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	<title>Sapiens Sapiens &#187; estrátegia</title>
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	<description>Sapiens Sapiens</description>
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		<title>Os Disponíveis</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Jul 2011 15:20:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Revista Você S/A]]></category>
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		<description><![CDATA[Liderar é ser bom de estratégia, cercar-se das pessoas certas e inspirá-las com os valores de uma causa.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Preste atenção no seguinte diálogo:</p>
<p style="text-align: justify;">- <em>Qualquer coisa fale com o Nelson, ele saberá o que fazer.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>- Mas o Nelson não é de outro departamento?</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>- É, mas não importa, ele sempre ajuda quando a gente precisa.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Você já deve ter notado que existe um tipo de pessoa que parece estar sempre disponível para ajudar e até para cuidar dos outros. Não estou falando de enfermeiros, assistentes sociais ou missionários.</p>
<p style="text-align: justify;">Estou me referindo às pessoas de qualquer atividade que têm um traço de personalidade que as torna extremamente confiáveis e, por isso, acabam sendo demandadas por seus colegas, parentes e vizinhos.</p>
<p style="text-align: justify;">Nas famílias sempre há um tio que serve de referência, que é procurado pelos sobrinhos em busca de conselhos ou pelos outros tios que precisam de algum apoio, e que foi quem cuidou dos avós velhinhos. Em qualquer condomínio encontramos sempre um morador que parece ser mais coerente e prestativo e, se não for ele o síndico, será seu principal conselheiro.</p>
<p style="text-align: justify;">Nas empresas não é diferente. Sempre há um gerente Nelson a quem todos recorrem nas dificuldades, que responde com um sorriso, colocando sua experiência e sua boa vontade à disposição dos colegas, sem nenhuma cobrança posterior e sem o menor traço de arrogância. Quando você está com uma dificuldade, dessas que todos temos eventualmente, e está precisando de um conselho ou de um apoio, sabe a quem recorrer?</p>
<p style="text-align: justify;">Estou certo que sim. Rapidamente você faz uma lista mental de seus colegas, amigos e parentes e os separa em duas categorias: os disponíveis e os não disponíveis. Você sabe que não adianta recorrer a um não disponível, mesmo que ele seja o mais próximo. Já o disponível é capaz de atravessar a cidade para apoiar seu amigo em dificuldade. Ele não vê obstáculos, é solidário e está sempre pronto.</p>
<p style="text-align: justify;">É da lista dos disponíveis que brotam os líderes que são dignos do nome. Liderar é mobilizar pessoas em direção a um destino comum. Essa é a definição mais comum, mas ela envolve um sem-número de pequenas ações que, em sua somatória, conferem a qualidade de líder a seu detentor. É necessário ser bom de estratégia, cercar-se das pessoas certas e inspirá-las com os valores de uma causa. O bom estrategista-comunicador verá seus esforços se diluírem no tempo se ele não for, também, um ser disponível. “Agora, ao trabalho”, diz um Nelson no fim da reunião. Mas complementa com sinceridade: “E, se precisarem de mim, sabem onde me encontrar”.</p>
<p><em>Texto publicado sob licença da revista Você s/a, Editora Abril.<br />
Todos os direitos reservados.<br />
Visite o site da revista: www.vocesa.com.br</em></p>
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		<title>Como aproveitar o momento</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Mar 2011 18:31:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Pensar de forma estratégica significa definir objetivos?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Minha definição para estratégia: é o meio utilizado para conciliar a situação presente com o futuro desejado. Gosto do verbo conciliar. Ele representa harmonia, tranqüilidade e paz. E o que isso tem a ver com estratégia? Ora, tudo, pois pensar estrategicamente significa definir bem os objetivos a atingir e organizar-se para ter sucesso na empreitada. Isso inclui uma meticulosa análise das condições, dos recursos disponíveis e da distância a ser percorrida. Os sonhos devem ser grandes, mas devem também ser factíveis, o que tem a ver com a situação presente. Sem conciliação, nada feito.</p>
<p style="text-align: justify;">Por isso, em épocas como esta, em que fazemos planos para o ano que começa, é conveniente revisar o que fizemos no ciclo que está se encerrando e nos perguntar qual é a situação real nesse momento. O presente é a ponte entre o passado, que se chama memória, e o futuro, que se chama sonho. O Brasil vive um momento mágico, com perspectivas de crescimento acelerado e sustentável. Essa realidade influi tremendamente em nossas carreiras.</p>
<p style="text-align: justify;">Há projetos, obras, busca por serviços em todos os setores e em todas as regiões. Boas perspectivas para o país? Sim, desde que as oportunidades sejam acompanhada por aquilo que as sustentará: recursos, que podem ser divididos em físicos, intelectuais e morais. O sonho de um Brasil grande será factível se tivermos infra-estrutura, educação e civilidade. Mercado existe!</p>
<p style="text-align: justify;">Se você fosse o Brasil, o que faria para aproveitar este bom momento da economia? Que providências tomaria para não deixar passar a oportunidade? Conhecimento, habilidades, atitude, networking, valores, organização. Essas são premissas para engrenar uma carreira sólida e promissora. Sem providenciá-las, sonhar passa a ser inócuo. Conciliar o que você é com quem deseja ser é o mantra a ser seguido. Sem conciliação não há solução.</p>
<p style="text-align: justify;">Se você fosse o Brasil, estaria diante de um futuro espetacular e não teria o direito de não aproveitá-lo para beneficiar seus cidadãos. Isso, se você fosse o Brasil. Mas&#8230; espere um pouco. Repare bem e você se dará conta de que você, assim como eu, é, sim, o Brasil.</p>
<p><em>Texto publicado sob licença da revista Você s/a, Editora Abril.<br />
Todos os direitos reservados.<br />
Visite o site da revista: www.vocesa.com.br</em></p>
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		<title>O futuro de cada um de nós</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Nov 2010 14:59:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Se considerarmos que o que existe mesmo é o presente, por que dizem que é tão importante viver o tempo futuro? Qual é, afinal, nossa conexão com um tempo que ainda não existe e que nem sabemos se existirá?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Acompanhe esta história:  o Paraná tem um símbolo que é praticamente desconhecido fora daquele Estado: a gralha-azul. Trata-se de uma ave da família dos corvídeos, que encanta pela beleza de suas penas azuis, gradualmente mais escuras na cabeça e no peito. Para os paranaenses, esse animal-símbolo é tão importante que, diz a lenda, um caçador que tente acertá-lo com um tiro verá sua espingarda negar fogo ou até explodir, pois a gralha-azul é protegida dos espíritos da floresta das araucárias.</p>
<div id="attachment_2564" class="wp-caption aligncenter" style="width: 260px"><a href="http://www.sapiensapiens.com.br/wp-content/uploads/gralha_azul.jpg"><img class="size-full wp-image-2564" title="Gralha Azul" src="http://www.sapiensapiens.com.br/wp-content/uploads/gralha_azul.jpg" alt="" width="250" height="166" /></a><p class="wp-caption-text">Imagem: Secretaria do Turismo do Paraná.</p></div>
<p style="text-align: justify;">Tal devoção deve-se a uma característica do pássaro: ele é o responsável pela disseminação da <em>Araucaria angustifolia</em>, o majestoso pinheiro paranaense, que já recobriu a quase totalidade daquele estado e também de boa parte de toda a região Sul e de São Paulo.</p>
<p style="text-align: justify;">O detalhe curioso fica por conta do método empregado pela gralha: ela enterra os pinhões e, destes, nascerão novos pinheiros. Trata-se então de uma semeadora compulsiva e incansável, que dedica sua vida à proliferação da bela árvore. A explicação para tal comportamento é que a gralhinha tem duas características: preocupação com o futuro e péssima memória. Enterra as sementes com a intenção de guardá-las e consumi-las mais tarde, mas esquece-se de onde as guardou, possibilitando assim sua germinação.</p>
<p style="text-align: justify;">A gralha-azul é um dos poucos exemplos que colhemos no mundo natural de animal que tem preocupação com o futuro. Bichos têm consciência do presente, do aqui e agora, das necessidades imediatas, mas, com raras exceções, como a do pássaro sulista, vivem em total despreocupação com o dia de amanhã. Não conhecem tempo, não têm noção de futuro e, do passado, guardam apenas as memórias que reforçam seus instintos. E é nesse capítulo que encontramos um imenso diferencial humano: nós, sim, conhecemos o conceito de tempo. Sabemos que o presente em que nos encontramos tem conexões com um tempo que passou e com um tempo que virá.</p>
<p style="text-align: justify;">Nunca saberemos quando o homem começou a ter tal noção de tempo, mas sabemos que somos a única espécie dotada de consciência temporal. A memória do passado e, principalmente, a imagem do futuro são qualidades mentais sofisticadas demais para qualquer outra espécie que não a humana. Nosso córtex cerebral é a parte mais elaborada de nosso cérebro e, com tais características, é uma exclusividade humana. Uma das qualidades do córtex é a análise de um número muito maior de variáveis a cada processo de tomada de decisão, entre elas, o tempo. Somos capazes, por exemplo, de adiar o prazer, e até aceitar algum sofrimento, desde que ele esteja a serviço de um futuro mais prazeroso. Essa é uma das vantagens competitivas que nos permitiram assumir uma posição de mando e controle no planeta, ainda que haja tanto descontrole.</p>
<p style="text-align: justify;">Entretanto, mesmo entre nós, racionais, conscientes de nossa posição neste mundo e neste tempo, há variações na maneira de fazermos conexões com o futuro. Pelo menos três categorias são bastante claras, e, entre elas, diferentes graus de profundidade podem ser identificados: o descaso, a previsão e a construção. Vamos a elas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O descaso</strong>: Nesta categoria colocamos todos os que não se preocupam com o futuro, apesar de saberem que ele existe. Pare estes cabe a expressão latina carpe diem, que quer dizer “viva o presente”. É uma recomendação que se faz à pessoa que diz que será feliz, ou realizada, ou tranquila, “quando” acontecer alguma coisa. Quando se formar, quando comprar sua casa, quando ganhar dinheiro, quando casar, quando&#8230; Para esse tipo de pessoa, a felicidade é um projeto e não o que deve ser, um estilo de vida. Para uma pessoa assim, carpe diem nela!</p>
<p style="text-align: justify;">O carpe diem com recomendação para que se aproveite o presente é excelente, mas, como desculpa para ignorar o futuro, pode virar uma armadilha. O que não dá para esquecer é que o futuro vai virar presente, e que este será melhor ou pior a depender das ações de hoje. Tudo está conectado, um ato de hoje terá repercussão amanhã.</p>
<p style="text-align: justify;">Dizem os historiadores que a queda do Império Romano teve início no momento em que o carpe diem deixou de ser apenas um conselho e acabou por se transformar em filosofia de vida, seguida pelo imperador e, claro, por seus súditos. A despreocupação com o futuro cobrou, daquela gente, um pesadíssimo pedágio.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A previsão:</strong> O futurólogo Michiu Kaku disse: “Previsão é uma coisa muito difícil, especialmente quando é sobre o futuro”. Mesmo assim, é a isso que esse professor do City College de Nova York se dedica, a prever o futuro, atendendo a um dos mais antigos desejos humanos. A História está repleta de exemplos de tentativas de previsão, dos antigos gregos em seus oráculos até a atualidade, quando cérebros privilegiados dedicam sua energia a apreciar uma paisagem ainda inexistente.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos oráculos gregos, era comum a presença das pitonisas, as sacerdotisas que previam o futuro. Para essas pessoas, prever tinha a ver com adivinhar, portanto havia algo de sobrenatural. Entretanto, a previsão do futuro não precisa habitar o reino da magia; pode viver na realidade, no reinado da lógica, vestindo a roupagem da ciência. Economistas, cientistas, sociólogos, empresários e outros tantos profissionais exercitam a arte e a ciência de prever, ainda que com parcimônia. Nesse campo, duas são as possibilidades. A primeira é <em>forecast</em>, do inglês “previsão”. Muito utilizada por todos aqueles que não desejam ser surpreendidos por fatos que poderiam ter sido previstos. Preferida dos economistas, sonda o futuro com as ferramentas dos dados, informações, gráficos. Podemos prever a inflação, a reserva de petróleo, a quantidade de chuva. Em todos esses casos, a previsão baseia-se em séries históricas anteriores, tendências concretas, análises científicas.</p>
<p style="text-align: justify;">A segunda é <em>foresight</em>: outra palavra inglesa que também significa previsão. A diferença é que, nesse caso, a previsão não se vale de dados, mas de sentimentos; algo que poderia também ser chamado de intuição. Mas não há nada de místico nessa abordagem do futuro. A intuição, então, deriva da experiência de vida. E também de sua integridade mental, da qual fazem parte a serenidade e a calma interior. Pessoas que dominam sua área de atuação devem ser respeitadas quando se referem ao futuro. Em geral esses profissionais não são pegos de surpresa, pois têm, a seu favor, a consistência do <em>forecast</em> e a concordância do <em>foresight</em>. Imagine um empresário que diz: “O mercado continua consumindo este produto, e a tendência é que a demanda se amplie no próximo ano”. Acaba de usar o <em>forecast</em>. Se ele continuar seu raciocínio e disser algo como: “Mas, apesar de ainda termos estoque, acredito que devemos lançar já a segunda versão do produto”, estará usando seu <em>foresight</em>, seu faro empresarial.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A construção</strong>: Já se disse que a melhor maneira de prever o futuro é construí-lo. E, nesse caso, estamos falando da capacidade excessivamente humana da sonhar e, claro, transformar o sonho em realidade. O homem é o único animal que tem noção de futuro, e é também o único ser capaz de exercitar a imaginação. A essa combinação maravilhosa damos o nome de sonho, que nada mais é que a imagem cristalizada de um futuro ideal.</p>
<p style="text-align: justify;">Shakespeare escreveu: “Somos feitos da mesma matéria que compõe os nossos sonhos!” Com essa afirmação, conferiu uma nobreza à qualidade de sonhar. Mas, se todos sonhamos – pois não se trata de uma prerrogativa e sim de uma qualidade –, por que nem todos realizamos nossos sonhos? É que sonhos são como deuses, só existem enquanto acreditamos neles, e é forte a tendência de as pessoas sonharem com aquilo em que elas não creem.</p>
<p style="text-align: justify;">Quem não sonha e não tem objetivos claros tateia na incerteza. Charles Dogson foi um matemático inglês especializado em lógica matemática que gostava de trilhar pelo tema que aproxima lógica de futuro. E, para falar sobre a lógica e a vida com as crianças, escrevia livros sob o pseudônimo de Lewis Caroll, sendo o mais conhecido Alice no País das Maravilhas. Nele há um diálogo impagável em que Alice, perdida, pergunta ao gato de Cheshire qual caminho deve seguir. O gato questiona então para onde ela deseja ir, e Alice responde que não tem certeza. Isso leva o felino falante a comentar: “Se você não sabe para onde quer ir, qualquer caminho serve”.</p>
<p style="text-align: justify;">Após dizer isso, o gato desaparece, mas deixa visível seu sorriso sarcástico, diante de uma Alice completamente atônita. É a metáfora explicando a atitude do mundo diante dos que não sabem aonde desejam chegar – ri sarcasticamente. Tema de reflexão para quem deseja pensar estrategicamente – ou a lógica do futuro ou o sarcasmo do gato de Cheshire&#8230;.</p>
<h4><em>Texto publicado sob licença da revista Vida Simples, Editora Abril.<br />
Todos os direitos reservados.<br />
Visite o site da revista: </em><a href="http://www.revistavidasimples.com.br/" target="_blank"><em>www.revistavidasimples.com.br</em></a></h4>
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		<title>O verbo cuidar</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Feb 2010 01:24:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ultimamente tenho prestado muita atenção à palavra cuidar. Tenho encontrado referências a ela em muitos livros bons e isso me estimulou a analisar o quanto ela foi determinante para que coisas boas acontecessem, além de perceber que o descaso com ela acabou cobrando um preço muito alto. Estou falando da vida de muitas pessoas, de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Ultimamente tenho prestado muita atenção à palavra cuidar. Tenho encontrado referências a ela em muitos livros bons e isso me estimulou a analisar o quanto ela foi determinante para que coisas boas acontecessem, além de perceber que o descaso com ela acabou cobrando um preço muito alto. Estou falando da vida de muitas pessoas, de empresas e de mim mesmo.  Conclui que cuidar é um verbo que deveria ser bem mais conjugado do que freqüentemente o fazemos. Possuir é bom, mas é o cuidar que garante a posse.</p>
<p style="text-align: justify;">Lembrando um pouco da gramática, cuidar é um verbo transitivo, ou seja, não se esgota em si mesmo. Precisa estar ligado a um objeto. E é transitivo indireto porque pede um objeto indireto, pois, quem cuida, cuida de alguma coisa. Essa é uma boa lembrança, pois nos leva a pensar: “Afinal de que mesmo eu ando cuidando ultimamente?”.  Há três esferas do cuidar que merecem imensa atenção: cuidar da carreira, das relações e de nós mesmos.</p>
<p style="text-align: justify;">Cuidar da carreira significa estar em permanente processo de aprimoramento, olhando para frente, se não você não tem uma carreira, tem apenas um trabalho.  Sem esquecer que inovação, responsabilidade e ética são componentes que merecem toda atenção, sempre. Representam o intelecto, a personalidade e o caráter. Carreiras bem cuidadas não dão sobressaltos, não oferecem surpresas. Carreiras bem cuidadas mostram a coerência entre os cuidados e os resultados, e estes são representados por promoções, novas oportunidades, crescimento profissional.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao cuidar das relações percebemos que elas têm círculos concêntricos, e todos merecem atenção. Comece pela pessoa que está ao seu lado, seu companheiro ou companheira, que deve estar acima de todos. Você sabe que tem um companheiro quando tem certeza que essa pessoa estará ao seu lado se tudo o mais falhar em sua vida. Cuide dela, é um bem que não tem preço. Há, depois, os círculos da família, dos amigos, dos colegas e de seu networking. Todos importantes, em momentos diferentes. Pessoas precisam de atenção, gostam de quem se lembra de seu aniversário, de quem liga às vezes sem outro motivo a não ser para perguntar “Como está você?”. Gosto daquela passagem da música Amigos para sempre, que foi cantada nas Olimpíadas de Barcelona em 1992, que diz “Amigos são como as estrelas. Nem sempre as vemos, mas sabemos que estão aí”.</p>
<p style="text-align: justify;">E, não menos importante, cuide de você mesmo, de sua saúde, de sua vida espiritual, de sua aparência, de seu conhecimento técnico, de sua cultura geral, de suas roupas, livros, CDs, casa, carro. As pessoas que cuidam de suas coisas são reconhecidas, merecem mais respeito, inspiram mais confiança. Cuide dos recursos que estão à sua disposição para trabalhar, viver, aprender, locomover-se, divertir-se. Só quem cuida, tem quando precisa.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #99cc00;"><strong>Cuidando dos recursos no seu trabalho</strong></span></p>
<p style="text-align: justify;">Falando em recursos, vivemos um tempo em que cuidar bem deles é sinal de inteligência, pois sabemos que eles – não importa quais sejam –são limitados. O planeta que o diga! Gerenciar os recursos no trabalho não só merece atenção mas, o mais importante, pode receber inovação. Sim, é possível inovar no dia a dia nas organizações, e não apenas nos grandes lançamentos propostos pelo departamento de P&amp;D.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando o Taylor, no início do século passado, propôs aumentar a produtividade nas fábricas, diminuindo o tempo de produção ao mesmo tempo em que reduzia o esforço dos operários, estava, na prática inovando a gestão dos recursos de produção. Essa inovação foi tão significativa que acabou por dar à luz uma nova ciência, chamada Administração. Na prática, o que ele propôs não foi que as pessoas fizessem coisas novas, e sim que fizessem de um modo diferente.</p>
<p style="text-align: justify;">Gerenciar recursos com cuidado pode significar a diferença entre o sucesso ou o insucesso de uma empreitada qualquer. Não é só o resultado que conta, e sim sua relação com os recursos utilizados para alcançá-lo, e podemos estar falando de dinheiro, equipamentos, pessoas, tempo. “Mais uma vitória como esta e estaremos derrotados”, disse o general romano Scipio Africanus aos comandantes de seu exército, que lhe haviam trazido a notícia de mais uma batalha vencida contra os exércitos do cartaginês Aníbal. Eles estavam felizes e orgulhosos e não entenderam bem a resposta de seu líder, que parecia não valorizar o trabalho deles.</p>
<p style="text-align: justify;">É que havia uma diferença de percepção entre o general e seus homens. Eles olhavam para cada uma das batalhas, e ele tinha uma visão abrangente da guerra, no caso a Segunda Guerra Púnica. Ele tinha que cuidar do exercito para vencer a guerra, e a batalha que havia sido ganha tinha mobilizado cerca de dez por cento de todos os soldados de infantaria, com baixas consideráveis. O inimigo fora derrotado, mas o preço pago por essa vitória havia sido alto demais. Este é apenas um exemplo da preocupação que deve haver entre os recursos empregados e os resultados obtidos.</p>
<p style="text-align: justify;">De lá para cá, claro, tratamos de sofisticar os modelos, e a administração não só confirmou seu<em> status</em> de ciência, como acabou sendo a grande invenção do século, pois foi sua aplicação que permitiu que todas as outras invenções ganhassem vida. Só que temos que considerar algo importantíssimo: ainda que a administração lide com fatos, números, índices, e sempre procure a exatidão, consideramos que ela pertence à área das ciências humanas, e não das ciências exatas. E é assim porque o fator humano é fundamental para que os modelos de gestão tragam o resultado esperado.</p>
<p style="text-align: justify;">O guru Ram Charam, por exemplo, costuma dizer que “O elo perdido entre a estratégia e o resultado é a atitude” e, ao dizer isso, coloca o fator humano no jogo da gestão. Sim, de nada adianta a melhor estratégia do mundo se as pessoas que a executarem não estiverem comprometidas com o resultado, não cuidarem dos recursos necessários à sua implementação e não prestarem atenção aos detalhes. Não esqueça que estratégia é técnica, atitude é vontade. E que um não vive sem outro. Cuide de ambos, e, claro, cuide-se.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Texto publicado sob licença da revista Conexão Direta com Você, da Nextel.<br />
Todos os direitos reservados.<br />
<a href="http://www.nextel.com.br/" target="_blank">www.nextel.com.br</a></em></p>
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		<title>Plano B, a missão</title>
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		<pubDate>Wed, 17 Feb 2010 03:25:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Resolvemos passar o fim de semana acampando na serra do Mar, mais exatamente no pico do Marumbi. Éramos uma dezena de garotos, escoteiros do grupo Jorge Frassati em Curitiba. Todos já tínhamos dormido no mato muitas vezes, pois o acampamento é uma das principais atividades do escotismo, uma aventura que serve de metáfora da vida, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Resolvemos passar o fim de semana acampando na serra do Mar, mais exatamente no pico do Marumbi. Éramos uma dezena de garotos, escoteiros do grupo Jorge Frassati em Curitiba. Todos já tínhamos dormido no mato muitas vezes, pois o acampamento é uma das principais atividades do escotismo, uma aventura que serve de metáfora da vida, com seus dilemas e responsabilidades. Mas o acampamento era diferente: estávamos sem os uniformes, sem o lenço vermelho e branco no pescoço e, a melhor parte, sem o chefe. Era um acampamento “extraoficial”.</p>
<p>Chegamos ao pé da montanha levados pelo trem que liga Curitiba a Paranaguá, uma obra espetacular de engenharia que atrai turistas, curiosos e especialistas. Iniciamos a aventura da montanha em direção ao local de acampamento, que fica num platô a cerca de dois terços da subida. No dia seguinte chegaríamos ao topo, escalando um paredão de baixa dificuldade. Só que havia chovido e a caminhada era penosa, entremeada por escorregões e quedas. Nós estávamos acostumados a caminhar na mata, só que naquele dia foi diferente.</p>
<p>Alguém havia tido a brilhante ideia de reunir todos os mantimentos e colocá-los na mesma mochila. O José Carlos (acho que esse era seu nome) ficou responsável por transportá-la, e ele simplesmente escorregou nas folhas molhadas do caminho e perdeu a mochila cheia de macarrão, comida enlatada, pão, linguiça, leite, café e a única caixa de fósforos que tínhamos. “Vamos encontrá-la”, disse alguém, e iniciamos uma missão malsucedida de resgate da mochila, até que percebemos que estava anoitecendo.</p>
<p>A solução foi continuar a subida antes que nos perdêssemos na densa noite. Na manhã seguinte, uma patrulha de três ou quatro desceu ao ponto do acidente, só para concluir que a mochila havia caído em uma fenda e se perdido para todo o sempre. Recebemos a notícia com o estômago roncando. O mais prudente era cancelar a escalada até o topo e iniciar a descida em direção à estação de trem. Foi o que fizemos, mas, quando lá chegamos, descobrimos que o comboio só passaria por ali no fim da tarde. Tudo que conseguimos comer naquele dia foi palmito encontrado na mata. Mastigávamos o miolo até que ficasse pastoso, então engolíamos. Até hoje lembro seu sabor sem graça, e essa lembrança me estimula a pensar sobre a importância de se ter uma boa estratégia antes de embarcar em uma aventura qualquer.</p>
<p>Se a estratégia falha A estratégia é o conjunto de medidas necessárias para conciliar a situação presente com o futuro desejado. Vários especialistas discutem esse assunto. Um deles é Henry Mintzberg, professor e autor de textos sobre gestão. Em seu livro Safári de Estratégia, Mintzberg faz uma revisão de todas as escolas de estratégia que existem e analisa suas melhores aplicações. Logo no começo, após dar as principais definições, ele deixa claro que não há estratégias perfeitas e que, com muita frequência, é necessário comparar a estratégia pretendida com a estratégia realizada. A rigor, a realizada é a pretendida após as correções necessárias, efetuadas durante sua aplicação. A melhor estratégia, de acordo com essa visão, é aquela que permite modificações durante o trajeto. Isso significa que um bom plano deve permitir a criação de tantos planos acessórios e complementares quantos forem necessários para que o objetivo seja atingido. Na vida prática, não dá para a gente ficar fazendo coisas sem ter planejado. Não importa se você está montando uma empresa, planejando as férias, elaborando sua pesquisa de mestrado ou organizando um churrasco para seus amigos. Sem planejar os passos, você vai gastar mais energia que o necessário, além de ter uma grande chance de não conseguir realizar seus propósitos. E, mesmo planejando, muita coisa vai dar errado, pois o número de variáveis envolvidas em uma atividade humana é imenso.</p>
<p>Aquela aventura na montanha foi um bom exemplo disso. Na semana seguinte, em reunião com o chefe do grupo escoteiro, após relatarmos o episódio, ele nos olhou com firmeza e perguntou: “Por que vocês não acionaram o plano B?” Hein?! Que plano B? Do que é que ele estava falando, afinal de contas?</p>
<p>Então o chefe iniciou uma detalhada preleção sobre organização de acampamentos e expedições. Ele nos fez lembrar que, em outras ocasiões sob seu comando, quando alguma coisa não dava certo, ele sempre tinha uma alternativa na manga. Olhando no fundo do olho de cada um de nós, adolescentes sabidos, ele ensinou: “Você não pode entrar em uma aventura sem considerar que alguma coisa pode dar errado, e, acredite, alguma coisa vai dar errado. Se você não tiver uma coleção de planos B, vai acabar se machucando”.</p>
<p>O chefe escoteiro tinha razão. Por que concentramos toda a comida em uma só mochila? Por que só tínhamos uma caixa de fósforos? Por que havia só um responsável pelos suprimentos? Pois é, a imprudência nos custou fome e medo. Pelo menos, nos valeu aprendizado. Até hoje eu lembro aquele dia, pois aprendi que viver nada mais é que uma grande aventura – e que as coisas podem dar errado. Nós sempre precisamos de planos B. E o problema de muita gente é que eles não têm sequer um plano A.</p>
<p>Contra o insucesso Na vida prática também temos que aplicar inteligência estratégica. Às vezes fazemos isso intuitivamente, outras vezes percebemos que falhamos, ainda que tenhamos tendência em negar o fato. Sim, é mais fácil transferir a responsabilidade dos insucessos para outros, para o mau tempo, para a crise, para o azar, e por aí vai. Na maiorias das vezes, o que faltou foi uma boa estratégia. E, mesmo quando temos a melhor estratégia, corremos o risco de precisar de outra, pois um pequeno detalhe pode pôr tudo a perder. Um bom exemplo disso foi a expedição da nave Apollo 13. O dia era 11 de abril de 1970. Três pilotos experimentados da Força Aérea americana estavam a bordo da nave com um objetivo bem definido: chegar à Lua. Era a terceira missão tripulada em direção a nosso satélite, e os astronautas James, Fred e John estavam confiantes, até porque contavam com a experiência das missões anteriores. A Nasa tinha obsessão por segurança e, claro, concentrava seus esforços nas etapas mais complexas da viagem, como o lançamento da Terra, a entrada na órbita lunar, a nova decolagem e a entrada na atmosfera terrestre. Esses eram os momentos críticos, mas – sempre tem um “mas” – o irônico dessa história é que foi durante a travessia, fase considerada tranquila e mais segura, que algo de errado aconteceu. Uma mudança quase insignificante no projeto do tanque de oxigênio do módulo de serviço provocou um superaquecimento que resultou em explosão. Logo depois, o comandante James Lovell pronunciou por rádio a frase que iria entrar para a história do século 20: “Houston, temos um problema”.</p>
<p>Esse acidente não comprometeu a sobrevivência imediata dos astronautas, mas estava claro que o pouso na Lua deveria ser cancelado. Iniciaram-se as providências de trazer a nave de volta, e isso significou um imenso exercício de revisão de todas as variáveis que estão envolvidas em uma aventura tão complexa. Foi necessário o desenho imediato de um plano B, e este só foi possível porque a nave contava com bons suprimentos e porque o acidente aconteceu na ida, sem as rochas que eles trariam na volta. O esforço, entretanto, não foi pequeno, e mobilizou um pequeno exército de técnicos e cientistas em Cabo Canaveral. Gene Kranz, o chefe das operações, deu a sua equipe sua visão dos fatos, e acabou cunhando outra frase memorável: “Fracassar não é uma opção”, disse, definindo o espírito da equipe. Após chegar à Lua e dar uma volta nela a fim de usar sua gravidade para colocá-los no rumo certo, os três homens voltaram para casa, economizando água, oxigênio e energia, com muitos quilos a menos, desidratados, quase congelados, porém vivos.</p>
<p>A Lei de Murphy Aliás, foi exatamente um engenheiro do Instituto de Tecnologia da Força Aérea dos Estados Unidos que emitiu a sentença final sobre a importância dos planos B. Seu nome era Edward Murphy e ele coordenava os estudos sobre os efeitos da desaceleração sobre o corpo dos pilotos de caças. Em uma das experiências, um de seus auxiliares cometeu um erro que prejudicou o registro das reações do piloto testado, o que quase o matou. Mas Murphy intuiu o erro e interrompeu o teste, depois dizendo, referindo-se a seu auxiliar: “Se existe uma maneira de fazer errado, ele certamente a fará”. A frase depois foi generalizada por: “Se existe alguma chance de algo dar errado, dará”. Ganhou o mundo e hoje é conhecida pelo nome de “Lei de Murphy”.</p>
<p>Já se disse que viver é uma aventura, e a vida é bela justamente por seu caráter imprevisível. Viver intensamente é retirar da vida tudo o que ela tem para oferecer, o que não é pouco, mas sem um bom plano é melhor nem sair de casa. E, como já vimos, um bom plano é aquele que considera a possibilidade de uma alteração, ou mais de uma. Sim, a vida é imprevisível, e é cada vez mais. E é bom que estejamos preparados para isso. Sempre.</p>
<p><em>Texto publicado sob licença da revista Vida Simples, Editora Abril.<br />
Todos os direitos reservados.<br />
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