<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Sapiens Sapiens &#187; filhos</title>
	<atom:link href="http://www.sapiensapiens.com.br/tag/filhos/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.sapiensapiens.com.br</link>
	<description>Sapiens Sapiens</description>
	<lastBuildDate>Mon, 30 Jan 2012 14:47:55 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.0.1</generator>
		<item>
		<title>Hora certa para ter filhos</title>
		<link>http://www.sapiensapiens.com.br/hora-certa-para-ter-filhos/</link>
		<comments>http://www.sapiensapiens.com.br/hora-certa-para-ter-filhos/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 20 Feb 2010 02:27:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Revista Vida Simples]]></category>
		<category><![CDATA[decisão]]></category>
		<category><![CDATA[desejo]]></category>
		<category><![CDATA[escolha]]></category>
		<category><![CDATA[família]]></category>
		<category><![CDATA[filhos]]></category>
		<category><![CDATA[homem]]></category>
		<category><![CDATA[hora]]></category>
		<category><![CDATA[mulher]]></category>
		<category><![CDATA[pais]]></category>
		<category><![CDATA[relacionamentos]]></category>
		<category><![CDATA[responsabilidade]]></category>
		<category><![CDATA[vontade]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://ssdi.chrisb.com.br/?p=66</guid>
		<description><![CDATA[Há como saber qual é o momento mais apropriado de ter filhos? O que é preciso levar em conta para tomar essa decisão com responsabilidade]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Essa é uma grande questão da pós-modernidade. Hoje em dia, vivemos mais tempo e melhor, temos a ciência, a informação e o conhecimento a nosso favor. Há liberdade na maior parte do mundo. Em compensação, surgiu um fato novo para o qual não estávamos preparados: temos que fazer muitas escolhas, e isso nos angustia. Ter filhos, por exemplo, antes era destino, agora é escolha.</p>
<p>Veja a Natália e o Eduardo, um casal típico da atualidade. São belos, cultos, profissionais, se dão muito bem, têm amigos, praticam esportes, viajam bastante, moram em um lindo apartamento recheado de conforto, arte e tecnologia. Têm um negócio próprio, trabalham juntos porque suas competências são complementares e são muito admirados por isso. Não dá para dizer que falte alguma coisa para esse casal. Mas falta. Eles não têm filhos.</p>
<p>Enquanto estavam ocupados construindo a vida que têm, a questão filhos não estava na pauta, até que o assunto começou a ganhar relevância. Como não sabiam como lidar com ele, fizeram o que os casais pós-modernos fazem: terapia. Mas, claro, a terapeuta não disse o que eles deveriam fazer, só os ajudou a pensar, a considerar todas as variáveis, as perdas e os ganhos.</p>
<p>Natália já vai fazer 35 anos e sabe que está chegando ao limite da idade ideal para ser mãe – do ponto de vista biológico. A natureza é cruel. O homem pode procriar sem problema até depois dos 70, a mulher mal passa da metade disso. A natureza tem lá suas explicações, mas não convence muito os pós-modernos, que se acostumaram a mantê-la sob controle e nesse assunto sentem-se meio impotentes. Para piorar, o Eduardo, que é mais velho, apesar de não aparentar, já tem filhos de uma relação anterior. Ele está, digamos, realizado nessa área, mas, como ele ama Natália, considera ter um filho com ela, até para dar continuidade ao amor deles. Ambos têm consciência de que a vida deles vai sofrer uma mudança radical, mas a hora da decisão chegou, não dá mais para esperar.</p>
<p>Então como decidir com propriedade se este é o melhor momento?</p>
<p>A decisão de ter um filho obedece aos princípios clássicos da tomada de decisões. Quanto mais variáveis forem consideradas, maior a chance de a decisão ser acertada. Nesse caso, há três áreas que devem ser consultadas: a idade reprodutiva, a estabilidade da relação e o equilíbrio profissional e financeiro. Em síntese, dessa decisão tão importante participam os três elementos que constroem nosso ser: a biologia, a emoção e a razão.</p>
<p>Quanto à biologia, sabemos que a mulher tem uma idade reprodutiva ideal, que vai dos 18 aos 35 anos, com alguma variação de mulher para mulher. Antes ou após essa faixa aumentam os casos de infertilidade e de distúrbios genéticos. Ainda que haja inúmeros casos de mulheres que se tornaram mães após os 40, tiveram gravidez tranquila e filhos saudáveis, os especialistas recomendam engravidar antes, para ter a estatística a seu favor.</p>
<p>No que diz respeito ao lado emocional, é necessário dizer uma coisa dura: provavelmente, o maior dos erros que um casal pode cometer é o de achar que um filho vai trazer felicidade. O certo é trazer um filho para compartilhar a felicidade que já se tem. Até porque seria muito cruel e egoísta dar essa responsabilidade para o pequeno ser.</p>
<p>Concordo que um filho dá a sensação de plenitude, de continuidade, de imortalidade. Mas é necessário que ele encontre um mundo pronto para recebê- lo, estruturado o suficiente para lhe dar a chance de crescer de modo saudável. E disso faz parte uma estrutura emocional equilibrada. O melhor que um pai pode fazer por seu filho é amar a mãe dele. Crescer em um ambiente de amorosidade, em que a paz é parte da família, com pais que conversam e trocam carinhos, em que o beijo é democrático e a preocupação de um com o outro é genuína, acredite, é o melhor substrato para a construção de uma personalidade estruturada.</p>
<p>Quanto à lógica, esta se refere ao lado prático da vida. Um filho dá despesa, exige espaço, tempo, atenção. A questão financeira talvez seja a mais relevante, há muitos estudos sobre o assunto. Um dos últimos mostra que, quanto mais os pais ganham, mais gastam, e que o investimento em um filho até que ele complete a faculdade pode chegar à casa de 1,5 milhão de reais. Não pensar no aspecto financeiro seria irresponsável, pois seu filho precisa frequentar locais que colaborem com seu desenvolvimento, estudar línguas, viajar, praticar esportes, ter saúde, acesso a livros, comprar roupas. A lista não tem fim.</p>
<p>Planejamento familiar pode parecer diferente de outros planejamentos porque tem um fortíssimo componente emocional. Sim, tem amor envolvido na questão, mas continua sendo um planejamento.</p>
<p>Apesar do trabalho e da despesa, um filho é motivo de felicidade para o casal</p>
<p>Sem dúvida é a maior felicidade que se pode experimentar, mas estamos diante de duas questões bem diferentes: a maternidade e a tomada de decisões. São dois assuntos que pertencem, em parte, a áreas diferentes da mente humana. A maternidade é uma força própria da condição de ser mulher, e a ela concorrem o instinto e a emoção, com a mesma força. O instinto da perpetuação, com o qual não dá para discutir. E a emoção de ser mãe, de amar da forma mais intensa possível, de se sentir amada, de ver nos olhinhos do filho o verdadeiro sentido da vida. A maternidade está, sim, entre as maravilhas de uma existência. Trata-se de uma experiência que nem sequer pode ser explicada, só pode ser vivenciada.</p>
<p>Como pai que foi meio mãe, posso afirmar que vale a pena experimentar a sensação de gerar, de sentir o sabor da continuidade, da perpetuidade; de participar, através de um ato extremamente amoroso, do enriquecimento deste mundo. A emoção é imensa, sem dúvida. Ter um filho, vê-lo crescer, sorrir, aprender, errar, dar os primeiros passos em direção ao controle de sua vida. Eu experimentei tudo isso e posso afirmar que meus filhos me tornaram melhor. Ensinaram-me mais do que aprenderam de mim. Deram significado a meu trabalho, aos cuidados com minha saúde e até ao amor que sentia pela mãe deles. Sim, é maravilhoso ter um filho, mas&#8230;</p>
<p>Mas há a decisão, e esta pertence ao círculo da lógica, ainda que faça parte das funções dela consultar as emoções, sem as quais as decisões se tornariam frias e estéreis. Decidimos o tempo todo, em praticamente todas as nossas atividades, e é possível que seja exatamente nessa obrigação diária que se esconda a grande causa da ansiedade humana. Sim, pois a escolha pressupõe, em geral, várias renúncias, o que nos leva a crer que a escolha nos dá menos do que o que perdemos, e isso gera um desconforto interno chamado ansiedade.</p>
<p>Começamos o dia fazendo escolhas, e continuamos assim pela vida afora. Decisões, decisões. Ansiedade constante. Pense um pouco: se decidir qual sapato comprar já causa uma revoada de borboletas no estômago, imagine o borboletário ao ter que decidir se está, ou não, na hora de ter um filho. Trata-se de uma decisão que irá mudar sua vida, não duvide disso. Aquele pequeno ser assume o comando de tudo à sua volta. Os horários da casa, a estrutura do quarto, os móveis da sala, tudo passa a girar em torno das necessidades e dos desejos do pequeno.</p>
<p>Não que ele não faça sua parte. Quando resolve brincar às 4 da manhã, tira você da cama de mau humor, mas este se desvanece na primeira risadinha que faz aparecer aquelas covinhas na bochecha. Ele tem tudo sob controle. Suas armas são a alegria, o riso, os pequenos movimentos, a descoberta de que tem mãozinhas, o aperto que dá em seu polegar demonstrando dependência e confiança.</p>
<p>Não basta o desejo de ter filhos? O que mais é preciso? É maravilhoso ter um filho, e será tão mais quanto mais agregar valor a nossa vida. A questão é que ele também tira algo, pois é um sugador insaciável de atenção, cuidados, tempo, dinheiro. Há um preço a pagar, e temos que estar preparados para isso. Se assim não for, a maravilha da maternidade, ou da paternidade, perde pontos para a aridez da vida prática. Duas publicações recentes me disseram muito a respeito deste tema.</p>
<p>A psicóloga Vera Maluf, que apoia casais que enfrentam alguma dificuldade nessa área, publicou o livro Fertilidade &amp; Maternidade – O Desejo de um Filho (Atheneu), no qual aborda, principalmente, as possibilidades da reprodução assistida e suas consequências psicológicas. No capítulo chamado “O desejo em nossas vidas”, ela diz que o desejo de ter um filho não é tudo, que precisamos também ter vontade. E explica: “O desejo é dado pela psique, libido, biologia – é um fato natural. A vontade é construída pela consciência, disciplina, interação – é um fato social. Educação é a arte de construir vontades”. Uma visão cristalina.</p>
<p>E o psiquiatra Içami Tiba acaba de acrescentar mais uma publicação a sua lista de livros dedicados às questões familiares e educacionais, Família de Alta Performance – Conceitos Contemporâneos na Educação (Integrare). Nele encontrei uma pequena frase em forma de agradecimento feito por um filho: “Agradeço a meus pais pela ‘predisposição genética’ a ser feliz. E a Deus por ter sido tão ‘mimado’ por Ele”. Que bom se todos os filhos se sentissem estimulados a fazer esse agradecimento. Ele tem um profundo significado: esse filho foi bem esperado e bem recebido, e teve todas as oportunidades da vida. Os pais estavam prontos para recebê-lo e ele respondeu ao amor de ter sido criado com o brilho de existir em plenitude.</p>
<p><em>Texto publicado sob licença da revista Vida Simples, Editora Abril.<br />
Todos os direitos reservados.<br />
Visite o site da revista: <a href="http://www.revistavidasimples.com.br/" target="_blank">www.revistavidasimples.com.br</a></em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.sapiensapiens.com.br/hora-certa-para-ter-filhos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Atenção aos Filhos</title>
		<link>http://www.sapiensapiens.com.br/atencao-aos-filhos/</link>
		<comments>http://www.sapiensapiens.com.br/atencao-aos-filhos/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 14 Feb 2010 03:35:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Revista Vida Simples]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[atenção]]></category>
		<category><![CDATA[família]]></category>
		<category><![CDATA[filhos]]></category>
		<category><![CDATA[lógica]]></category>
		<category><![CDATA[natureza]]></category>
		<category><![CDATA[pais]]></category>
		<category><![CDATA[tempo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://ssdi.chrisb.com.br/?p=82</guid>
		<description><![CDATA[O educador Paulo Freire dizia que tinha aprendido a ler antes de aprender a ler. É que, antes de “ler as letras”, ele já sabia “ler o mundo”. “A leitura do mundo precede a leitura da palavra, e a posterior leitura desta não pode prescindir da continuidade da leitura daquele”, escreveu. Na visão do mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O educador Paulo Freire dizia que tinha aprendido a ler antes de aprender a ler. É que, antes de “ler as letras”, ele já sabia “ler o mundo”. “A leitura do mundo precede a leitura da palavra, e a posterior leitura desta não pode prescindir da continuidade da leitura daquele”, escreveu. Na visão do mais importante educador brasileiro, quem não aprende a interpretar o que o mundo ao seu redor tem a dizer terá muita dificuldade em compreender o que as palavras impressas em um livro querem transmitir.</p>
<p>Portanto, primeiro aprendemos várias outras linguagens antes de nos aventurarmos na linguagem escrita. E essa primeira leitura quem nos ensina é a família, o lar a que nos foi dado pertencer. Há imensa beleza na descrição que o velho mestre faz de sua infância e do convívio familiar: “Me vejo na casa mediana em que nasci, no Recife, rodeada de árvores, algumas delas como se fossem gente, tal a intimidade entre nós – à sua sombra brincava e em seus galhos mais dóceis à minha altura eu me experimentava em riscos menores que me preparavam para os riscos e aventuras maiores da vida que eu iria viver”. E continua: “A velha casa, seus quartos, seu corredor, seu sótão – o sítio de avencas de minha mãe –, o quintal amplo em que se achava, tudo isso foi meu primeiro mundo. Nele engatinhei, balbuciei, me pus em pé, andei, falei. De todas essas coisas eu tirava a compreensão e eu ia aprendendo no meu trato com elas, e nas minhas relações com meus irmãos mais velhos, com minha mãe e meu pai, e até com os gatos da família – a sua maneira manhosa de enroscarem- se nas pernas da gente, com seus miados de súplica ou de raiva”.</p>
<p>Essas frases foram retiradas de um texto do Paulo Freire em que ele se refere à importância da família na formação do caráter e da competência social e produtiva dos jovens. Para muitos, a família é a célula principal que forma o tecido social, e seu grau de organização e saúde irá determinar o grau de organização e saúde da sociedade como um todo. Para alguns, a família é apenas uma idéia burguesa do núcleo conjugal que visa apenas a continuidade dos negócios e do patrimônio através da herança. Para Paulo Freire, é o lugar onde começamos a fazer a leitura do mundo, e o ambiente que irá contribuir decisivamente no nosso caráter e no nosso destino. Prefiro Paulo Freire.</p>
<p>A família-equipe</p>
<p>A reflexão à qual o texto do educador nos leva é sobre o fato de que a responsabilidade dos pais vai muito além de prover alimentação, segurança, educação, saúde. Os pais ensinam seus filhos a ler o mundo. E a dúvida que nos atinge com a força de um cruzado de direita é: afinal, como é mesmo que se faz isso?</p>
<p>A sociedade pós-guerra, e a contemporânea em particular, desenvolveu características novas, nunca antes presenciadas pela humanidade, em toda sua história, e que nos mostram que a família já não é mais o que era. A mãe está trabalhando, virou profi ssional, tem projetos próprios. O pai trabalha muito, não pode parar de estudar, fica muito tempo fora de casa. Os filhos têm de cumprir uma agenda que inclui muitas coisas além do colégio. Está armado o cenário para a proliferação da angústia do “será que estou fazendo a coisa certa?”, que assola o coração dos pais de hoje.</p>
<p>Eu, pessoalmente, me identifico com quem confessa essa angústia por não ter mais tempo de ficar com os filhos pequenos, ouvinvida do suas dúvidas, lendo histórias, apoiando as primeiras iniciativas, entendendo seus dilemas. Eu vivi esse capítulo intensamente. E aprendi a duras penas – pai inexperiente que era – que o lar é o primeiro mundo em que uma criança vive, e o que irá encontrar depois lá fora pode significar um grande perigo se, em seu primeiro ambiente, ela não recebeu sinais da realidade, ainda que atenuados.</p>
<p>É em casa que as crianças começam a formar seu sistema imunológico contra as frustrações da vida. A escola é a segunda instância, a família é a primeira. Coisas como autoestima, autoconfiança, responsabilidade, respeito, curiosidade, determinação e autonomia não se aprendem nos livros – se desenvolvem na prática, através de estímulos e exemplos. E são justamente essas coisas que definem a qualidade de uma pessoa, mais do que seu conhecimento teórico. Estudar é bom, aprender é melhor. E o aprender ultrapassa o estudar porque inclui o vivenciar.</p>
<p>Se a família é uma espécie de equipe, cada um tem suas tarefas, suas responsabilidades, papéis a representar. E isso exige, sim, atenção, preparo e organização dos pais, os líderes naturais. Definir horários para o convívio familiar não desmerece a relação, como se pensa, antes a engrandece, pois demonstra a importância que se dá à família. O trabalho é importante, claro, mas a família é fundamental. Por que destinar à família as sobras do tempo? Terá o convívio com os seus menos valor do que com os outros?</p>
<p>Pessoas produtivas são aquelas que aproveitam bem seu tempo, gerenciam com competência seus horários e dessa forma conseguem atender a mais compromissos do que os “perdidos no tempo”, que são, infelizmente, muitos.</p>
<p>E há mais uma premissa básica: podemos avaliar as relações levando em conta o critério de quantidade, mas também podemos fazê-lo baseados na qualidade. Em outras palavras, mais importante do que dedicar muito tempo aos filhos, é dar-lhes um convívio bom, intenso, belo. Em uma escola infantil, a professora provocou seu aluninhos com a seguinte questão: “Quando é que você gosta mais de seu pai?” A maioria das crianças respondeu algo como “Quando ele me leva para passear”. Um garoto, entretanto, disse: “Gosto mais dele quando está inteiro ao meu lado”. Esse garoto sabia o que estava dizendo.</p>
<p>Estar inteiro ao seu lado significa, para a criança, que o pai não está, ao mesmo tempo, lendo o jornal, assistindo a televisão ou conversando com mais alguém. Nesses casos, ela passa a representar um mero papel de coadjuvante, ela sente que não tem importância e pode até ser um estorvo. Estar inteiro significa olhar nos olhos, escutar de verdade suas palavras, responder com cuidado a suas indagações. Estar inteiro significa ser honesto, verdadeiro, coerente. É melhor ser um pai inteiro por uma hora do que um pai parcial por dez.</p>
<p>Lições da natureza</p>
<p>Vem dos biólogos uma informação muito interessante: a espécie humana é a mais frágil entre todas as de nosso planeta. Nós não somos fortes nem velozes e também não dispomos de equipamentos de ataque e defesa, como garras aguçadas e caninos salientes. Não somos numerosos se comparados com os insetos, por exemplo, nem temos carapaças de proteção como os caranguejos e os caracóis.</p>
<p>Mesmo assim, conseguimos o domínio sobre as outras espécies e o controle da natureza (melhor seria dizer descontrole, eu sei). O que nos permitiu essa proeza, mesmo sendo uma espécie desprovida de equipamentos anatômicos de sobrevivência? O cérebro, claro – além do polegar opositor, que nos permite manipular objetos. Um cérebro altamente desenvolvido, como o nosso, possibilitou a confecção de ferramentas e o desenvolvimento de estratégias de sobrevivência e domínio. O resto é história.</p>
<p>Mas não foi só pela parte lógica que o cérebro nos ajudou. Também pelo sistema límbico, o componente neurológico pelo qual nós experimentamos sentimentos e emoções, somos capazes de amar, sentir saudades, ciúme, raiva, medo, prazer, inveja, ambição. E essa parte foi a responsável pela forte tendência humana de formar grupos, de se aglutinar e, dessa maneira, aumentar sua chance de sobrevivência e controle do meio ambiente. E o primeiro desses grupos foi a família.</p>
<p>Os humanos formam a espécie em que os filhos ficam mais tempo em contato com seus pais, o que, aliado à capacidade de pensar, ter memória e dominar o conceito do tempo, criou um sistema em que uma geração passa à próxima todo o seu conhecimento. Uma tartaruga quando nasce é igual a outra que nasceu milhões de anos atrás, pois a tartaruga mãe e a tartaruga pai só passam para seus rebentos uma carga genética. Em nosso caso, além da carga genética, os pais entregam para seus filhos a carga cultural que eles aprenderam com a geração dos avós, que, por sua vez, aprenderam com seus pais, e assim por diante. A essa linha criada pelas gerações encadeadas damos o nome de civilização. Que dependeu da capacidade que o ser humano tem de amar e cuidar dos filhos e ensinar-lhes coisas.</p>
<p>Sim, ter filhos é um projeto da natureza, mas é também um projeto da sociedade e de cada um de nós. E projetos requerem atenção, lógica, inteligência, amor. Ensinar nossos filhos a “ler o mundo” é o que eles esperam de nós, além de se sentirem amados, claro. Somos diferentes das outras espécies. Somos provedores de sentimentos e conhecimentos. Somos responsáveis por aqueles que conquistamos, como disse Saint-Exupéry, mas somos ainda mais responsáveis por aqueles que geramos. Kahlil Gibran nos alertou sobre isso em seu belo poema sobre filhos: “A vida não recua e não se retarda no ontem/ Tu és o arco do qual teus filhos, como flechas vivas, são disparados/ Que a tua inclinação, na mão do arqueiro, seja para a alegria”.</p>
<p><em>Texto publicado sob licença da revista Vida Simples, Editora Abril.<br />
Todos os direitos reservados.<br />
Visite o site da revista: <a href="http://www.revistavidasimples.com.br/" target="_blank">www.revistavidasimples.com.br</a></em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.sapiensapiens.com.br/atencao-aos-filhos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

