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	<title>Sapiens Sapiens &#187; futuro</title>
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		<title>O Uróboro e a Sustentabilidade</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Dec 2011 15:42:17 +0000</pubDate>
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				<category><![CDATA[Revista Vida Simples]]></category>
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		<description><![CDATA[Somos nosso maior predador, por isso, para preservar o meio ambiente, precisamos nos conscientizar de que a mudança não depende de vontande política, mas sim das nossas ações diárias]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>O mito</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A serpente é um animal cheio de simbolismos. Aparece em Gênesis armando confusão entre Adão e Eva; representa a fertilidade em Canaã; a força política no Egito; e a renovação da vida no Caduceu de Mercúrio – o estandarte símbolo da medicina.</p>
<p style="text-align: justify;">A serpente é ambígua, pois representa, simultaneamente, o medo e a admiração, o respeito e a inveja, o belo e o horrível. Ao mesmo tempo em que a detestamos pelo perigo de seu veneno e por sua capacidade de aparecer e desaparecer de repente; admiramos a elegância de seus movimentos e sua a liberdade – mesmo presa em um aquário, parece livre, pois aquieta-se, ocupa todos os espaços disponíveis e apodera-se da segurança que o cativeiro lhe fornece.</p>
<p style="text-align: justify;">E foi no Egito que surgiu uma versão única da serpente: aquela em que ela aparece comendo sua própria cauda – o uróboro. Esta serpente que se engole quer representar o eterno recomeço da vida, mas permite outras interpretações.</p>
<p style="text-align: justify;">Usemos a imaginação: ao formar um círculo, o uróboro cria um espaço interno e outro externo. O lado de dentro simboliza o mundo percebido, a vida como a conhecemos, a matéria, o concreto, a natureza, a ciência. E, no lado de fora, de dimensão desconhecida, provavelmente infinita, caberiam todos os mistérios da vida, de sua origem e de seu fim – os grandes dilemas humanos.</p>
<p style="text-align: justify;">Fora do uróboro está Deus, e nele estamos contidos, pois o círculo criado pela serpente delimita um espaço do todo e fragmenta o infragmentável criando um fractal do infinito. Nossa esperança infantil e nossa arrogância ingênua desejam que o uróboro abra a boca e nos coloque em contato com o todo, com o divino, para então dominá-lo, sem percebermos que provavelmente seriamos absorvidos pelo infinito e pelo eterno, tornando-nos nada.</p>
<p style="text-align: justify;">É confuso? Pode ser, mas é também fantástico. É só prestar atenção para descobrir que se o uróboro continuar a se comer terminará por consumir-se e desaparecerá deixando-nos ao mesmo tempo sem o interno e sem o externo. Por outro lado, se parar de se alimentar desaparecerá por inanição, e a humanidade morrerá com ele. Parece que não temos saída.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, diz a lenda que o uróboro, ele mesmo, não teme por sua sorte, pois descobriu o segredo da vida eterna, da sustentabilidade infinita. Ao alimentar-se de si mesmo, mantem-se vivo, cresce e providencia a substância que irá alimentá-lo novamente. E nesse moto-perpétuo, absorve energia do externo, do todo, e mantém o interno vivo. A sabedoria do uróboro reside em não parar de alimentar-se, porém, sem extrair, de si mesmo, mais do que necessita para manter-se capaz de continuar produzindo a substância que lhe garante a vida. Uau!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A consciência </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Pode parecer exagero, mas o uróboro nos ensina o segredo da sustentabilidade: não consuma mais do que você precisa para manter-se vivo, e use o resultado de sua produção para recompor o substrato que lhe permita produzir. Simples assim. Sim, simples, mas não fácil.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1987 uma bela e poderosa mulher, a norueguesa Gro Harlem Brundtland, subiu com passos decididos na tribuna da ONU e explicou: “Sustentabilidade é satisfazer as necessidades do presente, sem comprometer a capacidade das gerações futuras satisfazerem suas próprias necessidades”.</p>
<p style="text-align: justify;">Essa definição fazia parte da Declaração Universal sobre a Proteção Ambiental e o Desenvolvimento Sustentável, que passou a ser conhecido por “Relatório Brundtland” em homenagem a Gro, que havia sido primeira-ministra de seu país e que agora ocupava a presidência da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Nessa declaração encontramos propostas para novas formas de providenciar o progresso humano, sem comprometer a fonte da riqueza. O mundo se desenvolve, a população se multiplica, a economia se expande. Mas cuidado, pois nos dias em que vivemos não podemos abordar os temas clássicos como a geração de riqueza, a política internacional, a educação de jovens, a administração de empresas, sem colocar na pauta o crescimento sustentável.</p>
<p style="text-align: justify;">A ideia é transformar a inteligência humana em aliada do planeta, levando o homem a maneirar com o seu instinto predador. Sustentabilidade tem a ver com a prática de consumir sem esgotar, de viver sem comprometer a vida, de ter responsabilidade com o futuro. E isso tem a ver com o que cada um de nós faz em seu dia a dia, e não apenas com os pensadores e os políticos.</p>
<p style="text-align: justify;">Pensar no futuro não é mais – ou não deveria ser – tarefa exclusiva dos futurólogos e preocupação apenas dos ecologistas. Deveria estar na ordem do dia de cada habitante deste planetinha, o único que temos, diga-se. Para isso seria necessária a criação de uma nova consciência humana, a de que, cuidando, não vai faltar. </p>
<p style="text-align: justify;"> <strong>A realidade</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Mas, o que acontece é que a competitividade global está dificultando a sobrevivência das empresas e das pessoas, e é difícil, vamos ser honestos, alguém pensar no futuro se está com dificuldades para garantir o presente.</p>
<p style="text-align: justify;">Todos nós temos necessidades imediatas e procuramos atendê-las rapidamente, pois elas nos provocam desconforto ou sofrimento. Só que a modernidade acrescentou novas necessidades à nossa sobrevivência. O homem de antigamente precisava de comida, roupas, abrigo. Hoje também, mas agora acrescentamos outras prioridades como educação, lazer, relações, tecnologia, comunicação, transporte de massa. Além disso, mudou a frequência das necessidades. Assim como a comida, hoje consumimos outras coisas que precisaremos consumir de novo amanhã, e depois-de-amanhã, em uma escala muitas vezes crescente.</p>
<p style="text-align: justify;">A lógica da sustentabilidade nos obriga a pensar sobre a linha do tempo próxima e remota, pois precisamos atender às necessidades pessoais de hoje lembrando que teremos outras amanhã. Vem daí a ideia da sustentabilidade pessoal. Usando o exemplo do consumo, apenas medir se uma prestação cabe no orçamento e enfiar-se em uma dívida para comprar algo que precisamos no momento pode prejudicar o orçamento por um bom tempo e, como consequência, as necessidades do amanhã.</p>
<p style="text-align: justify;">O conselho é este: você até pode gastar hoje o que vai ganhar amanhã, desde que não perca de vista que amanhã você vai ter outras coisas para gastar. Desejos e recursos são passageiros do mesmo barco. E isso vale para o planeta, para uma empresa, para uma família e para cada um de nós.</p>
<p style="text-align: justify;">É famosa a história daquele playboy que herdou uma grande fortuna e resolveu dedicar a vida apenas a gastá-la. Ele fez um cálculo simples, reservando uma parte do dinheiro para cada ano que ele imaginou que iria viver. Só que ele foi surpreendido por sua boa saúde: viveu muito mais do que imaginava. A consequência foi que ele passou cerca de vinte anos com extrema dificuldade para se manter, e como não havia se preparado para exercer nenhuma profissão, não tinha como ganhar dinheiro. Dependeu da ajuda de parentes e amigos até para comprar comida e remédios. Foi uma vida não autossustentável.</p>
<p style="text-align: justify;">Guardadas as proporções, isso acontece com muita gente que não previne seu futuro, o que poderia ser feito através de uma poupança, de um negócio ou de um plano de previdência. E é também o que está acontecendo com o planeta, pois estamos gastando demais seus recursos sem preocupação com seu esgotamento. Quem vai pagar essa conta são nossos descendentes.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O legado</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Com frequência nos perguntamos que planeta queremos deixar para nossos filhos, mas deveríamos mesmo é nos perguntar que filhos queremos deixar para o planeta. A ideia da sustentabilidade passa, necessariamente, pela educação, pela criação de uma “mentalidade sustentável”. Há comunidades em que a ideia da sustentabilidade faz parte do senso comum, não é apenas uma visão cientifica, política ou acadêmica. Faz parte do cotidiano. Mas, nesses casos, houve investimentos em educação, e não apenas na criação de leis, normas e punições.</p>
<p style="text-align: justify;">Em Curitiba, um exemplo que eu conheço bem, a separação doméstica de lixo é uma das maiores do mundo. Quase ninguém deixa de separar o lixo comum do lixo reciclável em casa. Todo o material de plástico, vidro, papel ou tecido é armazenado em algum lugar e entregue a um caminhão especial, verde, que passa duas vezes por semana, em todos os bairros da cidade – o caminhão do “lixo que não é lixo”.</p>
<p style="text-align: justify;">Neste caso, três fatores contribuíram: a educação das crianças nas escolas, a competência da prefeitura que manteve a coleta seletiva e a ação do tempo. Esse programa levou trinta anos para se consolidar. As novas gerações educaram as mais velhas, numa maravilhosa inversão dos fatos históricos. Os filhos ensinaram os pais o que haviam aprendido na escola. É um belo exemplo de preocupação com a sustentabilidade de uma cidade, no que diz respeito ao manejo de matérias que podem ser recicladas e reaproveitadas para produzir novas coisas.</p>
<p style="text-align: justify;">Educação, conscientização, estratégias, recursos. Talvez pudéssemos chamar tudo isso de vontade política, o que não tem a ver apenas com os políticos, e sim com cada pessoa. Eu, pessoalmente, durmo melhor quando sinto que, naquele dia, pratiquei algo que, de alguma forma colaborou com o meio ambiente. Pode ser a economia de água, o uso de transporte coletivo, o fato de dispensar a sacola plástica do supermercado levando uma sacola de pano, coisas pequenas, mas que são as que vão fazer a grande diferença no final. Isso é o que o Capra chama de <em>ecoliteracy</em> – alfabetização para a ecologia.</p>
<p style="text-align: justify;">É urgente que caminhemos em direção a essa alfabetização. E é bom que tenhamos pressa, porque o uróboro está quase abrindo a boca&#8230;</p>
<p><strong><em>Texto publicado sob licença da revista Vida Simples, Editora Abril.</em></strong><strong><em><br />
</em></strong><strong><em>Todos os direitos reservados.</em></strong><strong><em><br />
</em></strong><strong><em>Visite o site da revista: </em></strong><strong><a href="http://www.revistavidasimples.com.br/" target="_blank"><em>www.revistavidasimples.com.br</em></a></strong></p>
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		<title>Um novo começo</title>
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		<pubDate>Mon, 23 May 2011 19:26:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Às vezes tenho a impressão que não estou fazendo a mesma coisa, e sim sempre começando algo novo, mesmo que seja a mesma tarefa, no mesmo lugar.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em quarenta anos de carreira musical, o engenheiro químico (pode?) Ivan Lins produziu maravilhas como <em>Madalena</em>, <em>O Amor é meu País</em> e <em>Abre Alas</em>. Como acontece com todos os poetas e compositores, ele tocou cada pessoa de modo diferente, através de uma letra especial, que se instalou em algum canto da alma. Em meu caso, foi a música <em>Começar de novo</em>, que Ivan compôs em parceria com Vitor Martins em 1979.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi naquele ano que eu fiz uma das muitas mudanças em minha vida, indo morar em Florianópolis (SC), para onde eu já viajava semanalmente para dar aulas em um curso pré-vestibular do qual era sócio. Como aquela sede exigia mais atenção mudei minha residência oficial para a ilha. Lembro-me bem de estar atravessando a ponte Hercílio Luz, que ainda funcionava (foi interditada em 1982), quando do rádio do carro começou a sair a voz rouca da Simone dizendo: “<em>Começar de novo e contar comigo/ Vai valer a pena ter amanhecido/ Ter me rebelado, ter me debatido/Ter me machucado, ter sobrevivido&#8230;</em>”.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi um momento mágico, pois, apesar de bastante jovem, eu já vinha de uma experiência de vida cheia de mudanças e recomeços. Quando menino, morei na Argentina, onde meu pai tinha negócios. A revolução militar e a crise econômica que se instalaram naquele país fizeram a família retornar ao Brasil totalmente sem recursos, de um dia para outro.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu tinha dez anos, e enfrentei, pela primeira vez, a idéia do começar de novo. Acho que foi o pior dos recomeços, pois me sentia à deriva, tinha perdido todas as referências. Lembro que quando ia à escola levava comigo, além dos cadernos e do lanche, revolta, vergonha e dificuldade de comunicação – até então minha língua tinha sido outra. Ainda por cima tive que enfrentar a intolerância e implicância dos terríveis pré-adolescentes do colégio (hoje isso seria chamado de <em>bullying</em>). Nessa ocasião eu só podia contar comigo, mais ninguém.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma década e meia depois, lá estava eu, com um diploma de médico, um negócio próprio, um livro publicado, casado e com dois filhos. Talvez por isso, quando Simone disse “<em>Ter virado a mesa, ter me conhecido/ Ter virado o barco, ter me socorrido</em>”, parecia que estava falando só comigo.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu me sentia muito bem por ter começado de novo e ter vencido as evidências em contrário. Foi a primeira vez que eu tive a convicção de que uma mudança radical pode ser fonte de sofrimento enquanto está acontecendo, mas depois se transforma em uma maravilhosa oportunidade para se criar uma vida melhor. É quase uma lei cósmica.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Mas o começar de novo não se transforma em um sentimento de inconstância, de falta raízes?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A impermanência é uma das principais marcas de nosso tempo. Tudo muda muito rápido, e quem aceita essa realidade e consegue exercitar sua capacidade de adaptação, já sai com vantagens. De certa forma, quando acordamos na manhã de cada dia, começamos de novo nossa vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Às vezes começamos pouca coisa de novo, e damos continuidade ao que já fazíamos, mantendo a rotina e construindo estabilidade. Mas, às vezes acordamos de manhã e estamos em um novo lugar, ou iniciamos em um novo emprego, ou viramos a cabeça e vemos uma nova pessoa no travesseiro ao lado. Sempre começamos de novo, o que varia é a intensidade.    </p>
<p style="text-align: justify;">Naquele ano eu estava começando de novo muita coisa. Tinha me formado em medicina, mas não havia chegado a exercer, pois, na ocasião, eu já era dono de uma escola que crescia. Mas, como começar de novo é comigo mesmo, 15 anos depois resolvi dar-me o direito de experimentar a profissão de médico, e lá fui eu voltar a estudar, aplicando tempo e recursos aos livros de medicina, alguns para recordar, outros para entender a evolução dos anos. Apesar de ser médico foi mais um começar de novo.</p>
<p style="text-align: justify;">Minha fase de médico foi de grande aprendizado. Entrar em contato com o sofrimento, conhecer a pessoa que está por trás da máscara dos cargos e das convenções sociais, perceber que não se medica o corpo sem se medicar também a alma, foram grandes descobertas.</p>
<p style="text-align: justify;">Só que algo revirava em meu espírito a cada consulta, e a cada fim de expediente eu me convencia que minha vocação não estava ali no consultório e sim na sala de aula, no convívio com alunos, na fabulosa galáxia de buscas e encontros que acontecem no universo da educação. Eu precisava voltar. E começar de novo. Depois de cinco anos dedicados ao mundo de Hipócrates, voltei a Sócrates.</p>
<p style="text-align: justify;">Em meados da década de 1990, surgia no mundo uma nova tendência, a chamada educação corporativa. Eu precisava conhecer aquilo. O que significava mais uma vez voltar a estudar, entender o funcionamento das grandes empresas, suas necessidades e desejos, suas qualidades e defeitos.Durante o curso de MBA eu percebi meus olhos brilhando de novo com as possibilidades que surgiram.Estava começando de novo mais uma vez, desta vez com bem mais de 40 anos. Mas a idade não importava. O que interessava era a descoberta, a aventura, o risco calculado, as possibilidades infinitas que a vida mais uma vez colocava diante de meus pés.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Começar de novo não é cada vez mais difícil, já que buscamos conforto? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Lembro como se fosse hoje. Em março de 1998 eu desembarquei no aeroporto de Guarulhos vindo dos Estados Unidos, onde tinha passado um tempo estudando, trabalhando e me preparando para a nova fase, em que eu me dedicaria ser um educador corporativo.Na verdade, eu tinha me proposto um autoexílio, algo a que hoje está na moda chamar de <em>sabático</em>. Eu sabia que, para começar essa nova carreira, eu tinha que sair do conforto da Curitiba e passar a morar em São Paulo definitivamente. Essa perspectiva era um pouco assustadora, pois pouco conhecia a maior cidade do Brasil. Estava cheio de energia e idéias, mas também tinha o peito cheio de dúvidas e medos. Eu tinha que <em>começar de novo</em> <em>e</em> só podia <em>contar comigo</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda no avião, as primeiras luzes da manhã já iluminavam solo brasileiro.  Eu olhava para frente, mas não conseguia não respeitar o que ficou para trás. Aproveitando a passividade de um passageiro de avião, que só o que tem a fazer é apreciar a paisagem e pensar, eu fiz um resumo da história de minha vida, e de repente me dei conta que eu vivi, sim, em um eterno e cíclico recomeçar. Lembrei, por exemplo, que quando conclui o colégio, ainda um adolescente, resolvi conhecer o Rio de Janeiro, onde acabei por morar um ano, entendendo a ginga carioca, praticando inglês na loja em que trabalhei atendendo turistas e aprendendo a surfar em longas pranchas de madeira no Arpoador.</p>
<p style="text-align: justify;">Passado o período <em>menino do Rio</em> voltei a Curitiba para encarar uma faculdade. Mas, para pagar o cursinho, de onde o dinheiro? Solução: dar aulas particulares aos alunos que iam prestar o exame de admissão, uma prova que se fazia aos aspirantes ao Ginásio (que coisa antiga, meu Deus!). Esse foi um recomeço que marcou o resto de minha vida, pois nunca mais parei de ensinar – foi uma paixão à primeira vista que nunca mais me abandonou.E agora estava eu voltando às origens, ainda que sem saber bem como começar. Só podia contar comigo, mas sabia que precisaria encontrar aliados, espaços que me recebessem e servissem de base de lançamento para minhas idéias. A solução foi bater em algumas portas, empresas de consultoria, faculdades.</p>
<p style="text-align: justify;">E eu não poderia ter encontrado um aliado melhor. Foi na Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo que eu encontrei pessoas dispostas a ouvir minhas idéias muito particulares sobre o desenvolvimento de pessoas. “Você pode ficar por aqui e participar das aulas como ouvinte”, me disseram e eu fiquei imensamente agradecido. “Você pode participar deste projeto como assistente”, foi a primeira ordem que eu acatei alegre e fui para a reunião carregando a pasta do notebook do coordenador do trabalho.</p>
<p style="text-align: justify;">Eu, quase cinqüentão, ex-empresário, ex-médico, ex-riquinho, estava lá, começando de novo, por baixo, como convém. Mais de uma década já se foi, muita água já passou por baixo da Hercílio Luz, nosso planetinha deu milhares de voltas, e nós continuamos começando de novo todos os dias. Sim, tenho experiência nessa área e posso afirmar: há poucas coisas mais edificantes para o caráter do que começar de novo, relevando as mágoas, engolindo a lágrimas e lançando um olhar otimista para o futuro. Começar de novo é uma fantástica forma de libertação. Provavelmente a melhor de todas.</p>
<p><strong><em>Texto publicado sob licença da revista Vida Simples, Editora Abril.</em></strong><strong><em><br />
</em></strong><strong><em>Todos os direitos reservados.</em></strong><strong><em><br />
</em></strong><strong><em>Visite o site da revista: </em></strong><strong><a href="http://www.revistavidasimples.com.br/" target="_blank"><em>www.revistavidasimples.com.br</em></a></strong></p>
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		<title>Como aproveitar o momento</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Mar 2011 18:31:16 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Pensar de forma estratégica significa definir objetivos?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Minha definição para estratégia: é o meio utilizado para conciliar a situação presente com o futuro desejado. Gosto do verbo conciliar. Ele representa harmonia, tranqüilidade e paz. E o que isso tem a ver com estratégia? Ora, tudo, pois pensar estrategicamente significa definir bem os objetivos a atingir e organizar-se para ter sucesso na empreitada. Isso inclui uma meticulosa análise das condições, dos recursos disponíveis e da distância a ser percorrida. Os sonhos devem ser grandes, mas devem também ser factíveis, o que tem a ver com a situação presente. Sem conciliação, nada feito.</p>
<p style="text-align: justify;">Por isso, em épocas como esta, em que fazemos planos para o ano que começa, é conveniente revisar o que fizemos no ciclo que está se encerrando e nos perguntar qual é a situação real nesse momento. O presente é a ponte entre o passado, que se chama memória, e o futuro, que se chama sonho. O Brasil vive um momento mágico, com perspectivas de crescimento acelerado e sustentável. Essa realidade influi tremendamente em nossas carreiras.</p>
<p style="text-align: justify;">Há projetos, obras, busca por serviços em todos os setores e em todas as regiões. Boas perspectivas para o país? Sim, desde que as oportunidades sejam acompanhada por aquilo que as sustentará: recursos, que podem ser divididos em físicos, intelectuais e morais. O sonho de um Brasil grande será factível se tivermos infra-estrutura, educação e civilidade. Mercado existe!</p>
<p style="text-align: justify;">Se você fosse o Brasil, o que faria para aproveitar este bom momento da economia? Que providências tomaria para não deixar passar a oportunidade? Conhecimento, habilidades, atitude, networking, valores, organização. Essas são premissas para engrenar uma carreira sólida e promissora. Sem providenciá-las, sonhar passa a ser inócuo. Conciliar o que você é com quem deseja ser é o mantra a ser seguido. Sem conciliação não há solução.</p>
<p style="text-align: justify;">Se você fosse o Brasil, estaria diante de um futuro espetacular e não teria o direito de não aproveitá-lo para beneficiar seus cidadãos. Isso, se você fosse o Brasil. Mas&#8230; espere um pouco. Repare bem e você se dará conta de que você, assim como eu, é, sim, o Brasil.</p>
<p><em>Texto publicado sob licença da revista Você s/a, Editora Abril.<br />
Todos os direitos reservados.<br />
Visite o site da revista: www.vocesa.com.br</em></p>
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		<title>O futuro de cada um de nós</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Nov 2010 14:59:16 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Se considerarmos que o que existe mesmo é o presente, por que dizem que é tão importante viver o tempo futuro? Qual é, afinal, nossa conexão com um tempo que ainda não existe e que nem sabemos se existirá?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Acompanhe esta história:  o Paraná tem um símbolo que é praticamente desconhecido fora daquele Estado: a gralha-azul. Trata-se de uma ave da família dos corvídeos, que encanta pela beleza de suas penas azuis, gradualmente mais escuras na cabeça e no peito. Para os paranaenses, esse animal-símbolo é tão importante que, diz a lenda, um caçador que tente acertá-lo com um tiro verá sua espingarda negar fogo ou até explodir, pois a gralha-azul é protegida dos espíritos da floresta das araucárias.</p>
<div id="attachment_2564" class="wp-caption aligncenter" style="width: 260px"><a href="http://www.sapiensapiens.com.br/wp-content/uploads/gralha_azul.jpg"><img class="size-full wp-image-2564" title="Gralha Azul" src="http://www.sapiensapiens.com.br/wp-content/uploads/gralha_azul.jpg" alt="" width="250" height="166" /></a><p class="wp-caption-text">Imagem: Secretaria do Turismo do Paraná.</p></div>
<p style="text-align: justify;">Tal devoção deve-se a uma característica do pássaro: ele é o responsável pela disseminação da <em>Araucaria angustifolia</em>, o majestoso pinheiro paranaense, que já recobriu a quase totalidade daquele estado e também de boa parte de toda a região Sul e de São Paulo.</p>
<p style="text-align: justify;">O detalhe curioso fica por conta do método empregado pela gralha: ela enterra os pinhões e, destes, nascerão novos pinheiros. Trata-se então de uma semeadora compulsiva e incansável, que dedica sua vida à proliferação da bela árvore. A explicação para tal comportamento é que a gralhinha tem duas características: preocupação com o futuro e péssima memória. Enterra as sementes com a intenção de guardá-las e consumi-las mais tarde, mas esquece-se de onde as guardou, possibilitando assim sua germinação.</p>
<p style="text-align: justify;">A gralha-azul é um dos poucos exemplos que colhemos no mundo natural de animal que tem preocupação com o futuro. Bichos têm consciência do presente, do aqui e agora, das necessidades imediatas, mas, com raras exceções, como a do pássaro sulista, vivem em total despreocupação com o dia de amanhã. Não conhecem tempo, não têm noção de futuro e, do passado, guardam apenas as memórias que reforçam seus instintos. E é nesse capítulo que encontramos um imenso diferencial humano: nós, sim, conhecemos o conceito de tempo. Sabemos que o presente em que nos encontramos tem conexões com um tempo que passou e com um tempo que virá.</p>
<p style="text-align: justify;">Nunca saberemos quando o homem começou a ter tal noção de tempo, mas sabemos que somos a única espécie dotada de consciência temporal. A memória do passado e, principalmente, a imagem do futuro são qualidades mentais sofisticadas demais para qualquer outra espécie que não a humana. Nosso córtex cerebral é a parte mais elaborada de nosso cérebro e, com tais características, é uma exclusividade humana. Uma das qualidades do córtex é a análise de um número muito maior de variáveis a cada processo de tomada de decisão, entre elas, o tempo. Somos capazes, por exemplo, de adiar o prazer, e até aceitar algum sofrimento, desde que ele esteja a serviço de um futuro mais prazeroso. Essa é uma das vantagens competitivas que nos permitiram assumir uma posição de mando e controle no planeta, ainda que haja tanto descontrole.</p>
<p style="text-align: justify;">Entretanto, mesmo entre nós, racionais, conscientes de nossa posição neste mundo e neste tempo, há variações na maneira de fazermos conexões com o futuro. Pelo menos três categorias são bastante claras, e, entre elas, diferentes graus de profundidade podem ser identificados: o descaso, a previsão e a construção. Vamos a elas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O descaso</strong>: Nesta categoria colocamos todos os que não se preocupam com o futuro, apesar de saberem que ele existe. Pare estes cabe a expressão latina carpe diem, que quer dizer “viva o presente”. É uma recomendação que se faz à pessoa que diz que será feliz, ou realizada, ou tranquila, “quando” acontecer alguma coisa. Quando se formar, quando comprar sua casa, quando ganhar dinheiro, quando casar, quando&#8230; Para esse tipo de pessoa, a felicidade é um projeto e não o que deve ser, um estilo de vida. Para uma pessoa assim, carpe diem nela!</p>
<p style="text-align: justify;">O carpe diem com recomendação para que se aproveite o presente é excelente, mas, como desculpa para ignorar o futuro, pode virar uma armadilha. O que não dá para esquecer é que o futuro vai virar presente, e que este será melhor ou pior a depender das ações de hoje. Tudo está conectado, um ato de hoje terá repercussão amanhã.</p>
<p style="text-align: justify;">Dizem os historiadores que a queda do Império Romano teve início no momento em que o carpe diem deixou de ser apenas um conselho e acabou por se transformar em filosofia de vida, seguida pelo imperador e, claro, por seus súditos. A despreocupação com o futuro cobrou, daquela gente, um pesadíssimo pedágio.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A previsão:</strong> O futurólogo Michiu Kaku disse: “Previsão é uma coisa muito difícil, especialmente quando é sobre o futuro”. Mesmo assim, é a isso que esse professor do City College de Nova York se dedica, a prever o futuro, atendendo a um dos mais antigos desejos humanos. A História está repleta de exemplos de tentativas de previsão, dos antigos gregos em seus oráculos até a atualidade, quando cérebros privilegiados dedicam sua energia a apreciar uma paisagem ainda inexistente.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos oráculos gregos, era comum a presença das pitonisas, as sacerdotisas que previam o futuro. Para essas pessoas, prever tinha a ver com adivinhar, portanto havia algo de sobrenatural. Entretanto, a previsão do futuro não precisa habitar o reino da magia; pode viver na realidade, no reinado da lógica, vestindo a roupagem da ciência. Economistas, cientistas, sociólogos, empresários e outros tantos profissionais exercitam a arte e a ciência de prever, ainda que com parcimônia. Nesse campo, duas são as possibilidades. A primeira é <em>forecast</em>, do inglês “previsão”. Muito utilizada por todos aqueles que não desejam ser surpreendidos por fatos que poderiam ter sido previstos. Preferida dos economistas, sonda o futuro com as ferramentas dos dados, informações, gráficos. Podemos prever a inflação, a reserva de petróleo, a quantidade de chuva. Em todos esses casos, a previsão baseia-se em séries históricas anteriores, tendências concretas, análises científicas.</p>
<p style="text-align: justify;">A segunda é <em>foresight</em>: outra palavra inglesa que também significa previsão. A diferença é que, nesse caso, a previsão não se vale de dados, mas de sentimentos; algo que poderia também ser chamado de intuição. Mas não há nada de místico nessa abordagem do futuro. A intuição, então, deriva da experiência de vida. E também de sua integridade mental, da qual fazem parte a serenidade e a calma interior. Pessoas que dominam sua área de atuação devem ser respeitadas quando se referem ao futuro. Em geral esses profissionais não são pegos de surpresa, pois têm, a seu favor, a consistência do <em>forecast</em> e a concordância do <em>foresight</em>. Imagine um empresário que diz: “O mercado continua consumindo este produto, e a tendência é que a demanda se amplie no próximo ano”. Acaba de usar o <em>forecast</em>. Se ele continuar seu raciocínio e disser algo como: “Mas, apesar de ainda termos estoque, acredito que devemos lançar já a segunda versão do produto”, estará usando seu <em>foresight</em>, seu faro empresarial.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A construção</strong>: Já se disse que a melhor maneira de prever o futuro é construí-lo. E, nesse caso, estamos falando da capacidade excessivamente humana da sonhar e, claro, transformar o sonho em realidade. O homem é o único animal que tem noção de futuro, e é também o único ser capaz de exercitar a imaginação. A essa combinação maravilhosa damos o nome de sonho, que nada mais é que a imagem cristalizada de um futuro ideal.</p>
<p style="text-align: justify;">Shakespeare escreveu: “Somos feitos da mesma matéria que compõe os nossos sonhos!” Com essa afirmação, conferiu uma nobreza à qualidade de sonhar. Mas, se todos sonhamos – pois não se trata de uma prerrogativa e sim de uma qualidade –, por que nem todos realizamos nossos sonhos? É que sonhos são como deuses, só existem enquanto acreditamos neles, e é forte a tendência de as pessoas sonharem com aquilo em que elas não creem.</p>
<p style="text-align: justify;">Quem não sonha e não tem objetivos claros tateia na incerteza. Charles Dogson foi um matemático inglês especializado em lógica matemática que gostava de trilhar pelo tema que aproxima lógica de futuro. E, para falar sobre a lógica e a vida com as crianças, escrevia livros sob o pseudônimo de Lewis Caroll, sendo o mais conhecido Alice no País das Maravilhas. Nele há um diálogo impagável em que Alice, perdida, pergunta ao gato de Cheshire qual caminho deve seguir. O gato questiona então para onde ela deseja ir, e Alice responde que não tem certeza. Isso leva o felino falante a comentar: “Se você não sabe para onde quer ir, qualquer caminho serve”.</p>
<p style="text-align: justify;">Após dizer isso, o gato desaparece, mas deixa visível seu sorriso sarcástico, diante de uma Alice completamente atônita. É a metáfora explicando a atitude do mundo diante dos que não sabem aonde desejam chegar – ri sarcasticamente. Tema de reflexão para quem deseja pensar estrategicamente – ou a lógica do futuro ou o sarcasmo do gato de Cheshire&#8230;.</p>
<h4><em>Texto publicado sob licença da revista Vida Simples, Editora Abril.<br />
Todos os direitos reservados.<br />
Visite o site da revista: </em><a href="http://www.revistavidasimples.com.br/" target="_blank"><em>www.revistavidasimples.com.br</em></a></h4>
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		<title>A máquina do tempo</title>
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		<pubDate>Fri, 21 May 2010 18:42:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Dezembro! Parece que foi ontem que o ano começou&#8230; Este mês, tradicionalmente, é usado como uma espécie de rampa de lançamento para a máquina do tempo. É quando viajamos para trás, visitamos o passado e verificamos nossas conquistas e derrotas acontecidas no ano que está terminando. E é também quando fazemos uma incursão no futuro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dezembro! Parece que foi ontem que o ano começou&#8230; Este mês, tradicionalmente, é usado como uma espécie de rampa de lançamento para a máquina do tempo. É quando viajamos para trás, visitamos o passado e verificamos nossas conquistas e derrotas acontecidas no ano que está terminando. E é também quando fazemos uma incursão no futuro e tentamos imaginar o ano que queremos viver nos próximos doze meses. Vamos nessa?</p>
<p><strong>Visitando o passado</strong></p>
<p>O interessante é que, quando se fala da imaginária máquina do tempo, a maioria das pessoas gostaria de tê-la para viajar primeiro para o passado, depois para o futuro. Parece que o desejo de poder mudar alguma coisa que já aconteceu é maior do que a curiosidade sobre o que vai acontecer.</p>
<p>Queremos viajar para o passado provavelmente para fazer alguma coisa que não fizemos ou para desfazer algo de que nos arrependemos.  Pois então temos uma boa notícia. Nesse sentido, a máquina do tempo já existe, é barata e acessível a todos nós: é nossa própria consciência. A percepção saudável da realidade permite que façamos uma conexão lúcida entre as experiências presentes e o significado do passado.</p>
<p>Voltar no tempo é uma fantasia divertida e útil, por estranho que pareça. É divertida porque revivemos os momentos bons, e porque percebemos que os maus, pelo menos em sua maioria, não passaram de sensações desagradáveis que não tiveram tanta repercussão assim em nossa vida.</p>
<p>E é útil porque nos obriga a refletir sobre o que gostaríamos de mudar em nossa jornada, portanto, em nós mesmos. “Ah, se eu pudesse voltar no tempo”, dizem as titias que não casaram, os homens sérios que não aproveitaram a juventude, os pais que estragaram os filhos com mimos e excessos. Pois é, infelizmente não dá para mudar o passado, mas dá para mudar seu significado em nossa cabeça e em nosso coração.</p>
<p>O que passou, passou, mas deixou suas marcas, que podem ser chamadas, simplesmente de aprendizados. O que devemos evitar é a armadilha de culpar o passado pelos problemas do agora, e de viver em função de glórias que já aconteceram. As marcas do passado devem ser lidas como palavras em um livro de história. Servem para que evitemos cometer os mesmos erros e para que possamos aperfeiçoar os pontos positivos, aqueles que nos tornaram pessoas melhores.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Imaginando o futuro</strong></p>
<p>Esta é uma prerrogativa dos humanos. Nenhuma outra espécie é capaz de imaginar o futuro, pelo simples motivo de que não têm conhecimento de que ele existe. Nosso cérebro é o único que tem consciência temporal, identifica o presente, recorda o passado e imagina o futuro. É bem verdade que o presente é a única realidade prática, mas também é verdade que é nesse instante que se inserem a passado e o futuro. Na dimensão temporal atual, o passado recebe o nome de memória e o futuro tem vários pseudônimos, tais como sonho, desejo, medo e esperança.</p>
<p>O que não podemos deixar de lembrar é que futuro não é algo que vai existir, o futuro existe agora. Aliás, o futuro só existe no presente, pois quando, no futuro, o futuro virar presente, ele deixará de ser futuro. Parece óbvio, mas escapa da percepção cotidiana da maioria das pessoas. E escapa também o fato de que o futuro virará presente, e quando isso acontecer, ele será melhor ou pior a depender das providências tomadas no presente, neste presente.</p>
<p>Em outras palavras, só vivemos no presente, mas estamos fortemente conectados ao passado que nos ensina, e ao futuro, que nos motiva. Viver é estar atado a essa tríade temporal, doce ou amarga, dependendo da consciência e das iniciativas de cada um, sempre lembrando que a verdadeira sabedoria reside em vivermos em paz com o tempo. Consciência tranqüila com relação ao passado e expectativa positiva com relação ao futuro tornam nosso presente mais ameno.</p>
<p>Mas as pessoas estabelecem relações diferentes com relação ao futuro, dependo de seu grau de maturidade e de lucidez. Há os que ignoram o futuro, tratam de viver intensamente o presente e alegam que irão atender às demandas do futuro apenas quando elas aparecerem. Estes são os imprevidentes.</p>
<p>Há também os que tratam de prever o futuro. Eles, inteligentemente, analisam os fatos do passado, lêem os sinais do presente e, a partir dessa técnica, arriscam palpites sobre o que acontecerá no ano que vem. Estes são os futurologistas.</p>
<p>Mas há os que não se contentam em prever o futuro, resolvem, por iniciativa própria, construí-lo. Usam, para esse fim, duas qualidades fundamentais: a imaginação e a razão. Imaginam o mundo que desejam, para si e para os outros, e tratam de assentar os tijolinhos da lógica para construir a escada que os levará ao seu destino. Estes são os idealizadores.</p>
<p><strong>A realização das profecias</strong></p>
<p>Há quem diga que pensar sobre o futuro significa brincar de profeta, de adivinho, pois o número de possibilidades de nossa vida é tão grande que só a partir do elementos da lógica não é possível acertar o que vai acontecer. Sim, há verdade nesta observação, mas também temos que considerar a incrível capacidade de nossa mente em influenciar os acontecimentos futuros, e, neste caso, não estamos falando de profecias místicas, e sim de psicologia.</p>
<p>Há estudos sérios sobre este assunto. Por exemplo, o sociólogo americano Robert Merton, que é doutor pela Universidade de Harvard, dedicou sua vida a estudar o comportamento das pessoas em seus ambientes de trabalho, especialmente dos líderes. Ele percebeu que quando as pessoas se convencem de que alguma coisa acontecerá, essa coisa tem grande chance de acontecer de fato pelo simples motivo que todos se organizam para realizar aquela previsão. A esse fenômeno o estudioso chamou de <em>profecia auto-realizável</em>, uma espécie de conspiração mental para fazer acontecer o que se deseja.</p>
<p>Então, muito cuidado nesta hora, pois o mesmo se aplica para aquilo que tememos que aconteça. Quando nosso medo é grande tratamos de justificá-lo providenciando os meios para que o fato se concretize. Afinal, gostamos de ter razão sempre.</p>
<p>Por isso, neste mês de dezembro, na rampa de lançamento para o ano que vem, precisamos ter muito cuidado com nossas previsões, pois elas têm o estranho hábito de se concretizar. Deseje só o melhor. Enfrente seus medos com coragem e não com paralisia. Acredite em seu potencial, confie nas pessoas, acrescente alegria e amor às suas relações e ao mundo. Afinal, é o único que temos. E pare de dizer o que você quer do futuro; experimente ser generoso e pergunte ao futuro o que ele quer de você.</p>
<p><em>Texto publicado sob licença da revista Conexão Direta com Você, da Nextel.<br />
Todos os direitos reservados.<br />
www.nextel.com.br</em></p>
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		<title>A passagem do tempo</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Feb 2010 16:30:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O tempo passa e ficamos com a sensação de que nunca o aproveitamos como deveríamos. Existe uma maneira de conciliar a vida com o tempo, que a consome?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em> </em></p>
<p style="text-align: justify;">Os gregos, que encontravam explicação para tudo pelas forças emanadas pelo monte Olimpo, não se contentavam em ter um deus do tempo, tinham logo dois: Cronos e Kairós. Um só deus grego não seria suficiente para explicar a relação do homem com o tempo, tamanha a tensão que existe entre ambos.</p>
<p style="text-align: justify;">A única proeza em que o homem teve sucesso, a respeito do tempo, foi conseguir medi-lo. Para isso, analisou ciclos, como os movimentos da Lua e do Sol, observou seu efeito sobre a natureza e, então, padronizou os tempos do ano, das estações e dos dias, posteriormente divididos em frações, chamadas horas, minutos, segundos. Em sua arrogância, o humano acreditou que, ao medir o tempo, o controlaria. Doce ilusão. As medidas só serviram para aumentar a sensação da passagem veloz do tempo, que escorre pelas mãos, como a água.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas nem tudo está perdido. Nós, humanos, podemos ser apenas pobres mortais, mas temos uma ferramenta que nos permite controlar, se não o tempo, nossa própria existência. Essa ferramenta se chama consciência. E ela nos permite conviver com o tempo com base em três visões: da física, da metafísica e da ética. Do ponto de vista físico, o tempo pode ser medido. No âmbito da metafísica, o tempo pode ser sentido. E, de acordo com a ética, o tempo deve ser vivido.</p>
<p style="text-align: justify;">A física é a relação mais óbvia, e é com um instrumento físico que nós passamos a medir o tempo: o relógio. Contudo, ele apenas nos avisa que o tempo passa – o que faremos com essa informação é problema nosso. Do ponto de vista do que está além da física, o tempo é um sentimento, portanto ele tem duração variável, contrariando os relógios. Veja só: dois minutos de broca do dentista são mais longos do que 16 minutos escutando o Bolero de Ravel ao lado da pessoa amada.</p>
<p style="text-align: justify;">E, quanto à ética, ela nos alerta para um fato óbvio só para os mais conscientes: o tempo é um recurso escasso que não pode ser reposto, e sua qualidade dependerá do que fi- zermos com ele. Como disse Marcel Proust: “O amor é o espaço e o tempo tornados sensíveis ao coração”. E ele entendia do assunto, pois dedicou mais de uma década para escrever cerca de 4 mil páginas, que foram publicadas em sete volumes dedicados à relação humana com seus valores, entre eles o tempo. A essa obra completa, o escritor francês chamou <em>Em Busca do Tempo Perdido</em>. No último volume, O Tempo Reencontrado, o autor faz várias voltas ao passado e descobre que só a memória poderá se defrontar com o tempo e nossa paz interior será proporcional ao que a memória encontrar na volta ao passado, ou seja, a qualidade que demos ao tempo que nos foi dado viver.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #ff6600;">Podemos sentir o tempo e medi-lo. Então ele está à nossa disposição?</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;">O tempo está à nossa disposição, mas é ele que dispõe de nós, por isso, estabelecer com ele uma relação de paz é um ato de sabedoria. Sentir e medir o tempo são aparentados, pois ambos nos permitem perceber seu andar ininterrupto. Como? Bem, sentir e medir o passar das horas são iniciativas úteis, pois nos ajudam a decidir o que faremos com o tempo de que dispomos. Assim, nossa paz com o tempo será diretamente proporcional à paz que estabelecemos com nossas escolhas e nossas decisões. E essas são pessoais, relativas aos valores de cada um.</p>
<p style="text-align: justify;">O cientista inglês Stephen Hawking, que ocupa na Universidade de Cambridge a mesma cadeira que já foi de Newton, escreveu um livro chamado <em>Uma Breve História do Tempo</em>. Em dado momento, em meio a intrincados conceitos científicos, ele pondera que o tempo tem que ser analisado com base em três setas: a seta cosmológica, que explica a expansão do Universo, a seta termodinâmica, que explica a modificação constante das coisas, e a seta psicológica.</p>
<p style="text-align: justify;">Sim, o físico mais importante da atualidade não consegue analisar os fatos do tempo sem recorrer à psicologia. Os enigmas intrincados da matéria se relacionam com os mistérios do tempo desde sempre, mas, quando o homem passou a protagonizar essa peça no palco do Universo, seus pensamentos e sentimentos acrescentaram novos ingredientes ao roteiro, às vezes de comédia, às vezes de tragédia.</p>
<p style="text-align: justify;">A maior contribuição da física, nesse assunto, é a ideia da relatividade. As sofisticadas descobertas de Einstein sobre a velocidade da luz nos levaram a abandonar a ideia de tempo único e absoluto. Então: “O tempo se tornou um conceito mais pessoal, relativo ao observador que o está medindo”, diz Hawking. Nossa relação com o tempo se faz baseada em nossos valores, opções, decisões e culpas. É o tempo psicológico. Eu dedico mais tempo àquilo que tem mais valor para mim. O problema é conhecer seus valores.</p>
<p style="text-align: justify;">Voltando aos gregos, Cronos é o deus do tempo medido, por isso usamos expressões como cronograma, cronologia, cronômetro. Nos livros de mitologia, ele é representado como um deus malvado, que come seus próprios filhos, simbolizando o que o tempo faz conosco atualmente – parece que ele nos devora. Já Kairós é o deus do tempo vivido, das escolhas que fazemos, da maneira como nós aproveitamos a vida. Cronos é quantitativo, e Kairós é qualitativo.</p>
<p style="text-align: justify;">A primeira sensação é a de que Cronos é inimigo e Kairós amigo. O primeiro quer subjugar, e o segundo libertar. Mera sensação, pois, na prática, nós precisamos de ambos, uma vez que não podemos escolher a felicidade sem nos organizarmos para alcançá-la. Kairós nos estende a mão, Cronos nos empurra. Mas é necessário que saibamos o que queremos e que consigamos nos organizar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #ff6600;">A sabedoria consiste em estabelecer uma conexão entre os valores pessoais e a gestão do tempo disponível?</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;">A mitologia ilustra bem essa angústia humana. Zeus, o mais poderoso deus do Olimpo grego, era filho de Cronos, mas nenhum dos dois conhecia esse parentesco, mantido em segredo por Réa, mãe dos filhos de Cronos. Mas Zeus só assume a posição de poder quando enfrenta Cronos e o vence em uma batalha. Ele havia sido sabiamente aconselhado a não matar seu oponente, pois assim ele estaria matando o próprio tempo e ficaria, então, aprisionado no instante, sem futuro nem memória.</p>
<p style="text-align: justify;">A estratégia de Zeus foi vencer Cronos, cortando seus tendões e amarrando sua cabeça aos pés, criando um círculo com seu corpo. A partir de então, o deus do tempo passou a ser também o deus das ações repetitivas, como o dia e a noite e as estações do ano, eventos cíclicos.</p>
<p style="text-align: justify;">Na prática, Zeus conquistou Cronos e o dominou, administrou. Nossa vida moderna não difere disso. Todos temos 24 horas por dia à nossa disposição, mas estou certo de que você conhece pessoas que aproveitam bem essas horas, produzem, trabalham, estudam, se cuidam, se divertem, cultivam as relações. E também conhece outros, que se queixam da falta de tempo, da velocidade dos acontecimentos, da sensação de impermanência e da falta de controle. Na prática, o que acontece mesmo é exatamente a falta de controle, de ação da lógica na organização de suas prioridades. A agenda não escraviza – ao contrário, liberta, confere autonomia, possibilidades, alcances.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas gestão é a segunda palavra -chave. A primeira é escolha. Fazemos nossas escolhas com base em nossos valores e criamos uma estratégia para atingir nossos propósitos. Estratégias dependem de recursos, entre eles, o mais caro e raro: o tempo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><span style="color: #ff6600;">O ideal seria estabelecer uma relação lógica entre presente, passado e futuro?</span></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Muito se fala que a única coisa real é o presente, pois o passado não existe mais e o futuro ainda está por vir. Há uma lógica nessa observação, mas é uma lógica primitiva, pois esses tempos são totalmente interligados e interdependentes.</p>
<p style="text-align: justify;">É verdade que o presente é a única realidade prática, mas também é verdade que é nesse instante que se inserem o passado e o futuro. Na dimensão temporal atual, o passado recebe o nome de memória e o futuro tem vários pseudônimos, como sonho, desejo, medo e esperança.</p>
<p style="text-align: justify;">O futuro não é algo que vai existir. O futuro existe agora. Aliás, o futuro só existe no presente, pois, quando no futuro, o futuro virar presente, ele deixará de ser futuro. Parece óbvio, mas escapa da percepção cotidiana da maioria das pessoas. E escapa também o fato de que o futuro virará presente e, quando isso acontecer, ele será melhor ou pior, a depender das providências tomadas no presente, neste exato momento.</p>
<p style="text-align: justify;">Em outras palavras, só vivemos no presente, mas estamos fortemente conectados ao passado, que nos ensina, e ao futuro, que nos motiva. Viver é estar atado a essa tríade temporal, doce ou amarga, dependendo da consciência de cada um. Fazer as pazes com o tempo é a verdadeira sabedoria. Só que “a sabedoria não se transmite, é preciso que nós a descubramos fazendo uma caminhada que ninguém pode fazer em nosso lugar e que ninguém nos pode evitar, porque a sabedoria é uma maneira de ver as coisas”, também disse Proust.</p>
<p style="text-align: justify;">Sim, a sabedoria é uma maneira de ver as coisas, mas isso exige intenção, disposição e coragem. O problema é que desenvolvemos essas três qualidades em épocas diferentes de nossa vida, por isso a maturidade às vezes tarda, depende do tempo.</p>
<p style="text-align: justify;">O mesmo tempo que exige maturidade para ser bem escolhido e controlado, em outras palavras, para ser muito bem vivido.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Texto publicado sob licença da revista Vida Simples, Editora Abril.<br />
Todos os direitos reservados.<br />
Visite o site da revista: <a href="http://www.revistavidasimples.com.br/" target="_blank">www.revistavidasimples.com.br</a></em></p>
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		<title>Planos novos para 2010</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Feb 2010 13:04:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A melhor maneira de prever o futuro é construí-lo

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: justify;">Em uma convenção recente de fim de ano, assisti a uma cena quase surreal. O executivo deu início ao seu discurso para os colaboradores com a seguinte mensagem: “Conforme nossas previsões, terminamos o ano no vermelho”. E seguiram-se as explicações de praxe, como a crise, a retração do mercado, e por aí afora. Os participantes abanavam a cabeça, concordando com as justificativas do chefe. Na mesma semana, no encontro de outra empresa, presenciei um espetáculo com roteiro inverso. Seu presidente falou algo como: “Conforme as previsões que fizemos, estamos terminando um ano difícil com resultados excepcionais”.</div>
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<p><span style="font-size: medium;"> </span>Ele então passou a discorrer sobre as medidas que haviam sido adotadas. Então mostrou um gráfico com o crescimento do market share e, como bom líder, creditou o sucesso a todo o grupo, que comemorou com entusiasmo. Apesar de serem opostos no conteúdo comunicado, os dois discursos tem uma coisa em comum: ambos começaram anunciando a confirmação de uma previsão.</p>
<p>O difícil é saber até que ponto os resultados — ruins numa empresa e bons na outra — apenas confirmaram as previsões e até que ponto os resultados foram influenciados por tais previsões. Previsões podem e devem ser feitas. Executivos preparados conseguem imaginar o futuro, tomando por base os acontecimentos passados. A essa prática costuma-se dar o nome em inglês de forecast. Os mais experientes também valem-se de suas impressões pessoais para aventar resultados futuros. A essas intuições dos mais vividos chamamos foresight — previsões baseadas em sentimentos.</p>
<p>Mas algum sábio já disse que a melhor maneira de prever o futuro é construí-lo, e não há, nessa proposta, nenhuma gota de otimismo nem de autoajuda barata. O sociólogo americano Robert Merton, Ph.D. por Harvard, que dedicou sua vida a estudar o comportamento organizacional, observando situações como as descritas no começo deste texto, chegou à mesma conclusão. Ele é o autor da expressão “profecia autorrealizável”, para explicar a influência que uma visão do futuro tem sobre os acontecimentos que esse mesmo futuro trará. Portanto, ser realista sem deixar de ser positivo é o melhor conselho. Pratique-o!</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Texto publicado sob licença da revista Você s/a, Editora Abril.<br />
Todos os direitos reservados.<br />
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		<title>A 803 geração</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Feb 2010 13:28:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[futuro]]></category>
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		<description><![CDATA[Os novos líderes são especialistas em software e hardware, mas deixam a desejar em humanware.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na década de 70, Alvin Toffler escreveu o best-seller O Choque do Futuro. Nele lemos: “Se os últimos 50 000 anos da existência do homem fossem divididos em gerações de aproximadamente 62 anos cada uma, terá havido cerca de 800 gerações. Dessas 800, 650 foram passadas nas cavernas. Somente durante as últimas 70 gerações foi possível haver uma comunicação efetiva de uma geração para outra, porque a escrita se tornou possível. (&#8230;) A esmagadora maioria de todos os bens materiais que usamos foi desenvolvida dentro da atual, a 800a geração”.</p>
<p>Toffler fez essa análise para mostrar a velocidade crescente das transformações da humanidade e a repercussão disso nas diferenças existentes entre as gerações. Os estudiosos do assunto dizem que atualmente há diferenças significativas entre grupos separados por apenas dez anos, como se uma geração nova surgisse a cada década. Se assumirmos essa premissa a partir da data da publicação do livro, estamos vendo chegar ao mundo produtivo a 803a geração, que tem características muito particulares. A principal é que nasceu e cresceu em contato com a tecnologia, o que fez surgir um novo tipo de relação das pessoas com o mundo, muito mais dinâmico e impessoal.</p>
<p>Essa geração teve mais acesso à informação e ao estudo. A consequência é que estão chegando aos cargos de executivos jovens informados, tecnológicos, racionais, rápidos, mas que correm o risco de não aplicar bem esses ótimos atributos por falta de estofo humano, de olho no olho. As empresas e escolas de negócios estão atentas a esse “lado humano” dos profissionais, e não apenas porque têm uma preocupação, digamos, humanista, e sim porque isso impacta nos resultados. Os novos líderes são especialistas em software e hardware, mas deixam a desejar em humanware.</p>
<p>A grande marca da humanidade é a transferência de conhecimento. Guerras, conquistas, erros e acertos dos que vieram antes de nós devem servir de ensinamento aos que estão chegando. Toffler alerta que o grande perigo do choque do futuro é a desumanização pela tecnologia e a alienação pela arrogância. Não caia nessa.</p>
<p><em>Texto publicado sob licença da revista Você s/a, Editora Abril.<br />
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