exatamente a falta de controle, de ação da lógica na organização de suas prioridades. A agenda não escraviza – ao contrário, liberta, confere autonomia, possibilidades, alcances.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas gestão é a segunda palavra -chave. A primeira é escolha. Fazemos nossas escolhas com base em nossos valores e criamos uma estratégia para atingir nossos propósitos. Estratégias dependem de recursos, entre eles, o mais caro e raro: o tempo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #ff6600;">O ideal seria estabelecer uma relação lógica entre presente, passado e futuro?</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Muito se fala que a única coisa real é o presente, pois o passado não existe mais e o futuro ainda está por vir. Há uma lógica nessa observação, mas é uma lógica primitiva, pois esses tempos são totalmente interligados e interdependentes.</p>
<p style="text-align: justify;">É verdade que o presente é a única realidade prática, mas também é verdade que é nesse instante que se inserem o passado e o futuro. Na dimensão temporal atual, o passado recebe o nome de memória e o futuro tem vários pseudônimos, como sonho, desejo, medo e esperança.</p>
<p style="text-align: justify;">O futuro não é algo que vai existir. O futuro existe agora. Aliás, o futuro só existe no presente, pois, quando no futuro, o futuro virar presente, ele deixará de ser futuro. Parece óbvio, mas escapa da percepção cotidiana da maioria das pessoas. E escapa também o fato de que o futuro virará presente e, quando isso acontecer, ele será melhor ou pior, a depender das providências tomadas no presente, neste exato momento.</p>
<p style="text-align: justify;">Em outras palavras, só vivemos no presente, mas estamos fortemente conectados ao passado, que nos ensina, e ao futuro, que nos motiva. Viver é estar atado a essa tríade temporal, doce ou amarga, dependendo da consciência de cada um. Fazer as pazes com o tempo é a verdadeira sabedoria. Só que “a sabedoria não se transmite, é preciso que nós a descubramos fazendo uma caminhada que ninguém pode fazer em nosso lugar e que ninguém nos pode evitar, porque a sabedoria é uma maneira de ver as coisas”, também disse Proust.</p>
<p style="text-align: justify;">Sim, a sabedoria é uma maneira de ver as coisas, mas isso exige intenção, disposição e coragem. O problema é que desenvolvemos essas três qualidades em épocas diferentes de nossa vida, por isso a maturidade às vezes tarda, depende do tempo.</p>
<p style="text-align: justify;">O mesmo tempo que exige maturidade para ser bem escolhido e controlado, em outras palavras, para ser muito bem vivido.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Texto publicado sob licença da revista Vida Simples, Editora Abril.<br />
Todos os direitos reservados.<br />
Visite o site da revista: <a href="http://www.revistavidasimples.com.br/" target="_blank">www.revistavidasimples.com.br</a></em></p>
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		<title>Líderes míopes</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Feb 2010 13:23:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Gestores ruins causam baixa retenção]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em 1982 o navio russo de pesquisa Vitiaz entrou no chamado Triângulo das Bermudas, um espaço marítimo formado por linhas que unem três pontos: as Ilhas Bermudas, a Península da Flórida, onde fica Miami, e o Arquipélago das Antilhas. O Vitiaz, felizmente, escapou de ter o mesmo destino de mais de 600 embarcações que simplesmente desapareceram em um período de dez anos, constituindo um dos maiores mistérios do mundo. Pode parecer exagero, mas o fato é que algumas empresas também têm seus “triângulos da morte” particulares. Conheci algumas. Lembro de uma moça que trabalhava em uma companhia assim, que me relatou com precisão os pontos que formam o tal triângulo: “A empresa não tem valores claros, meu chefe é despótico e despreparado. Passo dias elaborando relatórios urgentes que sei que ninguém vai ler”. Cultura frágil, liderança incompetente e trabalho sem sentido — eis o triângulo mortal, capaz de sepultar a motivação de qualquer colaborador. Quando perguntei por que ela ainda trabalhava lá, respondeu: “É uma questão de tempo. Já estou mandando o currículo”. Ou seja, em uma empresa assim, os colaboradores estão sempre de passagem. Não veem a hora de atravessar esse mar perigoso e indesejado. Aliás, em empresas que sofrem de miopia de gestão de pessoas, é comum que os funcionários relatem falta de orientação, ambiente de pressão e enjoo no estomago. Ao contrário daquele espaço do Oceano Atlântico, que provavelmente não passa de lenda, empresas assim existem, e são muitas. A maioria tem vida curta, mas muitas se mantêm porque ocupam espaço em um mercado pouco exigente ou porque vendem produtos ou serviços commoditizados, que só competem pelo preço. Empresas com “triângulos das Bermudas” em seus intestinos estão com os dias contados. Ou serão ultrapassadas pelos concorrentes de gestão moderna e inteligente, ou terão morte lenta, agonizando as dores da incompetência de seus líderes, as náuseas da falta de identidade corporativa e o vazio interior na alma de seus funcionários.</p>
<p><em>Texto publicado sob licença da revista Você s/a, Editora Abril.<br />
Todos os direitos reservados.<br />
Visite o site da revista: <a href="http://www.vocesa.com.br/" target="_blank">www.vocesa.com.br</a></em></p>
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